Diálogos - Ediudson Fontes
Quem é Ediudson Fontes
Pastor assembleiano; pregador conferencista; Bacharel em Teologia pela Fateos. Convalidou o diploma pela Fatin. Pós-graduado em Ciência da Religião pela Faculdade Kennedy. Mestrado em Teologia Sistemática pela Fateos (Curso Livre). Professor de Teologia de várias disciplinas nas instituições: Ibaderj, Fatun/Faculdade Kennedy, Ensino Superior Sarça Ardente, Aprofundamento Bíblico Cefav e Ibadep. É palestrante nas áreas de Teologia Sistemática, Pentecostalismo, Arminianismo Clássico e Wesleyano. Autor dos livros Panorama da Teologia Arminiana e Reforma Protestante e Pentecostalismo - A conexão dos cinco Solas e a Teologia Pentecostal. Consultor Teológico do blog O Cristão Pentecostal. Casado com Caroline Fontes e pai do Calebe Fontes.

Abaixo, veja a entrevista dada pelo pastor Ediudson Fontes ao blog.
Blog OCP: Quando o senhor teve contato com a teologia Pentecostal?
Ediudson Fontes: Posso afirmar que passei conhecer a base da Teologia Pentecostal por meio da Escola Dominical, na Assembleia de Deus em Fazenda Botafogo. Naquela época eu era adolescente e novo convertido, tinha fome de Deus. Eu já estava iniciando a leitura da Bíblia toda. E, quando a irmã Neuza (esposa do saudoso Diácono Roberto, fazia parte do Círculo de Oração da Igreja e mãe da Valéria que foi uma das regentes do grupo jovens Jeová Nissi) me falou que me emprestaria as revistas da Escola Dominical passadas (da metade da década de 80 até aquele ano de 1996), eu aceitei na hora. Estudei todas aquelas revistas. Mas passei a me aprofundar em uma leitura acadêmica foi por meio da Teologia Sistemática organizada pelo Stanley Horton. Eu comprei esse livro na livraria na Assembleia de Deus na Penha (hoje é conhecida como ADVEC). Após o culto, fui à livraria e comprei o livro, no dia do meu aniversário no ano 2000. O livro ampliou a minha intelectualidade. Em 2001, entrei no curso teológico que só ajudou avançar mais.
Blog OCP: Em sua opinião, como está o Pentecostalismo brasileiro?
Ediudson Fontes: O Pentecostalismo Brasileiro trouxe contribuições importantes ao povo evangélico. Podemos citar alguns exemplos, como dar mais ênfase à Pessoa do Espírito Santo, valorizar os dons espirituais, buscar uma experiência profunda com Deus. No sentido teológico, tem muito a crescer. Tenho visto um crescente interesse no saber teológico no meio pentecostal. Dizer que os pentecostais não têm uma base teológica é um grande equívoco. E com isso, vem aquele "discurso" que os pentecostais têm que abraçar tudo que os eruditos calvinistas pensam. Os pentecostais têm a sua base teológica, têm as suas raízes. A geração do pr. Mestre Antônio Gilberto nos deixou uma base teológica. Cabe agora a essa geração desenvolver mais os fundamentos, com intelectualidade, seriedade, amor a Deus e a sua Igreja.
Blog OCP: Conte-nos sobre sua obra mais recente, Reforma Protestante e Pentecostalismo e nos diga: o que o motivou a escrever este livro?
Ediudson Fontes: Sempre gostei da história da Reforma Protestante e claro as cinco solas. Em 2016, o Pastor Luis Felipe Borduam me convidou para ser um dos palestrantes do Terceiro Encontro de Teologia Arminiana no ano seguinte. Nos dois eventos anteriores estive presente assistindo às palestras do Wellignton Mariano, Vinicius Couto, Thiago Titillo e Luis Felipe Borduam. Quando recebi o convite, me senti honrado não só pelo que o evento representa, mas também pelo tema, que era "Reforma Protestante e Pentecostalismo". Meses depois do evento (Calebe já tinha nascido), pastor Vinicius Couto me incentivou a escrever sobre o tema da palestra. Daí comecei trabalhar com o assunto no livro. Como gosto dos cinco solas e vi que esse assunto no meio pentecostal era falado de uma maneira simples, enquanto no calvinismo era muito falado, resolvi tratar de cada sola em um capítulo dentro da perspectiva Pentecostal.
No Brasil, esse tipo de trabalho é inédito. Deus seja louvado!
Blog OCP: Por que muitos que se dizem reformados atacam o movimento Pentecostal?
Ediudson Fontes: Por dois motivos: primeiro porque não creem no batismo no Espírito Santo com evidência de línguas como nós pentecostais cremos. Pelo fato de não terem experimentado, eles acusa-nos de hereges, crentes emocionais, sem instrução. Esse primeiro motivo rebato. Porque o fato de não experimentar algo sobrenatural não significa que essa experiência não é real. Jesus Cristo cura, sabemos disso porque a Bíblia afirma. Todavia, Ele não curando, deixou de ser Deus e não realiza mais os milagres? Claro que não! O fato de não experimentar as experiências que os pentecostais vivenciam não dá nenhum credenciamento a afirmar que os pentecostais forçam as suas experiencias e inventam as suas hermenêuticas. Nessas críticas não há nenhum fundamento. O resumo dessa crítica aos pentecostais seria "os incrédulos criticando os crentes pelo fato de acreditarem".
O segundo motivo, tenho que corroborar os seus críticos, há muito exageros nas igrejas pentecostais. Não estão preocupados com amadurecimento do povo. Só querem o "movimento" que alegra as pessoas. O famoso "es que eu te digo". Não é o Espírito Santo, é a própria pessoa usando o nome de Deus para manipular as pessoas.
Blog OCP: Os pentecostais entendem quão importante é a reforma Protestante?
Ediudson Fontes: Ainda são os poucos que reconhecem a importância da Reforma Protestante. Só pode aumentar o interesse ao assunto, se começar tratar dele nas igrejas. As consequência serão uma igreja interessada mais nos estudos bíblicos do que "mover do Espírto".
Blog OCP: O senhor pretende lançar mais uma edição de seu livro Pentecostalismo e Reforma Protestante?
Ediudson Fontes: Não pretendo lançar uma nova edição acerca do assunto. Não estou afirmando que o tema está esgotado. Mas, no momento, vejo que precisamos de trabalhar outros temas dentro da Teologia Pentecostal.
Blog OCP: Fale sobre seu novo trabalho.
Ediudson Fontes: O terceiro livro, que será lançado em breve, abordará a relação entre o arminianismo e o pentecostalismo. Embora esse assunto aos poucos esteja sendo tratado no meio pentecostal, o meu propósito é que essa obra possa contribuir, ser mais uma literatura para fortalecer o arminianismo na Teologia Pentecostal.
Blog OCP: Quando conheceu o Arminianismo? Quando passou a estudá-lo?
Ediudson Fontes: A Teologia Sistemática organizada pelo Stanley Horton foi primeiro livro em que eu li um pouco sobre arminianismo (o autor é arminiano). No meu bacharelado em Teologia, os três professores que tive falaram um pouco do arminianismo Foram eles: Pr. Manassés Brito (hoje jubilado), que sempre foi um crítico do calvinismo; Pr. e Dr. Ronald Rezende, sempre destacando que nós devíamos conhecer a nossa identidade; e o Pr. Jorge Videira, que aplicou duas provas na minha turma, a primeira foi baseada nos cinco pontos do arminianismo e a segunda dividiu a turma em dois grupos para fazer o debate sobre o Calvinismo e Arminianismo. Mas ainda faltava informações sobre o assunto. Passei a ter informações plenas do arminianismo na leitura do livro do Roger Olson com o titulo Teologia Armininana - Mitos e Realidades, que ganhei de presente da minha esposa, Caroline Fontes em 2013. Li este mais de 4 vezes. Depois disso, comecei a falar nas aulas, palestras e no meu primeiro livro Panorama da Teologia Arminiana.
Blog OCP: Como o pastor classifica o crescimento da literatura arminiana no Brasil?
Ediudson Fontes: O crescimento literário arminiano veio para ficar. Não é um modismo, que vem e com o tempo passa. Arminianismo, por meio das publicações literárias, tem conquistado o meio acadêmico teológico, como também nas igrejas. Já temos obras suficientes para o público (seja para iniciantes ou acadêmicos). É claro que não estou afirmando que não há mais necessidade de escrever sobre o arminianismo. Pelo contrário, quanto mais ter livros sobre o assunto, mais o arminianismo será valorizado. Todavia, não podemos ficar presos somente na soteriologia. Temos que partir para outros temas teológicos. A Teologia é uma ciência abrangente. Já foi publicadas obras relacionados outros temas teológicos. Quero aqui parabenizar o Dr Carlos Vailati (está trabalhando na área bíblica), e o pastor Vinicius Couto pela obra Cosmovisão Cristã. E creio que outros virão para somar com isso, incluindo eu.
Blog OCP: Como está o arminianismo no Brasil?
Ediudson Fontes: Embora o pelagianismo e o semipelagianismo ainda sejam fortes, tem crescido o interesse pelo arminianismo. Antes de 2013, não tínhamos ideia da essência do arminianismo. Hoje sabemos o que é o arminianismo. Mesmo que seja passos de tartaruga, ainda sim é positivo. Porque o interesse é crescente.
Blog OCP: A maioria das igrejas evangélicas é arminiana. Como fazer com que os membros delas conheçam o arminianismo?
Ediudson Fontes: É necessário que os líderes de suas igrejas juntamente com os professores de Escola Dominical, invistam de uma maneira pesada no ensinamento sólido teológico. Não só o arminianismo, mas todos os fundamentos da fé cristã. É claro que a soteriologia está incluída no assunto. O arminianismo seria apresentado. Realizar estudos bíblicos, palestras sobre Arminianismo na Igreja, já seria um ponta-pé inicial para que a igreja possa conhecer o arminianismo. É um trabalho de passo-a-passo, e com tempo, veríamos os resultados.
Blog OCP: Qual é a relação entre arminianismo e a vida cristã?
Ediudson Fontes: A relação entre arminianismo e a vida cristã é uma relação de casamento. A verdadeira Teologia envolve a teoria e a prática. A Teologia não pode ficar apenas no campo teórico e especulativo. A Teologia "não é uma ilha isolada ", como diria o teólogo argentino Alberto Roldan. A Teologia dialoga com as outras ciência, para oferecer uma mensagem sólida a igreja, e por sua vez demonstrem o testemunho de Cristo Jesus em suas vidas. Arminianismo tem tudo haver com a vida cristã. Jacó Armínio foi pastor em Amsterdã. John Wesley foi ministro da Igreja Anglicana. Ambos foram homens piedosos que se preocupavam com povo.
A motivação da evangelização é totalmente arminiana. Jesus Cristo morreu por todos, logo a pregação de é para todos. É por essa razão, afirmo que o arminianismo tem uma melhor proposta do que o calvinismo.
Blog OCP: O que pensa sobre esta linha de pensamento: não ser nem calvinista, nem arminiano?
Ediudson Fontes: Penso que os nossos irmãos que seguem essa linha, na verdade não querem se identificar utilizando nenhuma nomenclatura. Todavia, isso é impossível, porque a igreja aonde congregamos está inserido em uma tradição teológica. Eu abordei esse assunto meu primeiro livro. O fato de termos uma identificação teológica, não quer dizer que estamos colocando o pensamento teológico acima da Bíblia e do sacrifício de Jesus Cristo. A importância de conhecermos a nossa identidade nos levará uma melhor compreensão da igreja em que estamos inserido. O porque adota um tipo de sistema governamental e etc. Essa visão "romântica " desse conceito não ajuda em nada e nem acrescenta.
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