Vida Crucificada

Pr. Leandro Lima


Se o teu olho direito te leva a pecar, arranca-o e lança-o fora de ti; pois te é mais proveitoso perder um dos teus membros do que todo o teu corpo ser lançado no inferno
E, se tua mão direita te fizer pecar, corta-a e atira-a para longe de ti; pois te é melhor que um dos teus membros se perca do que todo o teu corpo seja lançado no inferno.
(Mateus, 5.29-30)



Ainda que essas palavras ditas por Jesus possuam um sentido figurado – pois o Mestre não estava propondo a amputação de partes do corpo como solução para as tentações –, elas ainda são bastante radicais.

Há diversas coisas em nossa vida que são dignas, úteis e essenciais para o nosso bem estar, assim como braços e olhos.
Todavia, Jesus afirma que, se tais coisas constituem-se numa fonte de tropeços, de modo a comprometer nossa jornada para o céu, devemos romper imediatamente nossa relação com elas.

O que verdadeiramente importa é o céu, as coisas que são do alto, de sorte que tudo o mais pode ser descartável, mesmo que nos prive de elementos indispensáveis para uma vida saudável aqui.

Estar disposto a erguer o cutelo contra o nosso amado Isaque em Moriá é o que diversos irmãos no passado chamaram de vida crucificada.

Jesus disse aos seus talmidins que só podem segui-lo aqueles que negam a si mesmos, tomam a sua cruz e o acompanham ao lugar da caveira, onde, ao seu lado, serão crucificados.
Se não nos unirmos aqui e agora ao Mestre em Sua morte, jamais seremos Sua eterna morada.
O quanto da cruz de Cristo permitimos operar em nós é diretamente proporcional ao quanto da Sua vida abundante seremos capazes de testemunhar.

Vivemos dias nos quais essa mensagem escandaliza descrentes e (pasmem!) crentes.

Condicionamos nosso fervor espiritual às condições da vida presente, como se o efêmero pudesse provocar uma combustão que nos mova na direção do que eterno.

A verdade é que, semelhante ao povo de Israel no deserto, sentimos falta do tempero na escravidão, desprezando o maná na liberdade – que só é verdadeira quando nos tornamos escravos da vontade do nosso Criador.
A.W. Tozer escreveu: "(...)a parte de nós que resgatamos da cruz pode ser bem pequena, mas ela provavelmente será a base de nossos problemas espirituais e de nossa derrota".

É como se tentássemos restaurar ao nosso corpo um membro outrora amputado por amor a Cristo sem nos darmos conta de que seu estado de putrefação comprometerá seriamente, cedo ou tarde, todo o viver.

Precisamos ter o Senhor como o nosso bem supremo. Só assim caminharemos acima das nossas dores nesse mundo mau.

Ter Deus como a fonte de nosso deleite é que nos torna imunes ao abatimento de nossas almas, apesar de tantos desejos não realizados.

Sejamos nutridos pela esperança eterna de que um dia Ele nos suprirá plenamente, nos preenchendo por completo, e tudo de que nos privamos aqui nessa vida temporal será recompensado por uma glória infinitamente maior.

Em Cristo,

Pr. Leandro Lima.

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