Três Falsos Argumentos de Edir Macedo em Defesa do Aborto: Pobreza

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Por Tiago Rosas

 

PARTE 1: O ARGUMENTO DA POBREZA (ARGUMENTO GENOCIDA)

Numa série de artigos sobre aborto publicados em seu blog, Edir Macedo, líder maior da igreja Universal do Reino de Deus, e que é favorável ao aborto em caso de mulheres pobres que não puderem e não quiserem sustentar seus filhos, levanta os seguintes questionamentos:

"Ora, vamos usar a nossa fé inteligente – é muito confortável para os que têm condições serem contra o aborto, mas e aqueles que passam fome, o que será deles com mais um filho para sustentar?" [1]

“O que pode sim acontecer [com a legalização do aborto] é uma expressiva diminuição dos índices de mortalidade feminina e do número de crianças pobres, desnutridas e vítimas de todo tipo de abuso por serem pobres e abandonadas” [2]

De antemão digo que aquilo que o bispo da Universal chama de "fé inteligente" eu chamo de "religiosidade demente". Achou duro o meu discurso? Duro é ver alguém perverter o conceito de FÉ e de INTELIGÊNCIA para respaldar o aborto de crianças pobres! Fé é justamente uma mãe que crê no invisível, e confia no Deus que lhe dará provisão para sustentar seu filho querido (Hb 11.1). Fé é crer que o Deus que alimenta as aves do céu também alimentará seus filhos, ainda que estes vivam em extrema pobreza (Mt 6.25,26). E inteligência é a família, o Estado e a Igreja abraçarem esta pobre mãe grávida e proverem para ela todos os cuidados psicológicos, médicos, financeiros e espirituais necessários para uma boa gestação e uma criação saudável de seu(s) filho(s).

Dito isto, é preciso corrigir este falso argumento emocional de que mulheres pobres são incapazes de criar seus filhos, ou que o aborto é uma saída para amenizar-lhes o sofrimento, pois uma mulher que aborta não se torna rica por isso, ela não ascende socialmente. Talvez ela até caia em miséria maior, acumulando à pobreza o tormento psicológico pela culpa de ter matado seu filho. Daí podem vir doenças em virtude do aborto provocado, depressão e até suicídio!

A criança é abortada, mas a pobreza não! E se esta mulher deve ser alvo de cuidados da família, da sociedade, da Igreja e do Estado, então os filhos que ela vier a ter devem também gozar destes mesmos cuidados. Mas se vamos matar o filho da mulher pobre porque ela não tem condições de sustentá-lo, matemos também a mulher pobre que não tem condições de se sustentar! Consegue conceber essa ideia genocida defendida por Edir Macedo?!

Agora, se Macedo estivesse mesmo preocupado com as grávidas pobres ou vítimas de abuso sexual, valendo-se do temor a Deus, do respeito à vida (que é sagrada!), e da compaixão pelos que sofrem, deveria ele com toda a fortuna de sua igreja e de suas empresas (como os canais de televisão Record e Record News), construir por todo país centros de assistência às mulheres gestantes, oferecendo gratuitamente para estas mulheres acompanhamento de pré-natais, assistência médica e psicológica, formação profissional e auxílio financeiro. Não seria um belo trabalho social, que reverteria a miséria de tantas mães gestantes pelo Brasil e lhes garantiria uma gestação decente e feliz ao invés da atrocidade do “feiticídio” (o assassinato dos fetos)?!

E julgo que para quem gastou quase 700 milhões de reais na construção do famoso templo de Salomão em São Paulo (restabelecendo elementos do culto judaico que Cristo já tinha feito caducar na cruz do Calvário!), tais obras sociais em favor das pobres mães gestantes não seriam em nada custosas. Mas se Macedo não quer assumir a conta, então que ao menos erga sua voz, unindo-se aos demais cristãos, para que o Estado, ao invés de legalizar o aborto, garanta a atenção e todos os cuidados necessários com estas mamães. Todavia, Macedo já declinou dessa possibilidade, afirmando que não levantará essa bandeira. Sal que não salga para quê serve senão para ser jogado fora? (Mt 5.13)

Para Macedo, é falta de compaixão com as mães pobres não permitir que elas, se quiserem, abortem seus filhos [3]. Eu direi a Macedo que falta de compaixão é matar 40 milhões de fetos por ano, jogá-los na lata do lixo como um pedaço de carne descartável, e abandonar as mães à culpa em suas consciências, quando não à doenças e depressão decorrentes do aborto provocado. Compaixão verdadeira é aquela que estende a mão para ajudar mães e filhos carentes, e não aquela que estende uma faca para matar filhos e deixar as mães na miséria e na culpa!

Se o argumento da pobreza como justificativa para o aborto for aceitável, então também deve ser aceitável uma limpeza social, pela qual milhares de pobres miseráveis que já nasceram e que vivem debaixo de pontes, nas ruas ou em favelas por todo Brasil sejam procurados, enfileirados e levados para o matadouro! Afinal, por que matar uma criança com 6 meses de gestação na barriga de sua mãe pobre é aceitável, mas não é aceitável matar as crianças de um ou dois anos de vida nos braços de suas também mães pobres? Por acaso a criança com um ano nos braços de sua mãe é mais humana que a criança com 6 meses ainda no ventre? Miserável não é a situação destas mães; miserável é a visão de vida sustentada pelos líderes religiosos que defendem o aborto como justificativa para a amenização da pobreza!

Genocídio é o que Edir Macedo propõe como solução ou amenização do sofrimento dos pobres! A Bíblia ordena cuidar dos pobres, e não matá-los! (Pv 31.20; Gl 2.20; Tg 1.27). A Bíblia proíbe fazermos acepção de pessoas (Tg 2.1), mas Macedo propõe tratarmos diferente as mães grávidas pobres, das mães grávidas ricas, e seus respectivos filhos.

Agora, o dono da Record - a Record do sucesso de audiência “Os Dez Mandamentos” - já deveria saber que entre aqueles Dez Mandamentos dados por Deus a Moisés, está um muito importante, que revela o valor da vida e o direito inalienável de Deus de apenas ele por termo à vida de alguém (especialmente quando este alguém é um ser inocente e indefeso, que não constitui nenhuma ameaça de vida para outros). É o quinto mandamento: “Não matarás!” (Ex 20.13). Será que Macedo já leu, estudou e examinou o peso e as implicações deste mandamento na questão do aborto? Ou apenas fez dos Dez Mandamentos um peça rentável (R$) de teledramaturgia?

Ademais, Jesus resumiu todos os mandamentos em apenas dois: Amar a Deus acima de todas as coisas e, o segundo, amar ao próximo como a si mesmo (Mc 12.30,31). Pergunto: o bebê na barriga de nossa mãe não é um ser humano? Não é nosso próximo? Sim, é. Então como podemos propor a morte para ele, quando Jesus nos manda amar? E mais: amar como a nós mesmos! Se Macedo propõe o aborto, eu proponho a Macedo que ele se suicide! Assim, ele demonstraria o mesmo amor pelo próximo que ele tem por ele mesmo! Mas não, não é isso que o Evangelho ensina, e eu de imediato me retrato pelo que propus. Prefiro que as crianças vivam e que Macedo também viva, e se arrependa de seus falsos e perniciosos ensinos!

Tiago Rosas

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[1] https://blogs.universal.org/bispomacedo/2009/03/14/aborto-2/
[2] https://blogs.universal.org/bispomacedo/2010/09/03/jesus-fala-sobre-o-aborto/
[3] https://blogs.universal.org/bispomacedo/2009/03/24/coloque-se-no-lugar-dela/

 

FONTE: TIAGO ROSAS

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