Sobre o Debate AD e Arminianismo
SOBRE O DEBATE AD E ARMINIANISMO
Na última semana surgiu um debate interessante sobre a identidade teológica das Assembleias de Deus e o arminianismo. A fim de contribuir com o debate, afirmo os seguintes pontos:
- A Assembleia de Deus no Brasil e nos Estados Unidos vem de origem batista. O evangelista batista William Durham (1873-1912) é o grande influenciador dessas duas denominações. Como batista Durham era defensor do congregacionalismo e da santificação progressiva (diferente do ensinamento wesleyano). Durham foi criado numa tradição reformada e difundiu o ensino da santificação em três estágios, tão comum nos manuais doutrinários das Assembleias de Deus. Durham também desassociou o Batismo no Espírito Santo da santificação, ou seja, o Batismo no Espírito é um revestimento de poder para a obra evangelística e não uma bênção santificadora (como era defendido pelos pioneiros William Seymour, Charles Parham e Florence L. Crawford, todos eles de origem wesleyana). É por isso que a AD sempre foi contra o batismo infantil, a ideia de sacramentos e o clericalismo.
- Na soteriologia, a origem da Assembleia de Deus é o arminianismo clássico, mas não wesleyano. No modelo de igreja essa denominação nasceu congregacional, mas infelizmente, a partir da década de 1950, e apenas no Brasil, mudou para um regime episcopal bem peculiar – com a influência da matriz católica na alma do brasileiro. Embora a figura do pastor-presidente seja a mesma do bispo, ele não detém o monopólio do púlpito, nem mesmo nos cultos dominicais, ou seja, é um "clericalismo aberto".
- A AD nunca se comportou como militante do arminianismo, mas a essência da doutrina assembleiana sempre foi arminiana. Sempre se ensinou a possibilidade real de apostasia, a expiação ilimitada, a depravação total e a eleição condicional (ou coletiva).
- Embora a teologia batista dos assembleianos os leve a rejeitar formalmente a ideia de sacramentos, na prática, porém, os assembleianos são sacramentalistas. Exemplo disso é a forma como a Ceia é celebrada. A Ceia normalmente é o culto mais concorrido e ainda é chamado de “Santa Ceia”.
- Em suma, somos uma mistura muito louca, impensável até, uma igreja bem brasileira.
Fonte: Gutierres Fernandes Siqueira
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