Entrevista - Bispo Ildo Mello


Biografia





José Ildo Swartele de Mello é bispo do Concílio Geral da Igreja Metodista Livre do Brasil e de Angola, pastor da Imel de Mirandópolis, professor do Seminário Bíblico Wesleyano e conferencista. Bacharel em teologia pela Faculdade de Teologia Metodista Livre, cursou mestrado em teologia pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo e Doutorado em Ministério pela Faculdade Teológica Sul Americana. Foi por dois mandatos presidente do Concílio Mundial de Bispos Metodistas Livres. Autor do livro Principados e Poderes e de centenas de artigos do Blog Escatologia Cristã e do Canal de vídeos no Youtube





Bispo Ildo Mello




Leia íntegra da entrevista abaixo!





Blog OCP: Bispo, o senhor nasceu em berço cristão? Conte-nos como foi o início de sua caminhada cristã, quando passou a ter interesse em se aprofundar nas Sagradas Escrituras e como foi sua caminhada até o pastorado.





Bispo Ildo Mello: Em 1962, aquela que seria minha irmã mais velha acabou falecendo durante o parto. Imaginem o que não foi para minha mãe regressar para casa e ainda ter que contemplar o berço que com tanto carinho havia sido montado para acolher a sua tão esperada filha. Foi aí que sua vizinha, Vicência, que também era a sua melhor amiga, pegou sua filhinha, que tinha poucos meses de vida e que era carinhosamente chamada de Naninha, e a colocou no colo de minha mãe e disse: “Frieda, não fica assim tão triste, pois a Naninha, a partir de agora, é sua filha também”.





Minha mãe voltou a engravidar e eu nasci em agosto de 63. Meses depois do meu nascimento, a Naninha ficou gravemente enferma e veio a falecer. E, para piorar ainda mais a situação, Vicência não podia mais engravidar. Então, foi a vez de minha mãe visitá-la e me colocar em seus braços, e dizer a ela: “Querida amiga, não fica assim tão triste, pois, a partir de agora, esse também será seu filho”





Assim foi que passei a ter duas preciosas e amadas mães, uma branca, outra negra, uma protestante, outra católica. Como éramos vizinhos de cerca, convivi diariamente com as duas! Ambas me ensinaram a ter fé em Cristo e a amar a Deus e ao próximo. Vicência era a melhor catequista de Cidade Ademar, tanto que, certa vez, o próprio Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns foi visitá-la em reconhecimento de seu significativo trabalho. Devido à influência dela, cheguei a fazer o catecismo e a primeira comunhão, e, por outro lado, devido a poderosa influência da minha mãe Frieda, frequentei também a Escola Dominical e os cultos da Igreja Metodista Livre. Como eu estudava muito a Bíblia, acabei optando por me tornar metodista livre, por concluir que as doutrinas protestantes estavam mais de acordo com os ensinos bíblicos.





Com treze anos de idade, acabei me sentindo um tanto deslocado na igreja, pois não era mais criança e também não me identificava com o grupo de jovens que era de pessoas mais velhas. Por conta disto, fiquei sem frequentar os cultos, mas continuava lendo a Bíblia todos os dias. Na primeira semana de janeiro de 1980, tive uma discussão com amigos que eram católicos sincretistas, que misturavam crenças católicas com espíritas. Defendi com ardor a fé evangélica e decidi ali retornar para a igreja. Minha fé se ascendeu de uma maneira muito intensa. Experimentei a plenitude do Espírito, da paz de Deus que excede a todo o entendimento guardando minha mente e coração e uma alegria indizível, com a certeza da salvação e de que meu futuro inteiro estava nas mãos de Deus! Não perdia nenhuma classe de escola dominical e nenhum culto dominical e de jovens no sábado. Se eu já lia a Bíblia, agora, passei a devorar as Escrituras Sagradas e outros livros que me chegavam as mãos.





Um testemunha de Jeová se aproximou oferecendo estudo bíblico, mas procuramos o auxílio do pastor que nos abriu os olhos. Eu e meu amigo Nilson, que hoje também é pastor metodista livre, escrevemos uma apostila intitulada “Os pequenos e grandes erros das Testemunhas de Jeová”. Tínhamos 16 anos de idade na época.





Com 17 anos, organizei um grupo de crentes da escola que começou a se reunir todos os dias no período de 15 minutos de intervalo entre as aulas para evangelizar nos colegas no pátio do Colégio Martins Pena. Chegamos a reunir mais de 100 pessoas! Houve conversões. Deste grupo saíram 6 pastores!





A mocidade da igreja metodista livre de Cidade Ademar entrou em crise no final de 1982. Toda diretoria abandonou os cargos. Presidente, vice-presidente, diretor espiritual, secretária e diretor social, só fiquei eu como diretor esportivo. Eu não queria ser líder de nada, mas também não queria ver aquele bom grupo de jovens disperso. Decidi telefonar para os ex-líderes tentando dissuadi-los da ideia de deixarem os cargos. Queria que tudo voltasse a ser como era antes. Liguei para todos eles e para todos os demais jovens da igreja e marquei uma reunião para sábado à noite, mas, para minha surpresa, ninguém apareceu! Mesmo assim, eu não desisti. Voltei a telefonar para todos marcando uma nova reunião, só que desta vez na casa de um deles. Pelo menos assim, já garantia a presença de alguém mais além de mim! O anfitrião não entendeu bem o propósito de reunião, pensou tratar-se de um culto, e convidou 10 vizinhos não crentes. E, quando cheguei para reunião, lá estavam eles, e nenhum de nós preparado para pregar. Consultei os mais experientes, mas nenhum deles se habilitou. Mesmo sendo muito tímido, diante da necessidade, foi que me atrevi a pregar pela primeira, pois até então eu só havia dado testemunho na escola. Algo fenomenal aconteceu, eu mesmo fiquei espantado com a graça e a desenvoltura com que fui capaz de pregar. Fiz um apelo e as dez visitantes aceitaram a Cristo como Senhor e Salvador. Achei estranho que todos aceitassem, então, refiz o apelo carregando nas tintas do preço do discipulado, e, mesmo assim, 5 pessoas levantaram as mãos. Uma delas, perguntou se eu poderia pregar a mesma mensagem para toda a sua família. Pensei, a mesma mensagem? Hummm… Creio que, sim. Nesta outra oportunidade houve mais conversões e mais gente pediu culto em suas casas. Foi, assim, então, que comecei a pregar uma vez por semana de casa em casa e uma vez por semana aos sábados para a mocidade, pois acabei assumindo a presidência. Somente naquele ano de 1983, a mocidade realizou 3 retiros, com muitos jovens se convertendo e se achegando a igreja. Além disso, eu comecei a liderar vigílias todas as sextas-feiras para buscarmos a plenitude do Espírito Santo. O que incomodou alguns ex-lideres da mocidade, que vieram a mim para dizer que eu não era metodista livre e que eu deveria ir para minha laia. Triste, procurei o pastor da igreja, que, para minha surpresa, já havia sido procurado anteriormente por este mesmos que foram a ele para fazer criticas a mim e ao Nilson. Resultado, o pastor deu ouvidos a eles e decidiu nos suspender dos cargos de liderança e disse que teríamos que ficar 3 anos de gancho sem poder pregar ou ensinar. Acatamos a disciplina ainda que a julgássemos injusta. Deixamos todos os cargos e fomos humildemente para os cultos e a classe da escola dominical. Em uma das aulas, em que ele falava contra as manifestações do Espírito Santo, eu, de modo respeitoso, pedi licença para fazer uma pergunta. Tendo recebido autorização, perguntei: “Mas, pastor, João Wesley, fundador do metodismo, não disse que a respeito do assunto existiam dois extremos perigosos, um de sobrevalorizar as manifestações espirituais e outro de despreza-las?” Ao que ele, enfezado, levantou a voz e disse: “João Wesley jamais falou isso!”. Então, calmamente respondi apontando a edição e a página do Diário de Wesley em que constava tal frase. O Pastor, descontrolou-se e disse: “Seu garoto insolente, ponha-se para fora daqui, você está expulso da igreja, e, se não sair, vou impetrar um mandato de segurança contra você.” Parece mentira, mas fui expulso da igreja metodista livre por mencionar uma frase do fundador João Wesley!





Nesta época, sabendo do que se passara, recebi dois convites, um para ir para outra denominação e um segundo abrir uma igreja. Eu tinha apenas 18 anos. Recusei ambos convites. Outros pastores e líderes metodistas livres vieram conversar comigo, explicando que tal pastor é que não era metodista livre e que era para eu esperar com paciência. 3 meses depois, no final daquele ano, o tal pastor foi afastado da igreja e acabou voltando para a sua denominação de origem, que era cessacionista. Eu e o Nilson retornamos à igreja em janeiro de 1984 de maneira bem humilde. Fomos bem acolhidos pelo novo pastor. Aqueles dois jovens que me mandaram ir embora da igreja para minha laia, ainda estavam lá e exerciam agora cargos de liderança. Fomos muito cordatos com eles. Não queríamos liderança alguma, queríamos apenas regressar para nossa amada igreja. Aquele foi um ano de aprendizado. Nenhuma liderança exercida. Eu seguia estudando a Bíblia e lendo livros. Foi o ano também em que tive que trabalhar muito para conseguir dinheiro para construir minha casa. Me casei com a Cristina, filha do Pr. José Alves do Carmo, no mês de agosto daquele ano.





Voltei a pregar no final de 1984 e entrei no seminário em fevereiro de 1985. No final de 85, sou recebido como candidato ao ministério e designado a plantar uma nova igreja. Trabalhava em dois empregos de dia e nos finais de semana, fazia faculdade de teologia de segunda a sexta no período noturno e dirigia as reuniões da nova igreja que aconteciam no sábado à noite, Escola Dominical de manhã e culto no Domingo à noite. Graças a Deus, minha esposa era muito compreensiva com minha dedicação as coisas de Deus, e ajudava muito a igreja além de cuidar do lar e de nosso primeiro filho.





Blog OCP: O senhor se aprofundou nas Escrituras no mesmo tempo em que se aprofundou na Teologia Wesleyana? Fale sobre as obras que leu.





Bispo Ildo Mello: Mesmo antes do seminário, eu me interessava sobre a história metodista e a teologia wesleyana, li apostilas preparadas pelo Pr. Wesley King, o Diário de Wesley e alguns sermões de Wesley, além do livro “Para que todos sejam santos” de Samuel Logan Brengle. Na Faculdade de teologia, fui aprendendo mais a respeito. E, de uns 20 anos pra cá, senti a necessidade de me aprofundar ainda mais na teologia armínio-wesleyana por conta da posição de liderança.





Blog OCP: A doutrina da perfeição cristã é bem compreendida?





Bispo Ildo Mello: Definitivamente, não. Nem mesmo por muitos que se dizem wesleyanos.





A perfeição cristã não é absoluta. A perfeição absoluta pertence somente a Deus. Ela não significa libertação de todos os efeitos e da presença do pecado, algo que só alcançaremos na eternidade. (Works 11:395, 417). Mesmo aqueles que desfrutam do mais íntimo caminhar com Deus ainda possuem muitas imperfeições em consequência da Queda e seguem diariamente dependendo dos méritos do sangue de Cristo e precisam sinceramente orar pedindo o perdão de seus pecados. Pois nem o amor e nem a unção do Espírito nos tornam infalíveis. (Works 11:395, 415). Não existe nenhum nível de perfeição que não admita um continuo crescimento. (Sermão A Perfeição Cristã. 6:5-6).





 Como disse Theodore Runyon: “A maior força da doutrina wesleyana da perfeição talvez esteja em sua habilidade de mobilizar os crentes a buscarem um futuro mais perfeito que supere o presente. Pois, mesmo estando consciente das forças do mal, Wesley não as considera conseqüências inevitáveis do pecado original, mas exatamente aquilo que pode ser vencido.”





Como dizia Wesley: “A fé que atua pelo amor” é o comprimento, a largura, a profundidade e a altura da perfeição cristã”. “amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a nós mesmos”. “puro amor enchendo o coração e governando todas as palavras e ações”. Para Wesley, o mandamento de Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo é uma meta alcançável em vida pelo poder do Espírito. O que é impossível para os homens, é possível para Deus. Portanto, podemos batalhar com esperança contra o pecado.





“Renovados à imagem do Criador” (Co 3.10). Para Wesley, este era o modo preferido de caracterizar a santificação por englobar as dimensões individual e social. “Predestinados para serem conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8.29 e Ef 1.4); “segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior” (2Co 3.18); “novo homem, criado para ser semelhante a Deus” (Ef 4.24)





Nossa santificação é missionária, pois está voltada à santificação do mundo (Mt 5.14; Co 1.20). “Vossa própria natureza é dar sabor a tudo quanto vos rodeia” (Wesley).





Textos que demonstram que a perfeição cristã é alvo alcançável nesta vida:





“até que cheguemos à perfeita varonilidade À medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4.13)





“Não que eu tenha alcançado a perfeição, mas, uma coisa faço, esquecendo-me das coisas que para trás ficam, avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo” (Fp 3.12-14)





"Dessa forma o amor está aperfeiçoado entre nós, para que no dia do juízo tenhamos confiança, porque neste mundo somos como ele.” (1 Jo 4:17).





“Ele promoveu poderosa salvação para nós... resgatar-nos da mão dos nossos inimigos para o servirmos sem medo, em santidade e justiça, diante dele todos os nossos dias.” (Lc 1.69-75 NVI).





"Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente... Ele se entregou por nós a fim de nos remir de toda a maldade e purificar para si mesmo um povo particularmente seu, dedicado à prática de boas obras. (Tito 2:11-14 NVI).





"Que o próprio Deus da paz os santifique inteiramente. Que todo o espírito, a alma e o corpo de vocês sejam preservados irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo." (1 Ts 5:23 NVI)





Blog OCP: Os cristãos têm levado a sério a doutrina da santificação?





Bispo Ildo Mello: Como diz o Manifesto de Santidade da Conexão Wesleyana de Santidade, a mensagem de santidade foi sendo diluída internamente e deturpada externamente. Por um lado, em meados do século 20, a santidade era cada vez mais definida em termos de performance, geralmente em termos daquilo que as pessoas não devem fazer. Isso levou a uma ênfase exagerada sobre regras de comportamento, o que acabou descambando em legalismo. Por outro lado, na segunda metade do Século XX, devido a uma ênfase exagerada em crescimento da Igreja, tivemos um aumento do número de cristãos nominais, que não manifestam frutos dignos de arrependimento. Juntos, esses fatores ameaçavam ofuscar a mensagem do amor e da transformação do coração e da vida que são a herança do movimento de santidade.





Blog OCP: Fale sobre a relação entre a Teologia Wesleyana e a vida cristã.





Bispo Ildo Mello: A teologia wesleyana é otimista a respeito do poder do Evangelho e do Espírito Santo para a transformação de indivíduos, comunidades inteiras e da sociedade. Deus não apenas perdoa pecados, mas transforma vidas. Não apenas justifica, mas também regenera e santifica. Não apenas opera uma obra a favor de nós, mas também em nós. Não apenas quer que sejamos santos, Ele nos capacita para vivermos uma vida de vitória sobre o pecado e para cooperarmos em favor do Reino de Deus, como agentes de transformação do mundo. Promovendo a reconciliação com Deus por meio de Cristo e a justiça, o amor, a alegria e a paz do Reino de Deus, que são frutos do Espírito Santo.





A salvação em Cristo não é uma proposição a ser aceita, mas um pessoa a ser amada e obedecida. Portanto, preguemos a mensagem transformadora da santidade; Ensinemos os princípios do amor e do perdão de Cristo; Vivamos vidas que reflitam a Jesus Cristo; Lideremos um engajamento com as culturas do mundo; e partilhemos com outros para multiplicarmos seu efeito pela reconciliação de todas as coisas.





Blog OCP: O senhor entende que a Teologia Wesleyana é uma cosmovisão?





Bispo Ildo Mello: É uma cosmovisão cristã de que Deus ama a humanidade caída e enviou Cristo para desfazer as obras do Diabo e para promover salvação e restauração mediante o Evangelho. Deus está em Cristo, reconciliando consigo o mundo. Jesus inaugurou o seu reino por ocasião de sua primeira vinda. Subiu ao céus e está assentado no trono. E é necessário que Ele reine colocando todos os inimigos debaixo de seus pés, até o último, que é a morte, que será tragada pela vitória na sua Segunda Vinda.





Blog OCP: Bispo, é um exagero (ou erro) dizermos que Metodismo e Teologia Wesleyana são a mesma coisa?





Bispo Ildo Mello:Tenho a impressão de que o metodismo tem seus altos e baixos e conflitos históricos, enquanto que a teologia wesleyana propriamente dita possui maior solidez.





Blog OCP: Diferentemente de Lutero e Calvino, Wesley era um teólogo mais prático. Qual é a contribuição da Doutrina Wesleyana para o Evangelicalismo?





Bispo Ildo Mello: Wesley é o maior expoente do arminianismo. Seu otimismo a respeito do poder da graça do Evangelho para salvação, santificação e transformação de indivíduos e da sociedade. O status quo não tem a última Palavra. Otimismo escatológico que vê o Reino de Deus se expandindo na presente era. Além disto, o ministério leigo, o ministério feminino, os grupos pequenos ou células,  a Escola Biblica Dominical, a luta pelo fim da escravidão e até mesmo o movimento pentecostal devem muito ao metodismo. Bem como a preocupação dos Adventistas com as questões relacionadas ao ensino e a saúde, uma forte herança metodista que Ellen White transportou para o adventismo. 





Blog OCP: O senhor é um pastor que vai muito ao programa Vejam Só. O senhor entende que a Teologia Wesleyana, Arminianismo e outros assuntos são mal explicados nos debates por alguns teólogos? O senhor diria que há espantalhos criados de propósito? 





Bispo Ildo Mello: Sim, muitas “fake news” tem sido espalhadas por aí, quer seja por ignorância ou pela intensão de menosprezar a todo custo a teologia armínio-wesleyana a fim de promover a sua própria.  Apelam para tudo e querem ganhar no grito! A teologia armínio-wesleyana, quando devidamente entendida, é de uma pureza e beleza admirável. Entendo que é a que melhor faz jus ao ensino global das Escrituras Sagradas. 





Blog OCP: Como o senhor, bispo Metodista, vê o Movimento Pentecostal?





Bispo Ildo Mello: O movimento pentecostal nasceu em solo metodista, em um templo metodista, com um grupo de origem predominantemente metodista. William Seymour era também um obreiro metodista. A influência do movimento de santidade foi tão sensível que, nos primeiros anos, os pentecostais ensinavam que o batismo com o Espírito Santo era a terceira obra da graça, sendo a primeira, a justificação, e a segunda, a inteira santificação. 
Vejo com apreço as seguintes características do movimento pentecostal: Seu fervor espiritual e evangelístico, sua ênfase na oração, sua ênfase na vida de santidade, principalmente nas primeiras décadas, espaço para o exercício de dons e também do ministério leigo, a prioridade dada aos mais pobres, promovendo salvação e a elevação da autoestima e da cidadania e da dignidade humana.






Por outro lado, vejo que deram mais ênfases aos dons do que ao fruto do Espírito. Super-valorizaram o dom de línguas desconsiderando as ressalvas bíblicas a respeito. Abraçaram o dispensacionalismo sem um estudo mais cauteloso da matéria. Lamento também o surgimento do neopentecostalismo que tem se distanciado tanto dos valores do pentecostalismo original.





Blog OCP: Fale-nos sobre sua denominação, Igreja Metodista Livre.





Bispo Ildo Mello: A Igreja Metodista Livre foi organizada em Pekin, Nova York, em 23 de Agosto de 1860. O primeiro bispo da nova igreja foi Benjamin Titus Roberts. Ele foi um ardente combatente pela igualdade de direitos (especialmente das mulheres), escritor, editor, educador cristão e pregador de santidade.





O "livre" do nome Metodista Livre é resultado da ênfase em certas liberdades básicas encontradas nas Escrituras.  





* Todos os assentos da igreja deveriam ser livres de qualquer especie discriminação o privilégio. Combatendo assim uma prática comum naquela época de conceder aos ricos assentos especiais, tipo cadeiras cativas em honra a família tal.





* Liberdade humana, garantindo o direito de cada pessoa ser livre, negando o direito de quem que seja manter escravos; 





* Liberdade e simplicidade no culto; 





* Liberdade e abertura nos relacionamentos e lealdade de forma que a verdade possa ser sempre falada livremente (evitando votos de segredo de sociedades secretas); 





* Liberdade para os leigos serem plenamente envolvidos em todos os níveis de decisão; 





* Liberdade do materialismo de forma a poder socorrer o pobre. 





* Na doutrina, as crenças Metodistas Livres são as crenças comuns aos evangélicos, ao protestantismo arminiano, com ênfase especial no ensino bíblico da inteira santificação, conforme defendido por John Wesley.





* Na experiência, os Metodistas Livres enfatizam a realidade de purificação e poder interiores que comprovam a doutrina da inteira santificação, tanto na consciência interior do crente como na sua vida exterior.





* O seu culto é caracterizado pela simplicidade e liberdade do Espírito, sem ser limitado por ritual detalhado.





* Os Metodistas Livres mantêm uma vida de devoção diária a Cristo que brota da santidade interior e que separa o cristão do mundo, mesmo vivendo no mundo. Crêem que a melhor maneira de impedir a invasão da Igreja pelo mundanismo é a Igreja invadindo o mundo com propósito redentivo.





* Os Metodistas Livres reconhecem que Deus concede dons espirituais de serviço e liderança tanto a homens como a mulheres. Visto que homem e mulher são ambos criados à imagem de Deus, tal imagem é mais plenamente refletida quando ambos, mulheres e homens, trabalham em união em todos os níveis da Igreja.





* Os Metodistas Livres sentem uma obrigação especial de pregar o Evangelho aos pobres, seguindo os passos de Jesus (Lc 7:22).





* Os Metodistas Livres são comprometidos com os ideais do Novo Testamento de modéstia e simplicidade como estilo de vida. Eles desejam chamar atenção, não para si mesmos, mas para o seu Senhor.





Blog OCP: Quais são os maiores desafios de um pastor seja ele líder de uma denominação, seja ele líder de uma igreja local?





Bispo Ildo Mello: Manter-se íntegro e fiel ao Senhor, ao seu chamado, à sã doutrina, nutrindo sempre a fé e o fervor espiritual. Crescendo sempre na graça e no conhecimento para servir cada vez melhor a missão da Igreja com muito zelo, amor e alegria.





Blog OCP: Pois é, bispo, o pastorado não é fácil. Não são poucos os casos de pastores que estão cansados, estão com depressão. Quais são as recomendações que o senhor dá aos pastores para enfrentarem esses problemas?





Bispo Ildo Mello: Recomendo olharem sempre para o Senhor que os chamou. Pois Ele é o autor e o sustentador da nossa fé. Ele alivia o nosso fardo. Devemos aprender dele que é manso e humilde de coração. Uma semana antes daquele episódio que compartilhei anteriormente a respeito da maneira injusta com que fui expulso da igreja, eu tive uma visão no encerramento de um culto de jovens. Eu me vi subindo uma escadaria íngreme e cumprida, que parecia não ter fim. Cansado, pensei em desistir, quando, de repente, o céu se abriu e pude ver e ouvir a Cristo que lá do alto daquela escadaria me encorajava a prosseguir pois estava acompanhando os meus passos e me aguardava em sua glória. Não sou um homem de muitas visões. Normalmente o Senhor me fala mesmo através das Escrituras Sagradas. Mas, fiquei maravilhado com aquela visão. Hoje, sei que o Senhor estava me preparando para tudo o que eu teria que enfrentar naqueles dias e em toda a trajetória até que eu venha finalmente completar a minha carreira. O Senhor prometeu que sempre estaria conosco. Eis aí a nossa força!


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