Diálogos - Wellington Mariano
Biografia
Cristão. Casado com Daniela Mariano e pai de Gustavo Mariano. Pastor das Assembleias de Deus e atualmente residindo e pastoreando no Canadá.Intérprete. Tradutor de 20 obras cristãs. Autor de “O que é teologia arminiana?”. Mestre em estudos teológicos pela McMaster Divinity College. Especialista em teologia pelo CPAJ. Especialista em literatura pela PUC-SP. Bacharel em teologia. Bacharel em letras.
Abaixo, leia a íntegra desta riquíssima entrevista.

- Fale de sua trajetória cristã, conversão, pastorado, vida de escritor e tradutor.
Wellington Mariano: Tanto meus avós paternos quanto maternos eram cristãos, mas foram meus avós maternos, em especial minha avó Francisca, que mais me marcaram e me influenciaram. Fui criado em um lar cristão com pais muito sérios em relação a nossa formação cristã. Meu pai foi o superintende da Escola Bíblica Dominical da igreja em que cresci por 30 anos. Ele também era (e ainda é) o responsável pelo núcleo de educação teológica da igreja em que cresci e isto, naturalmente, me influenciou muito, pois meu pai deixou claro para mim, mesmo quando eu era muito jovem, que ele estava me discipulando para um dia substitui-lo em suas responsabilidades ministeriais. Nesse sentido, de maneira geral, meu pai me legou um interesse pelo estudo e por questões mais teóricas (ortodoxia), minha avó minha avó Francisca, por outro lado, me legou um interesse pelas questões práticas (ortopraxia) e isso por ela ter sido, por décadas, a líder do Círculo de Oração e a regente do coral de minha igreja.
Tive uma formação pentecostal tipicamente assembleiana. Participei do grupo das crianças, adolescentes e dos jovens (mocidade). Fui professor da Escola Bíblica Dominical e professor de teologia do núcleo teológico da igreja. Gostava de cantar e, por vezes, arranhava no violão ou guitarra. Fui líder de jovens de minha igreja local e líder setorial. Em meados de 2005 eu passei a atuar como tradutor de pastores e missionários de fala inglesa e passei a visitar e conhecer muitas igrejas. Em 2006 estive como tradutor da CPAD no Centenário da Rua Azusa em Los Angeles, Califórnia. Participei de celebrações da Rua Azusa no Brasil e nos EUA até por volta de 2010. Passei pelo diaconato, presbiterato e em 2007 fui consagrado evangelista, o pastorado chegou no ano de 2009. Atuei como segundo pastor de minha igreja por anos e em 2010 eu fui pastorear uma igreja no Jardim Esther, São Paulo, pastorado que durou quase 4 anos.
Em se tratando de minha vida como tradutor, minha primeira graduação foi na área de Letras (tradução e interpretação). Ali aprimorei meu desejo e apreço pelas letras. Atuei como tradutor de revistas de bordo, de revistas da área de TI (Tecnologia da Informação) e tradutor de manuais de celular e, finalmente, atuei como tradutor na TVSBT Canal 4 de Televisão. Traduzi ainda livros não religiosos e, por fim, em 2013 comecei a atuar como tradutor de obras teológicas protestantes, tendo traduzido, até o momento, mais de 20 obras.
Meu desejo pela escrita vem desde minha infância, este é um dos motivos que me levou a estudar letras e, mais tarde, a estudar literatura brasileira e portuguesa, em nível e pós-graduação, na PUC-SP. Há uma frase entre estudiosos e acadêmicos que todo professor de literatura (e interessados em literatura, em geral) é um escritor frustrado ou não realizado (risos). Escrevi, por volta de 2015, minha primeira obra, O que é teologia arminiana? e tenho dois artigos publicados em duas obras organizadas pelo professor Vinicius Couto. Tenho aspirações de escrever mais obras teológicas arminianas, mas também em outras áreas de interesse que não soteriologia, e, com a permissão de Deus, até mesmo a escrita de uma obra de ficção, mas aqui eu estou indo além dos limites da pergunta (risos).
- O pentecostalismo brasileiro está bem? É muito diferente do canadense?
Wellington Mariano: Essa é uma pergunta difícil e profunda, que certamente pode (ria) se tornar um artigo e até mesmo um livro. Creio que a resposta depende dos pontos que o respondente analisa ao dar sua resposta. Existem muitas coisas boas e ruins dentro do pentecostalismo brasileiro e, no geral, vejo que algumas pessoas que lidam com esse assunto gostam de enfatizar mais os pontos negativos, o que, para mim, é um erro, ou, dito de outra forma, é apresentar apenas um lado da moeda. O pentecostalismo brasileiro tem muito que melhorar e aprender, mas Deus já realizou muito e continua a realizar grandes obras através da principal tradição cristã no mundo no momento.
Resido no Canadá há quase 4 anos, e o que observo é que o pentecostalismo canadense é bem diferente do brasileiro. No geral, a maioria dos pastores pentecostais no Brasil não é assalariada, mas a maioria dos pastores pentecostais canadenses é assalariada. O pentecostalismo no Brasil, em sua liturgia, apresenta um culto bem mais musical e alegre do que os pentecostais canadenses. A participação de vários departamentos na liturgia dos cultos, tal como crianças, adolescentes, jovens e coral, é bem mais escassa aqui do que no Brasil. Os cultos, no geral, também não contam com muita participação de irmãos e irmãs no culto, em termos de testemunho nos cultos, por exemplo. Ainda em termos litúrgicos, os cristãos não têm o costume de orar de joelhos, ou ainda, de orar todos ao mesmo tempo, já que muitas das orações são conduzidas por uma pessoa e as demais concordam com o que foi dito. Não se há, no Canadá, o costume de cantar hinos da harpa cristã. Ao passo que no Brasil muitos obreiros pregam e ensinam, no Canadá, a pregação e ensino cabe quase exclusivamente ao pastor sênior ou seus respectivos ajudantes, pastor associado ou assistente.
Há uma maior separação entre clero e membros no pentecostalismo canadense, ao passo que a ideia e noção de sacerdócio de todos os santos parecem ser mais bem desenvolvidas e aplicadas no Brasil. O pentecostalismo canadense possui bem menos excessos do que os encontrados no Brasil, entretanto, parece ter certa domesticação do Espírito aqui, em comparação ao Brasil. O pentecostalismo brasileiro possui muitas igrejas independentes, mas a maioria das igrejas brasileiras pertence a uma denominação, que mantém relação com as igrejas por setores ou afinidades, criando uma maior integração e participação entre as igrejas e seus respectivos membros. No Canadá, as igrejas pentecostais são majoritariamente independentes, o que, por um lado, cria certa liberdade financeira, de sorte que as igrejas podem crescer e investir na sua igreja local, sem interferência de pastores presidentes ou o envio de ofertas abusivas a uma sede, mas por outro lado, isto isola as igrejas, não desenvolvendo em seus membros uma ideia de igreja como um corpo que vai além de sua igreja local.
- O evangelicalismo canadense é muito diferente do brasileiro? Os problemas são os mesmos, bem como as qualidades?
Wellington Mariano: Bastante. O Canadá é um país pós-cristão, isto é, foi criado e desenvolvido por alicerces cristãos, mas hoje, infelizmente, a maioria dos canadenses não é cristã, ou, posto de forma diferente, muitos canadenses se autodenominam cristãos, mas isso sem nenhum compromisso com Deus, Bíblia e a Igreja, são cristãos nominais. A riqueza material é um dos fatores que leva muitos canadenses a pensar que não precisam de Deus, afinal, eles têm dinheiro (Mamon). A cidade onde resido atualmente, que passou por um avivamento em 1857, possui muitas lindas igrejas, mas tais igrejas estão vazias e muitas delas estão sendo demolidas e transformadas em outros empreendimentos.
O canadense é, no geral, muito educado e, isto influencia na maneira com que não cristãos lidam com cristãos e cristãos com não cristãos, onde ambos os lados, no geral, são educados com o outro. Não existe aquela animosidade mais comum no evangelicalismo brasileiro de não cristãos com cristãos e vice-versa. Em se tratando de do relacionamento entre cristãos com outras tradições cristãs, há uma maior aceitação e respeito entre essas vertentes, a relação tempestuosa entre protestantes e católicos romanos no Brasil, por exemplo, não existe no Canadá, pelo menos não na mesma proporção. O mesmo pode ser dito de muitos reformados, que dialogam e se dão bem com outros que não são confessionalmente reformados. Muitas igrejas são conhecidas pelo nome fantasia, isto é, a denominação ou corrente que a igreja pertence não é enfatizada no nome da igreja. Eu mesmo, por exemplo, pertenço a Igreja Carisma, que pertence a PAOC (Pentecostal Assemblies of Canada – Assembleias Pentecostais do Canadá), mas uma pessoa que visita a igreja não saberia que estava entrando em uma igreja pentecostal. O mesmo vale para muitas outras igrejas, que não apresentam necessariamente suas tradições nas placas da igreja. Isso se dá, dentre outros fatores, pelo fato de os cristãos valorizarem mais o que eles concordam do que o que eles discordam. Outro fator, entretanto, tem a ver com o fato de que a luta contra o liberalismo, ateísmo e indiferença religiosa leva os cristãos a se apresentarem mais como um grupo geral do que com suas distinções e peculiaridades.
- O pentecostalismo no Canadá é tão forte quanto no Brasil? Pode-se dizer o mesmo do arminianismo?
Wellington Mariano: Não, o pentecostalismo brasileiro é mais forte que o pentecostalismo canadense, assim como o evangelicalismo brasileiro, como um todo, é mais forte que o evangelicalismo canadense. Já em termos de arminianismo, o desconhecimento dessa corrente por parte dos cristãos, como um todo, é muito grande. O mesmo vale para o calvinismo, pois muitos calvinistas também desconhecem suas doutrinas.
- Você esperava que a obra TAMIR fosse um divisor de águas do arminianismo no Brasil?
Wellington Mariano: Não, de maneira alguma, aliás, eu nem sabia o que esperar da publicação da obra além da convicção de que muitos arminianos e não calvinistas leriam a obra e se identificariam com ela. Eu tomei conhecimento da obra TAMIR no site do arminianismo.com, administrado pelo Paulo César Antunes, e a discussão da página era a de que precisaríamos publicar obras e a obra do Roger Olson era, naquela fase, a mais conhecida e mais debatida. A obra também lidava bem com a fase em que vivíamos no Brasil, em que havia muita discussão entre arminianos e calvinistas e também muita acusação calvinista contra a teologia arminiana e a obra do Olson respondia, de maneira adequada e em alto nível acadêmico às principais acusações levantadas contra o arminianismo. A obra encaixava muito bem aos anseios do momento, aliado ao fato de que poucos nomes de teólogos arminianos eram conhecidos no Brasil.
Na época eu não tinha o conhecimento de obras e autores arminianos que temos hoje e, em retrospecto, se tivesse o conhecimento que tenho hoje, a obra Jacó Armínio: Teólogo da Graça, de Stanglin e McCall, seria a mais indicada para ser a primeira publicação no Brasil. A obra de Roger Olson havia sido publicada nos EUA em 2006, e foi primeiramente publicada no Brasil em 2013, mas a obra de Stanglin e McCall foi publicada em 2012 nos EUA, e, portanto, poderia ter sido publicada no Brasil em 2013. Se assim tivesse sido, talvez a trajetória das discussões tivesse sido outra, mas não temos como saber isso agora. Com isso, claro, não estou, de maneira alguma, minimizando a importância da obra, mas apenas apontando que a obra tinha um propósito apologético e, visava defender o arminianismo de suas principais acusações, mas não oi uma obra propositiva assim como a obra de Stanglin e McCall é, que é a fase que estamos agora ou que, ao menos, deveríamos estar, isto é, na produção do que o arminianismo é, sem um teor polemista.
- Como classifica a literatura arminiana em nosso país?
Wellington Mariano: O número de mestres e doutores no Brasil é pouquíssimo, se comparado aos EUA ou Canadá, por exemplo. E isso explica a nossa escassez de produção acadêmica como um todo, o mesmo se valendo para a área teológica. A literatura é produzida majoritariamente através de obras traduzidas. A literatura arminiana foi produzida primeiramente em latim e holandês e, atualmente, em inglês, estas são as “línguas oficiais” da literatura arminiana mundial. Ao passo que a língua inglesa tem traduções de obras originalmente escritas em latim e holandês, no Brasil, por outro lado, as obras são majoritariamente traduzidas a partir do inglês.
Em se tratando da produção nacional, eu vejo com bons olhos a proliferação de obras arminianas escritas por autores brasileiros, mas, por outro lado, me preocupa o fato de que muitas dessas obras possam ser rasas e crie uma visão equivocada de que arminianismo seja raso. Hoje, infelizmente, qualquer pessoa pode publicar uma obra e isso tem seus pontos positivos, mas também os negativos. Publicações sem critérios, feitas com base no fato de que o autor está custeando ou investindo na publicação ou parte dela, pode levar a uma disseminação de obras sem qualidade. A máxima de que não podemos ler todos os livros do mundo se vale aqui, uma vez que o leitor arminiano não poderá ler todas as obras arminianas publicadas, cabe a ele procurar se educar a fim de ler as obras que irão lhe acrescentar e não perder tempo com as publicações realizadas mais pelo fato de que o autor quer ver sua obra publicada do que uma obra feita com maior reflexão e cuidado visando o crescimento, amadurecimento e desenvolvimento do arminianismo. Existe hoje no Brasil pouquíssimos editores arminianos ou versados em arminianismo, isto é, pessoas que pensem o arminianismo e trabalhem com autores a fim de que estes possam produzir um conteúdo importante e relevante.
Os escritores nos EUA e Canadá, por exemplo, são principalmente doutores e em alguns casos mais específicos, mestres. A escrita por parte de doutores e mestres é uma que, no geral, tende a ter mais qualidade em razão do preparo e formação do escritor, embora nem sempre este seja o caso, mas estou falando em termos gerais. No Brasil, como já frisado anteriormente, não temos tantos doutores e mestres, o que tende a baixar a qualidade de nossos escritos. A ausência de um diálogo e orientação por parte de um editor versado no tema que publica faz com que as obras sejam publicadas sem qualquer escrutínio e por vezes até sem mesmo que a obra seja sequer lida pelo editor que assina a obra. Penso que os escritores arminianos devam pensar e lutar pela qualidade de seus escritos e não com o número de obras que publicam. É muito melhor que o autor arminiano seja conhecido por uma ou duas obras de qualidade do que por dez obras insignificantes que serão esquecidas e não trarão impacto positivo. Nós podemos, no anseio de se criar uma literatura nacional às pressas, cometer o erro de termos uma produção ignóbil e descartável.
- Se grande parte das igrejas são arminianas, como fazer com que elas conheçam o arminianismo?
Wellington Mariano: Eu não sei se dizer se a maioria das igrejas são arminianas, mas concordo com a afirmação de que a maioria das igrejas não é calvinista. O conhecimento teológico de igrejas pentecostais, por exemplo, se dá majoritariamente através da Escola Bíblica Dominical, os núcleos teológicos locais e a pregação e ensino a partir do púlpito. Portanto, para que ao arminianismo seja conhecido e disseminado, mais revistas de EBD precisam ser escritas e estudadas nas igrejas, mais materiais precisam ser produzidos para os núcleos teológicos. Em minha experiência, por exemplo, os manuais de soteriologia não citavam o arminianismo e nem seus principais expoentes, logo, é preciso uma mudança nestes materiais a fim de que eles expressem e ensinem o arminianismo de maneira clara e direta. Pastores e líderes precisam investir em palestras, simpósios e seminários que tratem de questões arminianas. As conferências arminianas que marcaram o início do despertamento do arminianismo no Brasil parecem não estar com a mesma força ou intensidade de outrora, ou, talvez, caso elas estejam acontecendo, os arminianos não aprenderam a lição da história e estão deixando de registrar tais conferências, o que é um erro, pois a Internet tem o poder de disseminar e fazer com que um ensino local tenha alcances globais. Vejo alguns pentecostais criticando a exposição expositiva e, sem entrar no mérito da questão, penso que se mais pastores tivessem uma preocupação mais expositiva, eles certamente precisariam lidar com textos que tratam, por exemplo, da eleição e predestinação, segurança dos santos, a resistibilidade graça, dentre outros, e, consequentemente, precisariam ensinar e abordar tais temas com mais profundidade e seriedade. Os pentecostais tendem a enfatizar o Espírito e os dons, mas precisam aprender a enfatizar também as questões soteriológicas. Pastores deveriam fazer “campanhas” pelo ensino soteriológico. O pastor e líder que não é versado em tais temas, que convide pastores e líderes que sejam conhecedores do tema e, claro, registre o evento. Penso ainda que os ministérios poderiam a passar a exigir que tais pastores, antes de serem consagrados, mostrassem um mínimo de conhecimento do arminianismo.
- Por que as igrejas pentecostais brasileiras, especialmente as Assembleias de Deus, tiveram tanta dificuldade em assumir o arminianismo?
Wellington Mariano: Porque as igrejas pentecostais brasileiras desenvolveram uma visão de que o estudo é visto e entendido como maléfico e prejudicial, que a “letra mata”. Pela falta de conhecimento e interesse por história da igreja. Os pentecostais medianos estudam no máximo a história de sua denominação e isso vai até o Movimento da Rua Azusa, o que passar disso é exagero e desnecessário. Porque o calvinismo no Brasil nunca despontou e chegou a ameaçar as igrejas arminianas, o calvinismo, claro, já estava presente no Brasil, mas confinado a um grupo pequeno e sem uma postura proselitizadora. Pela ausência de educação formal teológica, pois a educação normal do assembleianos é através do estudo de suas doutrinas, mas não das doutrinas da igreja como um todo. O Brasil, até o momento, não tinha passado por essa discussão, e, por conseguinte, os pentecostais passaram a ter conhecimento desse debate histórico com cerca de 400 anos de atraso. Os formadores de opinião entre os assembleianos, tais como pastores e escritores, mesmo aqueles com educação teológica formal não eram versados no assunto e até mesmo chegaram a publicar, por editoras confessionais assembleianas, que os pentecostais não eram calvinistas e nem arminianos, esse fogo amigo também prejudicou e ainda prejudica, pois até onde sei, nunca houve retratação por parte de tais autores em seus escritos, e muitos destes escritos continuam sendo vendidos e, consequentemente, disseminando conhecimentos equivocados e contrários ao arminianismo. A postura desfavorável a adoção de credos e confissões também ajudou e ajuda com que muitos não tenham clareza em relação ao que o assembleianismo defenda.
- O movimento pentecostal, segundo alguns, não tem relação alguma com o wesleyanismo? O senhor corrobora essa afirmação?
Wellington Mariano: Eu não sei a partir de que ponto de vista tais pessoas afirmam que o pentecostalismo não tem relação algum com o pentecostalismo, mas esta é uma afirmação muito forte e que considero muito difícil de ser sustentada. Dizer que uma ou outra tradição pode ter influenciado mais o pentecostalismo do que o wesleyanismo é uma coisa, mas dizer não haver relação alguma entre pentecostalismo e wesleyanismo penso ser uma afirmação extremamente difícil de ser sustentada.
O historiador pentecostal Vinson Synan escreveu que o pentecostalismo é um fenômeno com raízes nos movimentos wesleyanos de santidade e de vida superior do século 19 (Pentecostalism: Varieties and Contributions; Pneuma, 9, no. 1, 1987, 32) referindo-se ao wesleyanismo. Claro, alguns podem dizer que o pentecostalismo dos EUA é diferente do brasileiro, mas eu penso que há mais características e influências wesleyanas no pentecostalismo brasileiro do que características e influências batistas, por exemplo.
- É possível ser assembleianos e wesleyano, isto é, seguir toda a cosmovisão wesleyana?
Wellington Mariano: Para responder esta pergunta eu precisaria saber bem mais do que sei sobre a cosmovisão wesleyana. Também seria necessário qualificar que estirpe de assembleianos e wesleyano a pergunta se refere.
- Quais são as contribuições do pentecostalismo e do arminianismo para o evangelicalismo?
Wellington Mariano: O fervor pentecostal na oração, pregação da palavra e evangelismo são contribuições extremamente importantes. O papel social da igreja na mudança e transformação social de vidas de pessoas oriundas das classes mais desprivilegiadas é outro fator muitíssimo importante. O arminianismo, neste sentido, é a principal mola propulsora da pregação pentecostal, em que Deus envia seu filho, Jesus, para morrer por todos. A crença de que Deus quer salvar a todos certamente exerceu e exerce grande importância na pregação do evangelho e trabalhos missionários. Creio que nenhuma outra tradição cristã colocou em prática o sacerdócio de todos os santos como os pentecostais e isto, creio eu, explica o crescimento que Deus tem dado a esse segmento.
Republicou isso em O Cristão Pentecostal.
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