Diálogos - Vinicius Couto
Sobre o entrevistado
Vinicius Couto é Ministro ordenado da Igreja do Nazareno. Doutorando em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo e pesquisador do grupo de pesquisa RIMAGO. Mestre em teologia pela Faculdade Batista do Paraná, graduado em teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil e em administração de empresas pela Universidade Castelo Branco. Atua como Editor da Revista Bona Conscientia (periódico especializado em teologia arminiana e/ou wesleyana), membro fundador do NEW (Núcleo de Estudos Wesleyanos), professor de cursos de graduação e pós-graduação pelo Seminário Teológico Nazareno do Brasil e em outras instituições, tradutor de diversas obras de teologia arminiana e wesleyana e autor dos livros “Introdução à Teologia Armínio-wesleyana,” “Culto cristão: origens, desenvolvimento e desafios contemporâneos,” “Em favor do arminianismo-wesleyano: um estudo bíblico, teológico e exegético de sua relevância na contemporaneidade”, “Igreja Reformada Sempre Sendo Reformada: a fidelidade aos princípios da Reforma e sua atualidade nas teologias arminianas clássica e wesleyana”, “Fé x Obras: ortodoxia e ortopraxia na teologia de John Wesley” e "Cosmovisão cristã: reflexões éticas contemporâneas a partir da teologia armínio-wesleyana", além de outras obras. Sua tese de doutorado é sobre a teologia de Jacó Armínio e sua dissertação de mestrado foi sobre a teologia de John Wesley.

Blog OCP: Como está o arminianismo no Brasil?
Vinícius Couto: A teologia arminiana no Brasil está avançando. Para informações relevantes desse histórico sugiro o artigo do meu amigo Wellington Mariano, “Arminianismo no Brasil: Uma introdução histórica”. Nesse texto, ele trouxe informações que demarcaram a redescoberta deste pensamento teológico e os vários eventos que foram realizados pelo Brasil que tiveram o intuito de discutir o tema. O principal marco, sem dúvida, foi o início de uma série de publicações estrangeiras desde 2013, cujo start up se deu com a obra “Teologia Arminiana: mitos e realidades”, do Dr. Roger Olson. Depois de uma leva de livros internacionais, vários autores nacionais também começaram a publicar sobre o tema. Em 2014 tive o privilégio de ter sido o primeiro brasileiro a publicar “Introdução à teologia armínio-wesleyana” e de ter presenciado várias obras nacionais em sequência. Desde 2015 tenho proposto uma visão mais abrangente do pensamento arminiano. O desdobramento wesleyano facilita isso, pois tanto a teologia de Wesley (perfeição cristã, restauração da imagem de Deus) quanto sua práxis pastoral (engajamento com as questões sociais – preocupação com os pobres, abolicionismo, justiça social, teologia pública, saúde, trabalho, direitos prisionais etc) são elementos reflexivos que ajudam na holisticidade de nossa soteriologia, isso porque para Wesley, a antropologia do ser humano não regenerado é pessimista, mas sua soteriologia é otimista, isto é, transformacional. Por isso, em 2015 publiquei e apresentei um tema sobre ecoteologia. Em 2016, no livro “Em favor do arminianismo-wesleyano”, além de abordar os axiomas desta teologia de maneira exegética, apresentei sua relevância na contempoeaneidade, discutindo a TAW (Teologia Armínio-Wesleyana) e a pós-modernidade / modernidade líquida, afinal, como uma teologia moderna (século XVI) poderia responder a questões pós-modernas (século XXI)? Uma das respostas para essa pergunta estão no texto “O cristão como agente de transformação da cultura”, onde explico, com base nas contribuições de Richard Niebuhr, que a TAW não adere às perspectivas que alguns cristãos tiveram ao longo de sua história, a saber: acima da cultura (uma visão de superioridade e que quer sobrepujar a cultura), contra a cultura (ideia alienadora de que tudo o que vem da cultura é depravado e não pode ser aproveitado), da cultura (perspectiva de que nada da cultura é ruim, mas que tudo pode ser sacralizado) e da cultura em paradoxo (ideia que cria uma dicotomia entre santo e profano). A TAW se adequa à perspectiva de transformação da cultura, isto é, de que há elementos culturais que devem ser explicitamente rejeitados, outros que podem ser recebidos e outros que podem ser redimidos (transformados). Esse ponto de vista foi melhor explicitado no meu livro “Fé x obras: ortodoxia e ortopraxia na teologia de John Wesley”, publicado em 2018. Wesley não criava uma dicotomia entre as duas coisas, mas entendia que ambas estavam diretamente interligadas. Por isso, a verdadeira fé (ortodoxia) precisa ser produtiva e gerar boas obras (ortopraxia), senão, não passará de uma fé morta ou de um sal insípido. A correta interligação entre ortodoxia e ortopraxia faz com que tenhamos os relacionamentos espiritual (com Deus), intrapessoal (consigo mesmo), interpessoal (com o próximo) e ecológico (com a criação) ajustados para a glória de Deus e nos insere como ministros da reconciliação (cf. 2 Co 5.18), participando do plano de redenção divino. Mas não paramos por aí: em 2017 iniciei um projeto a fim de continuar com a resposta prática sobre como uma teologia moderna pode ser relevante numa era pós-moderna. Como nesse ano comemoramos os 500 anos de Reforma Protestante, tive a iniciativa de organizar um livro demonstrando a fidelidade de Armínio e de Wesley aos princípios da reforma (os 5 solas) e contei com um excelente time para essa empreitada: eu escrevi sobre o sola Scriptura, Thiago Titillo sobre o sola Gratia, Carlos Augusto Vailatti sobre o sola fide, Marlon Marques sobre o solus Cristus e Wellington Mariano sobre o soli Deo gloria. Esse livro é um marco. Não há, em inglês ou espanhol (e acredito que em nenhum outro idioma) outro livro que faça esse link. Mas não é só isso. Neste livro, “Igreja reformada sempre sendo reformada”, escrevi ainda outro capítulo propondo a construção de uma cosmovisão cristã a partir da TAW. Essa afirmação de que a TAW é uma cosmovisão já havia sido feita no “Em favor do arminianismo-wesleyano”, mas minha ideia era que fizéssemos isso de maneira bem orientada pelas Escrituras e sem cometer anacronismos. Por isso, levamos em conta 5 perguntas contextuais elaboradas por Richard Middleton, Brian Walsh e N. T. Wright: 1) Quem somos? 2) Onde estamos? 3) Que horas são? 4) Quais são os problemas? e 5) Quais são as soluções? A primeira pergunta é importante para levarmos em conta nossa identidade teológica, nosso contexto na tradição cristã e, sobretudo, nosso compromisso com as Escrituras; a segunda pergunta nos ajuda a pensar em nosso contexto brasileiro e latino americano, diferentemente de Armínio e Wesley que viveram, respectivamente, na Holanda e na Inglaterra, num contexto europeu; entretanto, não é apenas o diferencial geográfico que afeta a cultura. O tempo também mexe com isso: Armínio viveu no auge do renascentismo, num período de ortodoxia protestante, lidando com polêmicas teológicas e de valorização por credos e confissões. Wesley, por sua vez, viveu no auge do Iluminismo, lidando com o otimismo social e com a tendência racionalista e humanista de seu tempo. Nós, entretanto, estamos numa lacuna cronológica de quatro séculos destes dois expoentes, numa era pós-moderna e precisamos levar em conta que muitos problemas atuais não era objeto de discussão do tempo deles. Por isso, para responder às perguntas 4 e 5, precisamos de todo esse pano de fundo anterior. Armínio e Wesley não tiveram que lidar com as discussões de Identidade de gênero, por exemplo. Essa é uma questão contemporânea. Deste modo, como um cristão que professa a TAW lidaria atualmente com a questão da sexualidade? O capítulo “Ecclesia reformata semper reformada est” do livro tratou sobre isso, propondo a construção de uma cosmovisão cristã. Assim, neste ano, 2019, acabei de publicar o livro “Cosmovisão cristã: reflexões éticas contemporâneas a partir da teologia armínio-wesleyana”, que visa colocar a discussão anterior em prática. Convidei diversos amigos arminianos de várias denominações (Igreja do Nazareno, Igreja Metodista Livre, Exército da Salvação, Assembleia de Deus, Igreja Batista Livre, Igreja Batista – CBB e Vale da Bênção) a fim de discutirmos temas (problemas e soluções) da atualidade, como sexualidade, educação, meio ambiente, aborto, tolerância religiosa, justiça social, política, economia, cultura etc. Passei por todas essas informações para demonstrar que a teologia arminiana, atualmente, tem avançado. Temos muitas obras sobre os axiomas da teologia arminiana, mas não ficamos estagnados. Estamos discutindo a interface da TAW com a realidade, pois uma teologia que fica apenas na abstração não tem relevância, não tem utilidade, é apenas intelectualismo, idealismo filosófico.
Blog OCP: Como classificar o crescimento da literatura arminiana no Brasil?
Vinícius Couto: No segundo semestre de 2017 tive a oportunidade de coordenar uma especialização em TAW pelo Seminário Teológico Nazareno do Brasil. O resultado foi muito bom! O corpo docente foi de alto nível e o conteúdo, bem como a metodologia, em nível acadêmico. Selecionamos os melhores TCCs e publicamos num livro intitulado “Soberania divina e responsabilidade humana: ensaios sobre a teologia armínio-wesleyana”. Num dos capítulos desse livro escrevi sobre “O futuro do arminianismo no Brasil”. Não se trata de previsões ou de “profecias”, mas de uma análise do cenário atual e de uma proposta de amplificação da TAW. Demonstrei nesse texto que temos muitos livros sobre os axiomas do arminianismo, mas ainda nos falta uma boa Teologia Sistemática. Citei algumas que temos em português, mas apontei que é preciso termos alguma mais atual e mais robusta. Também demonstrei que precisamos explorar melhor os outros eixos da teologia (histórica, bíblica e prática). Desde 2016 eu já vinha alertando sobre a saturação de livros que abordem os axiomas do pensamento arminiano. Estamos num bom momento. Saímos de um período em que literatura arminiana era praticamente inexistente e estamos num momento de consolidação desta teologia. A boa notícia é que não estamos estagnados. A má notícia é que ainda temos poucos pesquisadores e escritores. Vale lembrar que o ramo “literatura” não conta apenas com livros, mas também com revistas. No segundo semestre de 2018 publicamos o primeiro volume da Revista Bona Conscientia, um periódico acadêmico especializado em TAW. Em breve sairá o próximo volume da revista.
Blog OCP: Se 90% das igrejas evangélicas são de confissão arminiana, como fazer com que os membros delas conheçam mais o arminianismo?
Vinícius Couto: Não sei se eu seria tão otimista em dizer que 90% das denominações evangélicas são arminianas (risos). Isso porque ainda há muito desconhecimento do arminianismo e, na prática, muitas denominações são mais semi-pelagianas. Contudo, algumas formas de solidificar a doutrina arminiana nas denominações confessionais, são: 1) pregar temas ligados à soteriologia arminiana nos cultos (e.g. graça preveniente e resistível, expiação ilimitada, depravação total, pecado original, soberania divina, predestinação teleológica, eleição e reprovação, perseverança dos santos etc); 2) desenvolver os temas da TAW periodicamente nas escolas dominicais, pequenos grupos e reuniões de ensino; 3) organizar congressos, simpósios, encontros que discutam o tema; 4) estimular os membros das igrejas a lerem os livros que discutem o assunto. Há muitas obras em linguagem simples e que podem ajudar na informação da TAW.
Blog OCP: Qual é a relação entre arminianismo e a vida cristã?
Vinícius Couto: Acredito que a longa resposta à primeira pergunta trate dessa mesma questão (risos).
Blog OCP: O que pensam sobre esta linha de pensamento: não ser nem calvinista, nem arminiano?
Vinícius Couto: Bem, tive um artigo sobre esse tema publicado na revista Enfoque Teológico: “Não sou arminiano e nem calvinista, sou bíblico”. Esse texto pode ser lido aqui. Não acredito que seja preciso que criar essa bipolaridade. Existem outras opções soteriológicas legítimas. Entretanto, explico no artigo que esse moto é um tipo de falácia lógica, pois muitos que não querem se definir soteriologicamente, definem-se em outras doutrinas (e.g. dispensacionalistas, trinitários, pentecostais etc). Outra questão envolvida nesse preconceito com o arminianismo é o fato de que alguns alegam não serem seguidores de “homens”. Contudo, todos os rótulos que usamos tiveram alguma participação humana no seu desenvolvimento e classificação. O pentecostalismo de primeira onda das Assembleias de Deus, por exemplo, é oriundo de William Durham; o dispensacionalismo dos nossos irmãos assembleianos e de muitos pentecostais e batistas é fruto das reflexões de John Nelson Darby; o termo “Trindade” foi cunhado pelo pai da igreja Tertuliano... Poderíamos citar muitos outros exemplos. Por isso, aqueles que dizem não ser nem uma coisa e nem outra não seguem o mesmo critério para outros posicionamentos teológicos. Também não acredito que deva haver uma inimizade ou atitude facciosa entre arminianos e calvinistas. Não somos adversários. Somos irmãos em Cristo! Juntos, podemos fazer muito mais em prol do Reino de Deus. Ativismo e militância é algo ruim e que está presente em ambos os sistemas teológicos. Contudo, a oração de Jesus para que sejamos um continua ecoando em nossos dias.
Blog OCP: Você acha que o debate entre arminianos e calvinistas é intenso? O que fazer para evitar situações que não beneficiarão o evangelho?
Vinícius Couto: Sim. Penso que ainda tem intensidade. Podemos constatar isso pelas querelas de redes sociais, pela falta de respeito de ambas as partes e por animosidades explícitas. Como a segunda parte da pergunta pressupõe, realmente essas situações não beneficiam em nada o evangelho e sua proclamação. Servem apenas para manter o corpo de Cristo fragmentado e, em muitos casos, para servir de mau testemunho aos incrédulos e aos neófitos. Mas, isso quer dizer que não podemos debater? Não! Debates são saudáveis. Inclusive, de acordo com a pirâmide de Glasser (que fala sobre o percentual de absorção de conhecimento), a retenção cognitiva por esse meio é alta. Por isso, acredito que podemos debater com seriedade, respeito, irenismo e dialogia. Muita gente já vem armada, com a cabeça pressuposicionalista, ardilosa, contenciosa, militante e prosélita. Conselhos como o de Wesley são super bem-vindos, mesmo tendo eles sendo ditos há quase três séculos. Em uma meditação chamada O que é um Arminiano?, Wesley disse que “é dever de todo pregador arminiano, primeiro: jamais, nem em público, nem em particular, usar a palavra calvinista em deboche”, pois “tal prática não é compatível com o cristianismo e nem com o bom critério de bons modos”. Essas práticas de deboche e zombaria são muito recorrentes e de ambos os lados. Mas, podemos mudar essa situação com o mínimo de respeito. Noutra ocasião, em seu sermão O Caráter de um Metodista, Wesley deixou claro que a norma de um metodista (entenda-se aqui os integrantes do movimento, não da denominação, que nem mesmo existia) não estava em distinguir cristãos de cristãos, mas em distinguir-se cristãos de não conversos: “É teu coração reto como o meu? Não te pergunto mais. Se for assim, dá-me a mão. Por opiniões ou termos, esforcemo-nos juntos pela fé do evangelho”.
Blog OCP: Quais obras, tanto as suas quanto as de outros autores, o senhor recomenda para os que querem conhecer a teologia arminiana?
Vinícius Couto: O ideal é ler Armínio em fonte primária, ou seja, o que ele mesmo escreveu. Lembro-me que meus pés resvalaram o calvinismo há uns 15 anos, pois eu não tinha acesso às obras de Armínio e os pregadores e palestrantes calvinistas eram muito convincentes em suas argumentações. A questão é que, depois de ter acesso às obras de Armínio, em inglês, vi que havia muita desonestidade intelectual por parte daquelas pessoas. Pude constatar que Armínio não pensava como muitos deles acusavam errônea e equivocadamente. No entanto, obras que podem ajudar o estudante dessa teologia, são (sem ordem de preferência):
Carl Bangs. Armínio: um estudo da reforma Holandesa;
Thomas McCall e Keith Stanglin. Jacó Armínio: teólogo da graça;
A coleção da editora Reflexão (O que é teologia arminiana; Pelagianismo e semipelagianismo; Depravação total; Eleição condicional; Expiação ilimitada; Graça resistível; e Segurança da salvação);
Vinicius Couto. Em favor do arminianismo-wesleyano;
John Wagner e Clark Pinnock. Graça para todos;
Vinicius Couto (Org.). Igreja Reformada Sempre Sendo Reformada.
Claro que a lista é longa, mas aí temos textos que acredito serem os básicos para começar os estudos. Os livros se encarregam de apresentar outras bibliografias mais robustas. Como o site “arminianismo.com” saiu do ar, sugiro o site “deusamouomundo.com”, que tem muitos artigos de qualidade e que são confiáveis. Sugiro também o canal do youtube “Teologia arminiana em vídeos”, que pode ser acessado em “https://www.youtube.com/channel/UCZ6ufiSbGQikbG2ca8PwoYQ”.
Blog OCP: O que o senhor pode falar sobre o movimento Pentecostal?
Vinícius Couto: Tenho um grande carinho pelo movimento pentecostal. Minhas lembranças mais remotas do evangelho são de minha avó paterna me levando a uma pequena comunidade da Assembleia de Deus quando eu tinha aproximadamente 5 anos de idade. Nessa época eu morava no Rio de Janeiro. Eu gostava do ambiente e tentava acompanhar os corinhos e hinos da harpa. Minha conversão se deu na minha juventude, por volta dos 17 anos, quando eu comecei minha caminhada cristã numa Assembleia de Deus, em Minas Gerais, numa cidade do interior, Barroso, onde morei boa parte de minha vida. Cheguei a ser pastor auxiliar nessa AD e só saí de lá por convicções ministeriais na área de educação. Todas as convicções que tive aconteceram e meu desligamento foi super amigável. Meu pastor orou comigo por um mês, antes da minha decisão final e toda a igreja respeitou bastante. Ele pregou na igreja (que já era do Nazareno) que pastoreei em MG e várias vezes eu retornei à mesma AD para pregar e dar estudos. Tenho um imenso carinho por aquele povo. As melhores experiências de vida cristã do meu subconsciente estão lá, onde vivi o meu primeiro amor.
Além desse carinho, entendo que o pentecostalismo é a cara do Brasil. É um movimento sério, que tem crescido qualitativamente há algumas décadas. Com qualitativo, quero dizer sobre a preocupação acadêmica, teológica e confessional. Existem abusos, desvios doutrinários por aí, mas não podemos pegar esses casos isolados (que são mais caracteristicamente neopentecostais) e trata-los de maneira generalizada. Aliás, se pensarmos em abusos e desvios, isso pode ser encontrado em qualquer tradição e/ou denominação. A tradição armínio-wesleyana, bem como a minha denominação não estão isentos disso. Nem os tradicionais e calvinistas estão isentos. Eles também possuem situações complicadíssimas. Isso não quer dizer que eu concorde com toda a teologia pentecostal. No entanto, são discordâncias em pontos secundários, que não impedem a unidade do corpo de Cristo.
Blog OCP: Quais são as obras que o senhor recomenda para os que desejam conhecer a teologia Wesleyana?
Vinícius Couto: Seguindo o mesmo raciocínio anterior, o ideal seria que lêssemos as fontes primárias, mas ainda não temos o privilégio de ter todos os escritos de Wesley traduzidos para o português. Temos a maioria dos sermões dele e a obra “Uma explicação clara da perfeição cristã”, além de seu diário. A ótima notícia é que, pela primeira vez, teremos suas notas explicativas do AT e do NT completas em português. Agora em Maio, a SBB vai publicar a Bíblia de Estudos John Wesley, da qual tive a honra e o privilégio de colaborar com alguns verbetes, traduções e revisões. No entanto, algumas obras importantes para compreendermos a teologia wesleyana são indicadas:
Obras introdutórias:
Richard P. Heitzenrater. Wesley e o povo chamado metodista;
Vinicius Couto. Fé x obras: ortodoxia e ortopraxia na teologia de John Wesley;
Marlon Marques. Salvação integral: Salvação Pessoal e Social na Teologia de John Wesley;
Vinicius Couto. Quadrilátero Wesleyano como método teológico e hermenêutico: revisitação, adaptação e renovação.
Obras mais completas sobre Wesley:
Kenneth J. Collins. A teologia de John Wesley;
Helmut Renders. Andar como Cristo andou: a salvação social em John Wesley;
Randy Maddox. Graça responsável.
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