Diálogos - Gutierres Fernandes Siqueira


Gutierres Fernandes Siqueira é graudado em Comunicação Social pela Faculdade Paulus (FAPCOM) e pós-graduado em Mercado Financeiro e de Capitais pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. É editor do blog Teologia Pentecostal e membro e professor de Escola Bíblica Dominical na Igreja Evangélica Assembleia de Deus - Ministério Belém em São Paulo (SP)





Gutierres Fernandes Siqueira




Abaixo, leia a entrevista de Gutierres Fernandes Siqueira.









Blog OCP: Quando você passou a ter interesse em Teologia?





Gutierres Siqueira: Desde a minha conversão em 2001, quando eu tinha entre 12 e 13 anos. A minha conversão aconteceu em uma reunião na noite de sábado e o meu primeiro culto como “crente” aconteceu no domingo pela manhã na Escola Dominical. Logo de cara gostei bastante da ideia de uma escola de Bíblia.









Blog OCP: Foi no mesmo período em que passou a se interessar pela Teologia Pentecostal? Como foi?





Gutierres Siqueira: O meu interesse pela teologia pentecostal floresceu logo em seguida, especialmente após estudos sobre os dons espirituais na Escola Dominical.  Sempre fui um leitor dos periódicos da CPAD. Na época existia uma revista chamada Resposta Fiel, assim como o Ensinador Cristão, Obreiro e o Mensageiro da Paz. Eu lia todos e amava os artigos sobre teologia do pentecostalismo. A minha paixão em teologia, de modo geral, também passava pela leitura de outras revistas, já extintas, que eram ótimas, tais como Enfoque Gospel e Eclésia.





Blog OCP: O que tem achado do Evangelicalismo brasileiro?





Gutierres Siqueira: A Igreja Brasileira, de modo geral, parece a Igreja de Corinto. Essa igreja: a) tolera pecados graves enquanto se comporta com legalismo em relação ao que não importa, b) está mergulhada no sectarismo e no partidarismo, c) tem inúmeras disputas de poder, d) exerce uma espiritualidade muito carismática, mas igualmente egoísta e desorganizada, etc. Mas, assim como o apóstolo Paulo, eu dou graças a Deus pela existência dessa igreja (1 Co 1.4) e ainda posso chamá-la de uma comunidade de santos (1 Co 1.2).





Blog OCP: Em sua opinião, os debates teológicos, de maneira geral, tem sido interessantes ou estão ultrapassados?





Gutierres Siqueira: Há bons debates, mas a maioria é ruim. Não que os temas sejam irrelevantes, mas a maior parte dos debates parece disputa futebolística. Há pouca disposição em ouvir e muita fome pelo falar. O sectarismo, que é a tendência de achar que o seu próprio grupo é o melhor de todos, atrapalha qualquer diálogo.





Blog OCP: O que pensa da atual relação entre os cristãos brasileiros e a política nacional?





Gutierres Siqueira: É a maior fraqueza do evangelicalismo brasileiro. Passamos de uma postura passiva, quando os crentes diziam que política era “coisa do diabo”, para uma atitude excessivamente ativista. Saímos de um extremo para outro. Conheço pastores que nunca escreveram uma simples mensagem bíblica em suas redes sociais, mas todos os dias postam alguma defesa do atual governo.





Blog OCP: Qual é a relação que o cristão tem de ter com a política?





Gutierres Siqueira: Deve ter uma postura profética. E, assim, me refiro aos profetas do Antigo Testamento. Eles eram capazes de apontar os pecados do povo, mas também dos governantes. Por exemplo, hoje os nossos “profetas” se dizem horrorizados com os pecados sexuais do povo, mas ao mesmo tempo toleram esse mesmo tipo pecado quando é exercido por um político “amigo dos evangélicos”. Esse tipo de hipocrisia e falta de coerência mata o nosso testemunho público. A Igreja deve ser a consciência crítica do Estado. Ela não deve ser o Estado e nem deve ser subjulgada pelo Estado.





Blog OCP: O que pensa do pentecostalismo brasileiro? Ele está mal se comparado ao Pentecostalismo americano e de outros países?





Gutierres Siqueira: O pentecostalismo brasileiro é um dos mais vigorosos do planeta, mas tem perdido força. Hoje já perdemos o posto da “maior igreja pentecostal do mundo” para outras nações, especialmente a Nigéria e a China. O nosso desafio é manter a força da evangelização pelo impulso do Espírito Santo, assim como consolidar a nossa teologia. Outro ponto de atenção é a eclesiologia de nossas igrejas, ainda muito marcada pela busca do poder, mas não o poder do Espírito, mas o poder do homem.  





Blog OCP: O Pentecostalismo recebe muitas críticas. Quais são as principais razões pelas quais o Pentecostalismo sofre tantos ataques?





Gutierres Siqueira: É uma mistura de coisas. Algumas críticas são justas, enquanto outras são totalmente injustas. Há ainda muito preconceito com os pentecostais, especialmente porque a maior parte dos pentecostais é de baixa renda. Mas também os nossos pregadores famosos não ajudam. Infelizmente, entre os pregadores de massa ainda há muitos que não valorizam a Palavra de verdade. Mas estou otimista. Conheço vários pregadores de massa que estão cada vez mais interessados numa boa teologia. Talvez o ataque mais injusto aos pentecostais é a afirmativa que não temos uma teologia sólida. Não só temos uma teologia robusta, como ela é hoje uma das maiores vigorosas na academia anglo-saxão.





Blog OCP: O Pentecostalismo é uma cosmovisão? Se não é, pode vir a ser?





Gutierres Siqueira: Não é e nem virá a ser. O pentecostalismo, enquanto doutrina, não abarca todas as áreas da vida. Por exemplo, não podemos falar em uma economia pentecostal ou mesmo numa antropologia pentecostal. O pentecostalismo é, acima de tudo, uma pneumatologia – e isso não é pouca coisa.





Blog OCP: Quais são as obras que recomenda àqueles que querem entender a teologia Pentecostal?





Gutierres Siqueira: Recomendo todos os livros sobre teologia pentecostal escritos pelo Robert P. Menzies, Antonio Gilberto, William Menzies, Stanley Horton, Roger Stronstad e Anthony D. Palma.





Blog OCP: Fale sobre seu livro Revestidos de Poder e a O Espírito e a Palavra





Gutierres Siqueira: O meu primeiro livro “Revestidos de Poder” (CPAD) visa apresentar um panorama da teologia pentecostal. É um livro introdutório ideal para entender o que é a teologia desse movimento. Já o livro “O Espírito e a Palavra” (CPAD) é mais denso e visa explicar como os pentecostais interpretam a Bíblia e como isso afeta outras áreas, especialmente a política e a ética.


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