Muito Mais que Soteriologia
Se vamos fragmentar a teologia de Armínio e dizer que as Assembleias de Deus são arminianas "apenas na Soteriologia", então vamos ser mais justos nessa fragmentação, pois nossa identificação com Armínio não se dá apenas no campo da doutrina da salvação, mas também em sua Teologia propriamente, em sua Cristologia, Pneumatologia (com poucas ressalvas, talvez), Angelologia, Antropologia, Hamartiologia, Soteriologia, e Eclesiologia (com ressalvas). Aliás, eu penso que arminianos fariam muito bem se se debruçassem mais sobre os escritos de Armínio nestas matérias (atentando também para a sua Ética, Apologética e Hermenêutica), e percebendo antes de tudo o grande legado de piedade cristã que aquele teólogo holandês nos deixou. Armínio, e os historiadores mais abalizados o confirmam, foi um teólogo apaixonado por Cristo e seriamente comprometido com a autoridade da Bíblia, zeloso pela doutrina e pela Igreja, homem de oração, de temperamento dócil e de um espírito tolerante para com os seus críticos e opositores (sem querer alfinetar ninguém, mas todos sabem como o temperamento do teólogo francês João Calvino era bem diferente; Calvino era "alta tensão"). Armínio certamente reprovaria essa contenda que perdura há quatro séculos, envolvendo seu nome, especialmente a chacota e execração que alguns arminianos fazem de outros arminianos ou de calvinistas, sob o falso pretexto de estarem defendendo a teologia arminiana¹.
Diga-se de passagem, não é de hoje que os especialistas na teologia de Armínio vêm dizendo que é preciso lê-lo para além da doutrina da salvação, porque de fato sua teologia é mais que soteriologia! E nenhum assembleiano (cujas raízes são inegavelmente arminianas) deveria se envergonhar de tê-lo como um referencial espiritual e teológico. Como está escrito: "Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver" (Hb 13.7).
Não querer identificar-se como "arminiano" é um direito de todo assembleiano (na verdade, ninguém precisa se submeter a nomenclatura alguma, embora seja muito natural esses usos; inevitável até), mas que ao menos lhe façam justiça sempre que citarem seu nome e sua teologia, pois torcer os escritos de Armínio, diminui-lo ou negar sua forte influência em nossa teologia não é direito de ninguém. "Contra FACTS não há argumentos!" - os mais treinados no assunto entenderão.
- Tiago Rosas
¹ palavras de Armínio, sobre as dissensões teológicas que já existiam em sua época e que dividiam os protestantes: "é meu desejo especial que (…) os dois grupos se abstenham de textos cheios de amargura, de sermões notáveis apenas pelas ofensas que contém, e da prática nada cristã de excomungar e execrar. Em lugar de tudo isso, que os adeptos das controvérsias substituam textos por escritos cheios de moderação (…). Que sejam pregados sermões calculados para estimular a mente das pessoas ao amor e ao estudo da verdade, caridade, misericórdia, tolerância e concórdia, que possam inflamar a mente, tanto dos governantes como do povo, com um desejo de concluir uma pacificação, e que eles possam estar dispostos a aplicar esse remédio que é, entre todos os outros, o mais adequado para remover as dissensões" (As Obras de Armínio, 1° ed., vol., 1 CPAD, p. 168). Este é um dos meus textos preferidos nos escritos de Armínio, que de quando em quando estou revisitando para medir minha "arminianidade" 😄
Fonte: Tiago Rosas
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