Livro "O Pentecostal Reformado": Ruptura Como Proposta
Por Pastor Alexandre Nery
O PENTECOSTAL REFORMADO: RUPTURA COMO PROPOSTA
Algumas observações sobre o livro, após uma leitura inspecional. Meus comentários concentram-se em como o autor entende o que é ser pentecostal. A obra de Walter McAlister, auxiliado por seu filho, John McAlister, tem pontos positivos: trata de um tema atual (pentecostais que tem abraçado a teologia reformada) e apresenta um quadro realista das fragilidades do pentecostalismo no Brasil, que passa por um inegável envelhecimento. Contudo, a meu ver, a proposta do livro tem alguns problemas. Cito os que julgo mais importantes.
Primeiro, redefine pentecostalismo como essencialmente uma espiritualidade; sua dialética não é entre as teologias pentecostal e reformada, mas entre a espiritualidade pentecostal e teologia reformada. Ao reduzir pentecostalismo a uma espiritualidade, descarta toda a produção teológica de alto nível produzida por pentecostais clássicos, que definem pentecostalismo essencialmente em termos teológicos. Talvez essa seja a razão da obra ter tão poucas referências bibliográficas de livros pentecostais de peso. Opção do autor.
Segundo, estrutura seu entendimento de batismo e plenitude do Espírito em autores reformados, como D. A. Carson, Sam Storms, John Stott e Wayne Grudem. Com isso, o autor não explora a teologia distinta e complementar de Lucas em relação a Paulo. Também nega a doutrina elementar da teologia pentecostal: o dom do Espírito como experiência carismática, distinta da conversão, com o propósito de capacitação para o serviço. Para mim, neste ponto, o autor rompe com o pentecostalismo. Não seria injustiça definir sua posição como continuísta, mas como não pentecostal. Aliás, Carson-Stott-Storms tem posições hermenêuticas e pneumatológicas opostas a Stronstad-Menzies-Keener. A ruptura não comporta mais o termo pentecostal, no meu entender.
Terceiro, a contribuição da espiritualidade pentecostal é quase nula. As supostas contribuições pentecostais poderiam ser realizadas com base em outras tradições, como os puritanos, os legados de Lloyd-Jones e Jonathan Edwards ou mesmo os autores contemporâneos continuístas citados.
Tenho profundo respeito por Walter McAlister, mas discordo de sua proposta. Para mim, existe uma teologia pentecostal, rica para tratar das fragilidades e deficiências do movimento pentecostal. Mas, para isso, é necessário assumirmos nossa herança por completo: teologia e espiritualidade.
Fonte: Alexandre Nery
O PENTECOSTAL REFORMADO: RUPTURA COMO PROPOSTA
Algumas observações sobre o livro, após uma leitura inspecional. Meus comentários concentram-se em como o autor entende o que é ser pentecostal. A obra de Walter McAlister, auxiliado por seu filho, John McAlister, tem pontos positivos: trata de um tema atual (pentecostais que tem abraçado a teologia reformada) e apresenta um quadro realista das fragilidades do pentecostalismo no Brasil, que passa por um inegável envelhecimento. Contudo, a meu ver, a proposta do livro tem alguns problemas. Cito os que julgo mais importantes.
Primeiro, redefine pentecostalismo como essencialmente uma espiritualidade; sua dialética não é entre as teologias pentecostal e reformada, mas entre a espiritualidade pentecostal e teologia reformada. Ao reduzir pentecostalismo a uma espiritualidade, descarta toda a produção teológica de alto nível produzida por pentecostais clássicos, que definem pentecostalismo essencialmente em termos teológicos. Talvez essa seja a razão da obra ter tão poucas referências bibliográficas de livros pentecostais de peso. Opção do autor.
Segundo, estrutura seu entendimento de batismo e plenitude do Espírito em autores reformados, como D. A. Carson, Sam Storms, John Stott e Wayne Grudem. Com isso, o autor não explora a teologia distinta e complementar de Lucas em relação a Paulo. Também nega a doutrina elementar da teologia pentecostal: o dom do Espírito como experiência carismática, distinta da conversão, com o propósito de capacitação para o serviço. Para mim, neste ponto, o autor rompe com o pentecostalismo. Não seria injustiça definir sua posição como continuísta, mas como não pentecostal. Aliás, Carson-Stott-Storms tem posições hermenêuticas e pneumatológicas opostas a Stronstad-Menzies-Keener. A ruptura não comporta mais o termo pentecostal, no meu entender.
Terceiro, a contribuição da espiritualidade pentecostal é quase nula. As supostas contribuições pentecostais poderiam ser realizadas com base em outras tradições, como os puritanos, os legados de Lloyd-Jones e Jonathan Edwards ou mesmo os autores contemporâneos continuístas citados.
Tenho profundo respeito por Walter McAlister, mas discordo de sua proposta. Para mim, existe uma teologia pentecostal, rica para tratar das fragilidades e deficiências do movimento pentecostal. Mas, para isso, é necessário assumirmos nossa herança por completo: teologia e espiritualidade.
Fonte: Alexandre Nery
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