Saída de Jovens Pentecostais Para Igrejas Reformadas


SOBRE A SAÍDA DE JOVENS PENTECOSTAIS PARA IGREJAS REFORMADAS









Por Gutierres Fernandes Siqueira





Eu sei que o tema não é novo e eu mesmo já abordei esse ponto em outras ocasiões, mas nos últimos três anos venho conversando com bastante gente sobre esse fenômeno e compartilho aqui as minhas impressões:





  1. Embora o número seja crescente, há certo exagero na comemoração de alguns reformados sobre esse fenômeno. Segundo pesquisas recentes, os evangélicos já representam 30% da população brasileira (algo em torno de 62 milhões de pessoas). Quando você observa quais são as maiores igrejas reformadas dos centros urbanos, esse número está bem longe de alcançar a cifra de pelo menos um milhão.
  2. As igrejas pentecostais, de fato, estão perdendo bastante jovens, mas esses jovens não estão indo necessariamente para igrejas reformadas. A maioria, especialmente nos centros urbanos, está saindo de comunidades pentecostais clássicas para igrejas carismáticas ou neopentecostais. Recentemente, em São Paulo, a Hillsong Church da Austrália, que é uma Assembleia de Deus, montou uma congregação no bairro da Vila Olímpia e em pouco mais de um mês a igreja estava lotada com cinco cultos dominicais. O mesmo fenômeno tem acontecido com a Igreja Batista da Lagoinha, que segue o modelo Hillsong, e tem espalhado igrejas cheias de jovens em todo o país. Os pentecostais clássicos perdem mais jovens para os novos pentecostais do que para as igrejas reformadas.
  3. Alguns dos jovens pentecostais que buscam igrejas reformadas estão mais atraídos pelos modos e costumes do que pela teologia. Uma das qualidades das igrejas reformadas é a transparência com o dinheiro e com a sucessão pastoral, onde o nepotismo é bem baixo, e isso atrai uma geração mais focada na autenticidade. Embora haja os atraídos pela teologia, outros foram atraídos pelo “jeito de ser” da igreja.
  4. Outro ponto que vem sendo ignorado nessa discussão: os pentecostais não estão inertes. Embora muitas lideranças continuem indiferentes, há o surgimento de uma força teológica nunca antes vista no pentecostalismo brasileiro. Há uma tentativa de resgate da identidade doutrinária (pentecostal e arminiana) que vem se espalhando pelo país. Esse movimento vem sendo encabeçado por jovens adultos, especialmente na faixa dos 20 a 35 anos.




Concluo dizendo o seguinte: os pentecostais clássicos estão perdendo jovens, mas quem mais está ganhando com isso são as igrejas do modelo worship.





Fonte: Gutierres Fernandes Siqueira


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