O Perdão no Antigo Testamento era CONQUISTADO? (Uma Correção)
Por Tiago Rosas
Num subsídio didático da próxima Lição de Adultos, disponibilizado na revista de Professor (CPAD, Lição 9, p. 72), há um quadro comparativo entre o antigo concerto (ou antiga aliança/antigo testamento) estabelecido através de Moisés e o novo concerto estabelecido através de Cristo, extraído e adaptado da Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal. É um bom quadro comparativo não fosse por alguns detalhes dentre os quais destaco este: está dito lá que na antiga aliança o perdão era conquistado, ao passo que na nova aliança o perdão é dado gratuitamente. Honestamente, não creio nem vejo respaldo para esta distinção, e admiti-la é cair numa estranha forma de heresia pelagiana no Antigo Testamento, como se lá o perdão fosse dado por mérito. O que não é verdade. Perdão é sempre um ato da graça de Deus, graça esta manifesta parcialmente nos tempos antigos e em sua plenitude na pessoa de Jesus Cristo. Aliás, diga-se de passagem (e em virtude disso procedo esta correção), este é um erro muito comum no meio cristão: o de pensar que há duas formas de perdão ou salvação na Bíblia: uma pela Lei e outra pela Graça. Grande equívoco!
QUEM PODE CONQUISTAR O PERDÃO DE DEUS?
Aliás, quem poderia conquistar o perdão de Deus, se Ele não quisesse dá-lo por graça aos transgressores? Que fique claro: perdão e salvação sempre foram POR GRAÇA desde os dias de Adão! E condicional à fé, não ao mérito humano - fé é o despojar-se dos méritos para confiar somente em Deus. E lá também, desde os dias de Moisés, o perdão dado por Deus era verdadeiro e completo (o que o quadro comparativo de que falo acima parece sugerir que só ocorre na nova aliança). Nunca houve perdão falso, perdão simbólico ou perdão parcial. O sangue da expiação na antiga aliança - que prefigurava o sacrifício perfeito de Cristo (Ex 24.28; Mt 26.28) - era um cheque pré-datado pelo qual estava dada a garantia do perdão pleno aos que a Deus se achegassem confiantemente e reverentemente. De fato, os que cressem em Deus tinham suas dívidas quitadas e recebiam a luz que estava destinada para aquela aliança até que viesse a "luz do mundo" encarnada na pessoa de Jesus Cristo.
EXEMPLOS DE PERDÃO GRACIOSAMENTE DADO
Sob a antiga aliança, não foi confiando em seus méritos que Davi orou suplicando perdão a Deus pelos seus pecados, mas fiando-se tão somente na benevolência de Deus: "Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias" (Sl 51.1). E Davi ainda deixa claro que o perdão de Deus não pode ser conquistado com obras ou rituais litúrgicos, mas é dado ao que se quebranta diante do Senhor: "Pois não desejas sacrifícios, senão eu os daria; tu não te deleitas em holocaustos. Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus" (Sl 51.16,17). Quando admitiu sua culpa diante do profeta Natã, Davi imediatamente recebeu a boa nova: "Também o Senhor perdoou o teu pecado; não morrerás" (2Sm 2.13). A oração de Daniel, na Babilônia, também expressa o caráter gracioso do perdão de Deus mesmo no antigo concerto: "Inclina os teus ouvidos, ó Deus, e ouve; abre os teus olhos e vê a desolação da cidade que leva o teu nome. Não te fazemos pedidos por sermos justos, mas por causa da tua grande misericórdia. Senhor, ouve! Senhor, perdoa! Senhor, vê e age! Por amor de ti, meu Deus, não te demores, pois a tua cidade e o teu povo levam o teu nome" (Dn 9.18,19, NVI). Veja que Daniel deixa claro que seu pedido de perdão - "Senhor, perdoa!" - não está baseado em sua justiça, mas "por causa da tua grande misericórdia". Aliás, ressaltando o aspecto totalmente livre de sua misericórdia é que Deus diz a Moisés, após o fatídico episódio do bezerro de ouro pelo qual os hebreus estiveram a um fio da destruição sob a ira divina: "Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti, e proclamarei o nome do Senhor diante de ti; e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer" (Ex 33.19). No Novo Testamento, Paulo deixa claro que aqueles do antigo concerto que buscavam a justificação por obras - como que querendo conquistá-la - não a alcançaram! Mas somente os que buscavam a justiça que vem pela fé (Rm 9.30-31). O profeta Isaías conclama os transgressores a virem beber e se alimentar no Senhor, sem precisar pagar por isso (Is 55.1). Palavras semelhantes às de Isaías sãos ditas pelo Espírito de Deus no livro do Apocalipse: "E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida" (Ap 22.17). Sim, é de graça, sempre foi!
CONDICIONAL SIM, CONQUISTADO NÃO
Portanto, concluímos que em ambos os concertos, o perdão é dado gratuitamente, nunca conquistado, mas sempre condicional ao arrependimento e a fé. Está resumido nos Provérbios de Salomão: "... o que confessa suas transgressões e deixa, alcançará misericórdia" (Pv 28.13). E uma vez dado, esse perdão é verdadeiro e completo, pois como orou o profeta Miquéias, "De novo terás compaixão de nós; pisarás as nossas maldades e atirarás todos os nossos pecados nas profundezas do mar" (Mq 7.19).
Finalizo com estas ótimas citações extraídas da Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD):
"A lei não foi dada como um meio de salvação para os perdidos. Ela foi destinada aos que já tinham um relacionamento de salvação com Deus (...) Os israelitas deviam obedecer à lei mediante a graça de Deus a fim de perseverarem na fé e cultuarem também por fé, ao Senhor (...) A salvação no AT jamais teve por base a perfeição mediante a guarda de todos os mandamentos. Inerente no relacionamento entre Deus e Israel, estava o sistema de sacrifícios, mediante os quais, o transgressor da lei obtinha o perdão, quando buscava a misericórdia de Deus, com sinceridade, arrependimento e fé, conforme a provisão divina expiatória mediante o sangue" (Bíblia de Estudo Pentecostal, estudo doutrinário A Lei no Antigo Testamento, p. 146).
Sola Gratia
Sola Fide
Solus Christus
_________
Tiago Rosas
Leiam na íntegra meu subsídio para esta Lição 9 no portal Gospel Prime:
https://artigos.gospelprime.com.br/contrastes-na-adoracao-da-antiga-e-nova-alianca/
FONTE: TIAGO ROSAS
Num subsídio didático da próxima Lição de Adultos, disponibilizado na revista de Professor (CPAD, Lição 9, p. 72), há um quadro comparativo entre o antigo concerto (ou antiga aliança/antigo testamento) estabelecido através de Moisés e o novo concerto estabelecido através de Cristo, extraído e adaptado da Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal. É um bom quadro comparativo não fosse por alguns detalhes dentre os quais destaco este: está dito lá que na antiga aliança o perdão era conquistado, ao passo que na nova aliança o perdão é dado gratuitamente. Honestamente, não creio nem vejo respaldo para esta distinção, e admiti-la é cair numa estranha forma de heresia pelagiana no Antigo Testamento, como se lá o perdão fosse dado por mérito. O que não é verdade. Perdão é sempre um ato da graça de Deus, graça esta manifesta parcialmente nos tempos antigos e em sua plenitude na pessoa de Jesus Cristo. Aliás, diga-se de passagem (e em virtude disso procedo esta correção), este é um erro muito comum no meio cristão: o de pensar que há duas formas de perdão ou salvação na Bíblia: uma pela Lei e outra pela Graça. Grande equívoco!
QUEM PODE CONQUISTAR O PERDÃO DE DEUS?
Aliás, quem poderia conquistar o perdão de Deus, se Ele não quisesse dá-lo por graça aos transgressores? Que fique claro: perdão e salvação sempre foram POR GRAÇA desde os dias de Adão! E condicional à fé, não ao mérito humano - fé é o despojar-se dos méritos para confiar somente em Deus. E lá também, desde os dias de Moisés, o perdão dado por Deus era verdadeiro e completo (o que o quadro comparativo de que falo acima parece sugerir que só ocorre na nova aliança). Nunca houve perdão falso, perdão simbólico ou perdão parcial. O sangue da expiação na antiga aliança - que prefigurava o sacrifício perfeito de Cristo (Ex 24.28; Mt 26.28) - era um cheque pré-datado pelo qual estava dada a garantia do perdão pleno aos que a Deus se achegassem confiantemente e reverentemente. De fato, os que cressem em Deus tinham suas dívidas quitadas e recebiam a luz que estava destinada para aquela aliança até que viesse a "luz do mundo" encarnada na pessoa de Jesus Cristo.
EXEMPLOS DE PERDÃO GRACIOSAMENTE DADO
Sob a antiga aliança, não foi confiando em seus méritos que Davi orou suplicando perdão a Deus pelos seus pecados, mas fiando-se tão somente na benevolência de Deus: "Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias" (Sl 51.1). E Davi ainda deixa claro que o perdão de Deus não pode ser conquistado com obras ou rituais litúrgicos, mas é dado ao que se quebranta diante do Senhor: "Pois não desejas sacrifícios, senão eu os daria; tu não te deleitas em holocaustos. Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus" (Sl 51.16,17). Quando admitiu sua culpa diante do profeta Natã, Davi imediatamente recebeu a boa nova: "Também o Senhor perdoou o teu pecado; não morrerás" (2Sm 2.13). A oração de Daniel, na Babilônia, também expressa o caráter gracioso do perdão de Deus mesmo no antigo concerto: "Inclina os teus ouvidos, ó Deus, e ouve; abre os teus olhos e vê a desolação da cidade que leva o teu nome. Não te fazemos pedidos por sermos justos, mas por causa da tua grande misericórdia. Senhor, ouve! Senhor, perdoa! Senhor, vê e age! Por amor de ti, meu Deus, não te demores, pois a tua cidade e o teu povo levam o teu nome" (Dn 9.18,19, NVI). Veja que Daniel deixa claro que seu pedido de perdão - "Senhor, perdoa!" - não está baseado em sua justiça, mas "por causa da tua grande misericórdia". Aliás, ressaltando o aspecto totalmente livre de sua misericórdia é que Deus diz a Moisés, após o fatídico episódio do bezerro de ouro pelo qual os hebreus estiveram a um fio da destruição sob a ira divina: "Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti, e proclamarei o nome do Senhor diante de ti; e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer" (Ex 33.19). No Novo Testamento, Paulo deixa claro que aqueles do antigo concerto que buscavam a justificação por obras - como que querendo conquistá-la - não a alcançaram! Mas somente os que buscavam a justiça que vem pela fé (Rm 9.30-31). O profeta Isaías conclama os transgressores a virem beber e se alimentar no Senhor, sem precisar pagar por isso (Is 55.1). Palavras semelhantes às de Isaías sãos ditas pelo Espírito de Deus no livro do Apocalipse: "E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida" (Ap 22.17). Sim, é de graça, sempre foi!
CONDICIONAL SIM, CONQUISTADO NÃO
Portanto, concluímos que em ambos os concertos, o perdão é dado gratuitamente, nunca conquistado, mas sempre condicional ao arrependimento e a fé. Está resumido nos Provérbios de Salomão: "... o que confessa suas transgressões e deixa, alcançará misericórdia" (Pv 28.13). E uma vez dado, esse perdão é verdadeiro e completo, pois como orou o profeta Miquéias, "De novo terás compaixão de nós; pisarás as nossas maldades e atirarás todos os nossos pecados nas profundezas do mar" (Mq 7.19).
Finalizo com estas ótimas citações extraídas da Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD):
"A lei não foi dada como um meio de salvação para os perdidos. Ela foi destinada aos que já tinham um relacionamento de salvação com Deus (...) Os israelitas deviam obedecer à lei mediante a graça de Deus a fim de perseverarem na fé e cultuarem também por fé, ao Senhor (...) A salvação no AT jamais teve por base a perfeição mediante a guarda de todos os mandamentos. Inerente no relacionamento entre Deus e Israel, estava o sistema de sacrifícios, mediante os quais, o transgressor da lei obtinha o perdão, quando buscava a misericórdia de Deus, com sinceridade, arrependimento e fé, conforme a provisão divina expiatória mediante o sangue" (Bíblia de Estudo Pentecostal, estudo doutrinário A Lei no Antigo Testamento, p. 146).
Sola Gratia
Sola Fide
Solus Christus
_________
Tiago Rosas
Leiam na íntegra meu subsídio para esta Lição 9 no portal Gospel Prime:
https://artigos.gospelprime.com.br/contrastes-na-adoracao-da-antiga-e-nova-alianca/
FONTE: TIAGO ROSAS
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