Não Há Pentecostes sem Páscoa

Pr. Leandro Lima


Muitos têm perguntado em nossos dias a razão de não vermos tantos batismos no Espírito Santo em nossas igrejas como outrora.
Alguns alegam que a falta de fé é seu principal motivo, enquanto outros afirmam ser a ausência de uma vida de oração.
Certamente que esses elementos, a fé e a oração, são essenciais para o recebimento da promessa.
Os discípulos no cenáculo aguardaram em oração pelo revestimento de poder, crendo naquilo que Jesus prometera.
Não obstante à importância da oração e da fé para o recebimento da promessa, penso que não temos visto o seu cumprimento frequentemente entre nós por uma razão mais elementar: a negligência para com a mensagem da cruz.

A festa do Pentecostes (do grego pentēkostḗ: "quinquagésimo"), que originalmente era chamada de Festa da Colheita/Sega (no hebraico hag haqasir) e também Festa das Semanas (no hebraico hag xabu'ot), tem esse nome porque ocorria cinquenta dias após a celebração da Páscoa.

A celebração da páscoa fora instituída por ocasião da décima praga sobre o Egito, quando Deus enviou o anjo da morte para ceifar a vida de todos os primogênitos machos, tanto dos homens como dos animais.
Para não serem alcançados pelo anjo da morte, os israelitas precisavam aspergir o sangue do cordeiro pascal (que era comido durante a refeição) e passar nas duas ombreiras e na verga da porta de suas casas.
Dessa forma, o anjo da morte passaria por cima daquela casa, poupando aos primogênitos machos que ali residissem. Daí o termo Páscoa, do hebreu pésah, que significa “pular além da marca”, “passar por cima”, ou “poupar”.

A Páscoa é uma celebração de dimensões proféticas.
O cordeiro pascal é uma sombra de uma realidade muito maior: o sacrifício de Cristo na cruz do calvário.
Assim, como o povo de Israel recebeu escape do anjo da morte mediante o sangue do cordeiro pascal, nós recebemos escape da ira de Deus sobre o pecado mediante o sangue de Jesus vertido na cruz, do qual só podemos tomar posse mediante o arrependimento.

É exatamente isso que Pedro, após receber a promessa, expressa na sua pregação:

Orientou-lhes Pedro: “Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em o nome de Jesus Cristo para o perdão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo.
(Atos, 2.38).

Por tanto, para receber o dom do Espírito Santo, primeiro é necessário que haja arrependimento e somente a mensagem central do Evangelho, que é a morte de Cristo pelos nossos pecados, pode promovê-lo.

No caminho para o cenáculo há uma cruz, pois as línguas repartidas só repousam sobre corações partidos.

Precisamos trazer a cruz de volta para as nossas pregações.
Temos substituído a cruz por toda a sorte de embustes.
Auto-ajuda, emocionalismo, reteté, teologia da prosperidade, usos e costumes...nada disso pode promover a morte da vida carnal.
Diferente da celebração da Páscoa, nós não comemos o nosso Cordeiro: nós morremos com Ele.
Pois aqueles que quiser seguir ao Senhor deve negar a aí mesmo e também tomar a sua cruz.
E cruz, meu irmãos, é o lugar onde encontramos com a morte, pois somente aqueles que tem a sua natureza carnal mortificada podem receber a nova vida.

Fui crucificado juntamente com Cristo. E, desse modo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E essa nova vida que agora vivo no corpo, vivo-a exclusivamente pela fé no Filho de Deus, que me amou e se sacrificou por mim.
(Gálatas, 2.20)

Morremos a sua morte, para que possamos viver a Sua gloriosa e eterna vida!

Concluindo, é importante lembrar que a celebração da Páscoa ocorria no interior das casas, num lugar privado, enquanto que a Festa de Pentecostes ocorria do lado de fora, no campo.
Por tanto, a menos que os crentes ceiem com o Cordeiro no seu interior, que tenham comunhão íntima com Ele, jamais poderão, em seu exterior, ser revestidos de poder e celebrar o enchimento promovido pelo Espírito Santo – que não veio para glorificar a si mesmo, mas ao Filho, indicando assim que não devemos buscar o poder pelo poder, mas o poder para a glória daquEle que está assentado à destra de Deus.

Em Cristo, como temor e tremor,

Pr. Leandro Lima

Comentários

  1. muito interessante essas comparações entre fatos ocorridos na pascoa judaica e na festa de pentecoste, aonde ocorreu o cumprimento da promessa de CRISTO.
    ESTOU MARAVILHADO como a negligência à mensagem da cruz pode nos impedir de receber a promessa do derramamento do Espírito

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