Dom de Línguas - Idioma ou confusão?

Tiago Rosas
Por Jack Hayford
As línguas usadas na linguagem espiritual são idiomas comuns ou simplesmente palavras confusas - tagarelice, como os zombadores se deliciam em chamá-las?
A resposta a essa pergunta deve ser tratada com mais humildade do que geralmente se faz, especialmente a luz do fato de que ninguém pode fazer uma análise baseado apenas em sua própria experiência. Com aproximadamente 6.000 idiomas falados neste planeta, tem sido postulado pelos linguistas especializados que não existe ninguém que tenha chegado a adquirir um conhecimento básico sequer de cem línguas. Quem, com integridade acadêmica, poderia afirmar que a linguagem ouvida de um orador "não era língua nenhuma", desde que o mais treinado observador continuaria tendo ainda mais de cinco mil línguas desconhecidas - e pode estar ouvindo qualquer uma delas dos lábios de quem fala em línguas? (...)
Quero sugerir que as línguas faladas por quem emprega a linguagem espiritual hoje, sob o poder capacitador do Espírito Santo, são todas línguas existentes. Estou a par de alguns casos de análise linguística conduzidos por peritos que examinaram fitas gravadas por pessoas que falavam em línguas, em que foram feitas observações como: "Não passa de algaravia", ou "Não contém as estruturas usuais da fala reconhecível". Mas a minha própria experiência e a de muitos outros pentecostais e carismáticos que encontrei é fortemente contrária a este julgamento laboratorial.
Jack Hayford, pastor pentecostal quadrangular
A beleza da linguagem espiritual, 1 ed., Editora Quadrangular, pp. 75,6
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Hayford concorda com outros teólogos pentecostais, como o exegeta Anthony D'Palma, para quem o dom de línguas, quando concedido pelo Espírito, trata-se sempre de idioma (humano ou celestial), e nunca de balbucios ininteligíveis, sons sem sentido. D'Palma disserta:
"Uma definição simples, porém adequada de idioma, é que este consiste em palavras, sua pronúncia e os métodos de combiná-las, usadas ao comunicar-se com alguém. Deveríamos restringir o significado de glossolalia como se incluísse somente idiomas humanos identificáveis? Ou é possível que 'laleo glossais' [falar em línguas] possa ser estendido para significar algum tipo de idioma 'espiritual'? O teor geral de 1 Coríntios 14 sugere a possibilidade de um idioma espiritual, ou celestial. Este modo de falar é dirigido a Deus, uma vez que ninguém o 'entende' (14.2). Alusões a esta ideia são também encontradas na frase 'línguas... dos anjos' (13.1). Deve-se permitir a possibilidade de glossolalia incluir um idioma não humano, porém espiritual, celestial, ou angelical. Será que isto poderia ser parte do significado de 'variedade de línguas [gene glosson]'? (12.10, 28)" (ARRINGTON & STRONSTAD. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento, 4° ed., CPAD, p. 1041).
Feitas as considerações acima, com as quais concordo, deve-se ressaltar, porém, que nem toda expressão em línguas no culto pentecostal ou carismático é sempre espiritual (procedente do Espírito Santo) e idiomática (uma linguagem real), pois é também verdade que a mente humana, movida por astúcia, engano e emoção pode simular ou dissimular. Há sim algaravia e confusão na boca de muitos crentes que não se deixam serem verdadeiramente conduzidos pelo Espírito Santo, mas por um sentimento de inveja, exibicionismo ou mero descontrole emocional! Todavia, as falsas línguas não negam as verdadeiras línguas, assim como falsos milagres não descredenciam os milagres autênticos, ou como os falsos deuses não negam a existência do verdadeiro Deus. Há línguas verdadeiras, espirituais e idiomáticas sendo faladas no mundo, por ação do Santo Espírito de Deus, e quando isso ocorre, temos, no dizer de Hayford, a "beleza da linguagem espiritual". Quando notados abusos, descontroles e falsificações, deve-se não proibir o falar em outras línguas (1Co 14.39), mas trazer o ensino sólido da Palavra e conclamar o povo a que busque com zelo - com zelo! - os preciosos dons do Espírito Santo (1Co 12.31; 14.1)
"Porque a um pelo Espírito... é dada a variedade de línguas" (1Co 12.10)
FONTE: TIAGO ROSAS
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