Entrevista - Alisson Magalhães


Alisson Magalhães,





pastor da Igreja do Nazareno em Otacilio Costa, teólogo, jornalista e publicitário, atualmente secretário de administração e comunicação na prefeitura de Palmeira/SC. Editor do blog Projeto Raízes, co-autor do livro Cosmovisão Cristã e autor do livro Cristianismo 4.0: impactos das novas tecnologias na comunicação cristã, que ainda será publicado.





Rev. Alisson Magalhães e sua esposa, Elaine Magalhães.




Blog OCP: Reverendo, qual é a sua opinião sobre a imprensa brasileira e a do resto do mundo?





Rev. Alisson Magalhães: Temos, no geral, uma imprensa de qualidade. O problema é que o brasileiro ainda não entendeu, na realidade, o que é democracia. Vivemos e percebemos a democracia a partir de um ponto de vista debilitado. No geral, achamos que democracia é quando nossos valores pessoais são valorizados em detrimento de outros, o que não é verdade. Democracia é onde todos os valores, independente do que gostamos, são ouvidos e tem vez no cenário geral. Neste sentido, a imprensa deve ser vista como fundamental para que estes valores sejam ouvidos. A imprensa é conhecida como o quarto poder, por exercer maciça influência sobre a opinião pública, através do que ela publica e, principalmente, como ela publica. Jornalismo é publicar o que as pessoas não querem que seja publicado. Esse é o ponto que pouca gente entende. Outra coisa que deve se ressaltar é que a dinâmica das relações entre imprensa e os órgãos que ela cobre nunca vai ser totalmente isenta de interesses. Isso não é uma questão do Brasil, é a forma como a situação acontece em todos os lugares. Logo, se você, sendo uma pessoa pública, não cuida em manter uma boa relação com a imprensa, não espere que ela te ajude publicando voluntariamente coisas boas sobre você ou suas ações. Isso pode até soar, para alguns, como patifaria, mas faz parte do jogo. Essa é a realidade. É como todo e qualquer relacionamento. Se eu trato você bem, você vai me tratar bem por uma questão de decoro. Se eu trato você mal, você até pode me tratar bem por questão de educação, mas ninguém vai acusar você de mal-educado se você me tratar da mesma forma. Dito isto, o trabalho da imprensa é apurar e informar as pessoas sobre a realidade. Outra coisa que as pessoas não entendem é que a realidade nunca vai caber dentro da notícia. Notícias são fragmentos da realidade, e sempre vão ser. Sempre que a imprensa publica algo, ela está publicando um fragmento. Lógico que, este fragmento que ela publica, pode ter a intenção de manipular quem vai ler a matéria ou não, e isso é uma outra história. O fato é que as pessoas, ao lerem uma notícia, precisam ter essa consciência, de que aquilo é apenas um fragmento de um quadro maior. Algumas vezes, o quadro maior vai confirmar aquela impressão, outras vezes não. Podemos dizer que temos uma imprensa de qualidade, e que o país vive momentos de ajustes neste relacionamento da imprensa com outros poderes. As novas tecnologias estão impactando bastante essas relações e ainda há certa animosidade nisso.





Blog OCP: O nosso país ainda forma bons jornalistas?





Rev. Alisson Magalhães: Creio que sim. Como falei acima, as pessoas confundem muito o papel do jornalista. Sempre que escrevemos (me incluo porque sou jornalista), o que relatamos sempre será um fragmento da realidade que chegou até nós através de alguma fonte. Lógico que a ética jornalística exige que aquele fragmento seja apurado e verificado a fim de que possamos ter certeza de que não se trata de mentiras, mas volto a dizer, é primordial o relacionamento de quem está sendo coberto com quem está cobrindo uma história, a fim de que essa análise possa ser realizada.





Blog OCP: O reverendo falou "fragmentos da realidade". Isso não explica a confusão que fazem com fake news, isto é, não entender o que é notícia?





Rev. Alisson Magalhães: Isso faz confusão com o que são ou não fake news. Uma notícia falsa, por definição, é algo totalmente mentiroso. Não podemos definir fake news como notícias que não retratam a realidade, pois neste caso todas as notícias seriam fake. Como eu falei, as notícias (todas elas) são um fragmento da realidade. O jornalista pode ter conhecimento de um fragmento, ou pode escolher um fragmento de forma específica para manipular a audiência (isso é um fato), mas o fato de ele não retratar o todo não faz com que a notícia seja falsa. Às vezes esse fragmento é escolhido de forma intencional ou não pelo jornalista. Darci Ribeiro (salvo engano) tem uma frase que ilustra bem isso: "A Gente fala aquilo que ouve, não o que houve". Significa que o jornalista produz seu material a partir de uma fonte, e esta pode trazer um fragmento maior ou menor da realidade, sem contar que pode-se contar uma mesma história de várias maneiras. É importante sabermos disso pra não criarmos convicções a partir, apenas, de um lado da história. Por exemplo, estou concedendo esta entrevista no meio da quarentena imposta pela pandemia de Coronavírus em Santa Catarina e no Brasil. Nestes dias, se você se manter vendo a cobertura jornalística de uma certa emissora de Televisão, pode agravar quadros de depressão e ansiedade, pois só se fala dos males da pandemia. Se você ver outras emissoras do país, como a segunda e terceira em audiência, você enche seu coração de esperança. Qual das emissoras está mentindo? Nenhuma, só que uma escolheu mostrar os fragmentos negativos da realidade da pandemia, usando isso pra acrescentar sua briga com o governo, enquanto as outras emissoras escolheram mostrar fragmentos positivos desta realidade. O ideal é olhar apenas para os fragmentos positivos? Não. Para criarmos uma boa base de dados e nos informar, o correto é saber que existem fragmentos e formas variadas de contar estes fragmentos e histórias, e olharmos para TODOS os fragmentos. Quanto mais fragmentos eu colher, mais terei condições de montar um quadro geral para formar uma convicção correta e não ser massa de manobra ou gado, como dizem por aí.





Blog OCP: A relação entre cristãos e a política é boa?





Rev. Alisson Magalhães: Péssima, e não só dos cristãos. O brasileiro tem uma péssima relação da política, e esse é um dos principais motivos pelos quais o país está na situação atual. Voltando a falar especificamente dos cristãos, e aqui quero fazer um corte para os evangélicos, o relacionamento da igreja brasileira sempre foi péssimo não só com a política, mas para com tudo que ela não entende muito bem. A história mostra que a igreja sempre passou anos demonizando as coisas que ela não entendia para, muito tempo depois, descobrir que nada daquilo era essencialmente ruim e ela concluir que deveria, na verdade, ter ocupado e influenciado aqueles espaços. Foi assim com o rádio, com a TV, com a internet e, infelizmente, com a política. Infelizmente quando acabamos concluindo que poderíamos estar lá, o diabo e seus filhos já ocuparam tudo e ditam as regras. Se você olhar para a história da Europa, por exemplo, o berço da reforma protestante, vai perceber que o esfriamento daquele continente não aconteceu por causa da perseguição aberta. Ao contrário, aconteceu com a aprovação veladas de leis que foram sendo instituídas aos poucos, enquanto a igreja assistia, em silêncio, cada lei aprovada cercear a atuação da igreja e da mensagem do evangelho. Quem aprovou essas leis? Políticos que não eram cristãos e estavam a serviço da agenda de outros grupos. Por aqui acordamos a tempo, pelo menos, de fazer algum barulho evitando que parte disso pudesse acontecer. Novamente digo que as pessoas não entendem direito as coisas. A política, por exemplo, é o foro onde todas as correntes e visões de uma democracia precisam conversar para estabelecer uma dinâmica de relação amistosa e respeitosa. Mas isso não vai acontecer com a minha visão ou corrente de pensamento se ela não estiver representada lá. Quando eu demonizo a política e não me faço representar onde necessário, que são os locais onde são feitas as leis, o que vai acontecer é que a minha voz não será ouvida. Simples assim. Outro ponto negativo é o exagero. Um deputado cristão não tem que legislar para os cristãos, ou fazer leis pra criar feriados ou datas comemorativas evangélicas. Ele tem que estar lá para, no debate com outras correntes de pensamento e crenças, garantir que a nossa voz seja ouvida e levada em conta no estabelecimento do bem comum. O objetivo das casas de leis e da política é o bem comum, mas brasileiro não está acostumado com isso, e sim com levar vantagem em tudo. Esse é outro problema.





Blog OCP: Há quem olhe os problemas da política nacional como sinais da volta de Cristo. Como o senhor vê essa questão?





Rev. Alisson Magalhães: O relógio divino não está preocupado com o Brasil, e sim com Israel. O que acontece aqui é consequência do que acontece no restante do mundo. A Bíblia fala de uma degradação dos sistemas, deste mundo, e neste sentido sim, temos certeza de que Cristo está bem próximo de retornar, mas não vejo nada específico na realidade do contexto brasileiro que possa ter alguma relação com a volta de Cristo.





Blog OCP: A igreja do Nazareno – corrija-nos se estivermos errado –, no Brasil, é dispensacionalista. Lá fora, não. Qual é a razão da diferença na Escatologia?





Rev. Alisson Magalhães: Uma das características mais impressionantes e distintivas da Igreja do Nazareno é o seu equilíbrio natural em questões potencialmente polêmicas. Esse é um dos motivos pelos quais ela é capaz de, ao longo de mais de 120 anos de história, manter sua unidade mesmo atuando em mais de 162 países atualmente. Não existem ramificações da Igreja do Nazareno. Se você ver uma Igreja do Nazareno na Ásia, pode ter certeza que é a mesma que você vê no Brasil ou na África. Não é uma questão de a igreja brasileira ser dispensacionalista. O Fato é que a Igreja do Nazareno, enquanto denominação, não fecha questão onde a Bíblia não fecha, como é o caso da escatologia. Neste contexto, ela orienta seus ministros e membros, a conviver com as convicções de cada um, e aceita estas visões, a partir do ponto de vista de sua doutrina central, que é a doutrina de Santidade. Teologica e civilmente, a Igreja do Nazareno entende e respeita questões culturais que podem interferir no entendimento de questões locais. Lógico que isso acontece em questões secundárias da fé, nunca em dogmas centrais. Por exemplo, neste caso específico, nosso artigo de fé número 15 estabelece que, como Nazarenos, “Cremos que o Senhor Jesus Cristo voltará outra vez; que nós, os que estivermos vivos na Sua vinda, não precederemos aqueles que morreram em Cristo Jesus; mas que, se permanecermos n’Ele, seremos arrebatados com os santos ressuscitados para encontrarmos o Senhor nos ares, de sorte que estaremos para sempre com o Senhor”. A questão principal é que cremos firmemente na volta de Jesus e que, se permanecermos n’Ele, seremos arrebatados, agora, quando e como isso acontecerá é uma questão secundária e, neste ponto, a denominação entende que há liberdade de entendimento por parte de seus ministros e de seu povo.





Blog OCP: Como o reverendo vê a relação entre teologia Wesleyana e Dispensacionalismo?





Rev. Alisson Magalhães: Na verdade um dos pioneiros a usar o termo “dispensação” foi John William Fletcher, sucessor de John Wesley, explicando a história da humanidade em três momentos, chamando-os de dispensações: do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O Dispensacionalismo teve forte aceitação no meio pentecostal desde que chegou ao Brasil, com o livro de Lawrence Olson. Em minha opinião o dispensacionalismo é uma forma de sistematizar a história bíblia, uma espécie de sistema, perfeitamente compatível com qualquer leitura teológica que se faça da bíblia. Algumas premissas são sólidas, outras nem tanto. É preciso, como em tudo, ter equilíbrio para analisar o que se encaixa e o que não se encaixa com as Escrituras. Eu me considero dispensacionalista, até por ter uma maneira mais sistemática de pensamento, e o método ajuda muito a enxergar de forma bem clara o panorama da história bíblica e do relacionamento de Deus com a humanidade, nos permitindo entender essa dinâmica de forma clara, mas com relação ao futuro, mantenho o equilíbrio de não fechar questão onde, a meu ver, a própria Escritura não fecha.





Sabemos que a visão dispensacionalista é pré-tribulacional, mas essa é a visão deste método. Não significa que a Bíblia concorde totalmente com isso. Também não significa que descarte. Precisamos ter essa noção para não sermos injustos ou nos tornarmos defensores cegos de nossas visões, até porque não podemos esquecer que estes e outros sistemas teológicos são obras humanas. Não são a Escritura, portanto são falhos e limitados. É isso que falta no meio acadêmico cristão hoje. Esse equilíbrio para estabelecer diálogo entre as várias correntes de pensamento existentes.





Blog OCP: Nos últimos anos, especialmente em nosso país, as militâncias de várias áreas (arminiana, calvinista, cessacionista, política, etc.) ganharam força. Quais são os malefícios delas?





Rev. Alisson Magalhães: Todos os que você puder imaginar. Militâncias nunca estão a serviço da verdade. Elas estão a serviço de uma causa. Nada contra isso se a causa for nobre e estiver a serviço de algo que valha à pena. O problema do militante é que a causa deixa de ser um meio para se tornar o fim, e quando isso acontece ficamos cegos e entramos no caminho do autoritarismo. Todos os grandes ditadores tiveram, de formas variadas, uma origem em comum: transformar suas causas num ideal e, a partir daí, moldarem a cosmovisão de um grupo a partir disso. Por exemplo, na questão teológica, vemos o absurdo de irmãos arminianos afirmarem, categoricamente, que calvinistas são inimigos e vão para o inferno. Onde está escrito que o Arminianismo é o caminho para a salvação? Ou o calvinismo? Ou o Cessacionismo? Eu estive no nascimento e epicentro da maioria dos grupos que começaram a disseminar o Arminianismo no país, e alertei a todos sobre isso, antes de me afastar destes grupos exatamente por este problema, que a meu ver, causa mais desserviço do que serviço ao Arminianismo e à igreja brasileira.





Blog OCP: O reverendo ainda entende que a militância arminiana é forte?





Rev. Alisson Magalhães: Infelizmente. Hoje, já se vê algum tipo de relutância de alguns expoentes a este tipo de abordagem, mas ainda há muito ativismo, de ambos os lados. O que eu temia anos atrás, quando alertava sobre isso, é que surgisse uma rivalidade, o que acabou acontecendo e gerando uma divisão que não é saudável. Jesus disse que um corpo dividido não subsiste, logo não sei de onde esse grupo acha uma boa ideia essas discussões intermináveis.





Sempre que se defende cegamente algo, sem se preocupar com a verdade, o ativismo se instala e deixa as pessoas cegas. O Resultado é a tentativa de explicar coisas triviais com termos elegantes e bonitos pra tentar justificar o próprio ponto de vista. A preocupação não é se a bíblia segue nesta ou naquela direção, é subjugar o argumento contrário e estabelecer o que eu creio como correto. E o pior, neste caminho, quem está de fora vê mau testemunho. Já vi comentários do tipo "se nem eles se entendem o que vou fazer no meio deles?"





É o resultado do ativismo, sem falar na questão econômica, com gente explorando o tema de forma superficial e rasa, acentuando cada vez mais uma disputa que não leva a lugar nenhum. Lógico que há bons autores, mas são minoria.





Blog OCP: O senhor gosta de analisar canções cristãs. O que pensa da gospel atual?





Rev. Alisson Magalhães: Um amigo querido diz que a ignorância é uma benção. Ele tem razão (risos). Eu sou músico por formação e isso refinou não apenas o gosto musical como meus critérios pessoais na escolha do que canto e ouço. Não se trata de eu gostar de analisar canções cristãs ou não. Se trata de ser criterioso com aquilo que entra na minha cabeça ou sai dos meus lábios. A bíblia manda fazermos isso. Em primeiro lugar, não existe música “cristã”. Existe música. Já viu alguma música se convertendo ou aceitando Jesus? Eu não. O que existem são pessoas que compõem músicas, sendo estes cristãos ou não. Existe a música sacra, ou sagrada, e existe a música que fala do que não é sagrado. Isso é um outro assunto que gera um cisma gigante no evangelicalismo brasileiro, por falta de entendimento mesmo, gerando discussões intermináveis sobre ser pecado ou não ouvir música “do mundo”. Por música “do mundo”, a maioria entende que são músicas feitas por não cristãos, mas isso é pra uma outra conversa. Sobre a música gospel atual, deixei de ouvir qualquer coisa que se encaixe neste rótulo há pelo menos dez anos, apesar de analisar sempre o que aparece. Os motivos são, primeiro, a péssima qualidade literária das composições, bem como a péssima qualidade dos arranjos musicais, sem entrar na questão teológica, que nunca foi mais pobre e equivocada. A maioria das músicas gospel feitas hoje contam experiências pessoais e visões pessoais do compositor. Isso não torna a música sagrada ou digna de entrar para a liturgia do culto. É apenas a visão pessoal de quem compôs. Pode ser certo ou errado, mas como arte, a música exige alguns padrões de qualidade que não estão presentes na grande maioria do que se produz hoje em dia neste segmento. Lógico que existem, ainda, algumas ilhas de qualidade, normalmente mais antigos e com certa estrada já percorrida.





Blog OCP: O que mais vemos são hinos não recomendáveis e poucas boas recomendações. Além das canções da harpa e do cantor cristão, quais canções o senhor recomenda para cantarmos nos cultos?





Rev. Alisson Magalhães: Este é um outro problema clássico. O Culto é para Deus e a recomendação bíblica é que, se o culto é para Deus, as canções empregadas na liturgia devem ter como alvo o louvor e a adoração ao Senhor. Tudo que sair desse conceito não deve estar na liturgia. Não devemos, por exemplo, cantar orações. Na liturgia do culto existe o momento da oração, para orar. O que ocorre hoje é que a enorme maioria daquilo que é cantado, nos momentos separados para música no culto, são orações antropocêntricas. O resultado é que as pessoas choram, se emocionam, mas para Deus aquilo não vale absolutamente nada. A Bíblia diz que Deus habita no meio dos louvores. O que é Louvor? Do ponto de vista bíblico, louvor é uma expressão de reconhecimento por aquilo que Deus faz na nossa vida ou por nós. Louvor tem a ver com gratidão. É interessante porque nem toda canção do cantor cristão, da harpa ou de outro hinário, se encaixa aqui. Uma canção pode ser considerada um louvor quando ela é composta com o objetivo de agradecer a Deus, reconhecendo seu favor na nossa vida de alguma forma. Se existe isso na canção, ela é um louvor. Adoração segue no mesmo sentido, mas é uma expressão e uma ação de reconhecimento por aquilo que Deus é para nós. Logo, o que devemos cantar nos cultos, que são direcionados a Deus, são canções que expressem exatamente isso: Reconheçam a Deus pelos que ele é para nós, ou que representem nossa gratidão por aquilo que Ele faz ou fez na nossa vida. Se a música não se encaixa aqui, pode até ser cantada em momentos especiais do culto, mas não devem ser utilizadas no momento da música congregacional. Gosto de usar como exemplo a canção “Grande é o Senhor”, do Adhemar de Campos, que se encaixa nas duas definições. Quando o autor declara que “Grande É o Senhor”, ele está adorando (declarando que Deus é grande). No coro, quando a canção diz “Queremos o teu nome engrandecer, e agradecer-te por tua obra em nossas vidas…”, aqui fica clara a intenção de gratidão, ou seja, louvor. É quando juntamos a congregação em torno destes dois conceitos que a presença de Deus se torna presente nos cultos. Qualquer canção que não se encaixe nisso não deve ser usada na liturgia do culto, como eu falei, a não ser em momentos especiais, e nem é pecado ouvi-las em casa ou outros lugares. Outro ponto a ser observado, obviamente, é se aquilo que está sendo cantado é coerente com as Escrituras. A pessoa pode declarar que Deus representa algo para ela, mas não necessariamente isto reflete o ensino bíblico. Não pode existir música congregacional para a liturgia do culto em desacordo com a Bíblia.





Blog OCP: Quais livros sobre louvor o senhor nos recomenda?





Rev. Alisson Magalhães: Livros conceituais são escassos no Brasil, mas gosto dos livros do Atilano Muradas. No âmbito prático, um bom livro é “O livro de ouro do Ministério de Louvor”, do João de Souza Filho, este mais no âmbito prático da organização de um bom ministério de louvor.





Blog OCP: Voltemos ao jornalismo: qual é a relação entre esta área e a teologia Wesleyana?





Rev. Alisson Magalhães: Não vejo necessariamente uma relação direta, e sim conceitual. Wesley era um teólogo prático e, como tal, dinâmico e tinha um olhar diferenciado para a questão da realidade. Penso da mesma forma e até me enquadro, de certa forma, neste rótulo. Em minha visão, uma boa teologia é uma teologia que funcione na realidade. O jornalismo, neste ponto, é bem interessante pois nos ajuda e enxergar, nas entrelinhas da história, a ação de Deus e nos mostra como os conceitos de nossa teologia interagem com a realidade. Temos hoje jornalistas escrevendo livros para o público evangélico, caso de Philip Yancey, que nos mostra a importância de termos um bom olhar sobre a realidade. É nela que qualquer teologia vai se estabelecer ou não e, a meu ver, é o que, no fim das contas, determina se uma teologia se perpetua ou não.





Blog OCP: Como o senhor, um reverendo nazareno, vê o Movimento Pentecostal?





Rev. Alisson Magalhães: A Igreja do Nazareno é uma igreja oriunda do movimento de santidade, que pode ser considerado, em certo sentido, uma espécie de precursor do movimento pentecostal. O primeiro nome da denominação, inclusive, tinha o nome pentecostal. A Igreja Pentecostal do Nazareno, que removeu o termo pentecostal do nome na assembleia geral de 1919, em virtude da mudança no significado do termo. A igreja brasileira deve muito ao movimento pentecostal. Foi este grupo que, sem dúvidas, espalhou o evangelho pelos quatro cantos do país, contribuindo em muito com a evangelização destas localidades mais remotas do Brasil. Infelizmente nossos irmãos pentecostais demoraram a se despertar para o cuidado necessário com a doutrina e a teologia, mas isso está mudando, e muito dessa falta de cuidado aconteceu porque mudar hábitos e cosmovisões leva um pouco de tempo. O movimento pentecostal que conhecemos, que tem sua origem ligada ao movimento da Rua Azuzah, nasceu como um movimento que dava mais ênfase à experiência pessoal, focalizada no desenvolvimento espiritual do indivíduo. Os tradicionais, ao contrário, enfatizavam a teologia e a doutrina, e a partir daí a história se encarregou de fazer com que estes grupos seguissem seu desenvolvimento dentro destas convicções. Por isso os pentecostais, talvez, demoraram um tempo para perceber que a teologia e a doutrina não são, necessariamente, contrárias ao avivamento e ao desenvolvimento pessoal. Hoje esse cenário mudou e vemos um grande movimento no meio pentecostal buscando preencher essa lacuna, o que é excelente, pois representa o melhor de dois mundos, aliar uma teologia sólida e bíblica à uma experiência pessoal vibrante e influenciadora.


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