Entrevista - Bases Bíblicas do Pastorado Feminino


Neste novo diálogo, o irmão Everton Edvaldo fala de seu primeiro livro, que é uma defesa do pastorado feminino. Este é um assunto polêmico principalmente no meio Pentecostal, em que muitos são contra. O Blog convidou o irmão Everton para um novo bate-papo, e ele aceitou. Caso queira adquirir o livro em e-book, acesse o link. Se quiser adquirir o livro físico, mande mensagem para o seguinte número de WhatsApp: (81) 9894-2603. Confira a íntegra de nossa conversa.





Primeiro livro do irmão Everton Edvaldo




Blog OCP: O que levou o irmão a escrever uma obra em defesa do pastorado feminino?





Everton Edvaldo: Quando comecei a postar minhas pesquisas, vi que algumas pessoas reagiram de forma bem radical, algumas criando espantalhos e rotulações indevidas. Então surgiu um desejo de continuar publicando minhas pesquisas a fim de desembaraçar esses desentendimentos. Outro fator que contribuiu bastante foi que eu passei a perceber que havia um publico interessado em aprender. Essas pessoas me incentivavam a continuar escrevendo, e me pediam obras em Língua Portuguesa sobre o assunto. O problema é que não existem obras em nosso vernáculo que tratem exclusivamente sobre o tema. Talvez a única exceção seja uma obra do Stanley Grenz chamada "Mulheres na Igreja." Quando fiz minhas pesquisas, fiz uso de muitos teólogos estrangeiros. Então porque não unir o útil ao agradável num livro? Foi aí que nasceu a ideia da obra.





Blog OCP: Podemos dizer, então, que sua obra é inédita em Língua Portuguesa, apesar do livro de Stanley Grenz?





Everton Edvaldo: Sim. Desconheço qualquer livro em circulação nacional que aborde de modo exclusivo duas temáticas tão entrelaçadas: o Igualitarismo bíblico e a Ordenação Feminina. Isto não quer dizer que não haja material em Português que fale do assunto de forma periférica. Existem algumas obras que não são sobre a temática, mas que falam dela ligeiramente, algo que é diferente da minha proposta. E mais: algumas dessas obras trazem uma abordagem orientada pelo feminismo, progressismo e até pelo liberalismo teológico, diferente da minha que é mais conservadora. Nesse sentido, ela é bem singular.





Blog OCP: São muitas as obras em defesa do pastorado feminino em outros idiomas?





Everton Edvaldo: Eu diria que a quantidade de teólogos que são a favor é tão grande quanto a dos que não são. Por que digo isso? Porque nem sempre quem é a favor, escreve uma obra inteira sobre o assunto. Um exemplo disso é o caso de N.T. Wright. Até onde eu sei, ele não chegou a escrever uma obra sobre Pastorado Feminino, mas dedicou um capítulo inteiro mostrando sua posição favorável na obra "Surpreendido pelas Escrituras." A pergunta que devemos fazer é: a obra é sobre Pastorado feminino? Não, mas o autor dedica um trecho dela para fazer sua defesa. Sendo assim, gostaria de mencionar ligeiramente o nome de alguns outros teólogos que também defendem a liderança feminina em algum sentido: Walter Kaiser Júnior, Kenneth Bailey, Stanley Grenz, F.F. Bruce, Gordon Fee, Craig Keener, Roger Olson, N.T. Wright, John Stott (complementarista brando), Ben Whitherington III, Stanley Horton e vários outros.





Blog OCP: O irmão demorou muito tempo para escrever esta obra?





Everton Edvaldo: Um pouco mais do que eu esperava. Como eu passei quase um ano pesquisando de lendo materiais (contra e a favor) eu já tinha todo o esquema montado na minha mente. Sem falar que eu já tinha escrito 10 artigos sobre o tema. Então transformar isso num livro seria mais que fácil. Ledo engano. Revisões, referências bibliográficas, críticas e falta de tempo fizeram com que o projeto atrasasse um pouco. Mas saiu! Finalmente, saiu!





Blog OCP: Os que comprarem seu livro, então, terão uma densa obra em defesa do pastorado feminino?





Everton Edvaldo: Não. A proposta é de introduzir o assunto com um material conservador. E a intenção é de discutir o assunto, apresentar, levantar possibilidades e levar o leitor à informação e reflexão. Por ser de caráter introdutório, não tenho por objetivo fechar todas as questões, nem de esgotar o assunto, apenas abrir portas para se discutir o mesmo. E claro que outras obras que virão depois da minha, vão melhorar os argumentos aqui e ali. Não vejo problema algum nisso. É uma obra simples, mas sem ser simplista.





Blog OCP: O irmão pensa que, em nosso meio Pentecostal, as irmãs em certos trabalhos são rejeitadas? Existe um machismo em nosso meio?





Everton Edvaldo: O Machismo não tem religião. Então em qualquer lugar onde os homens estiverem, o machismo é algo pelo menos, potencial antes de ser real. No meio Pentecostal não é diferente. Se tem rejeição da mulher em certos trabalhos? Deve ter. Mas é preciso deixar bem claro que muitas dessas rejeições às vezes, não tem uma ligação direta com o machismo. Existem pastores sérios que não conseguem ver na Bíblia base para que a mulher exerça determinados cargos da igreja. Limitar essa rejeição à questão do machismo seria muito simplismo da minha parte. Por outro lado, quando comparado à outras tradições, de modo geral, as mulheres no Pentecostalismo brasileiro gozam de muita liberdade para trabalhar. Elas podem ser missionárias, dirigentes de círculo de oração, pregadoras, maestrinas, professoras de EBD. No caso das igrejas filiadas à CGADB, é claro que há restrições quanto ao Pastorado e diaconato. No entanto, existem outras igrejas Pentecostais no Brasil que estendem a trajetória institucional das mulheres até os cargos de liderança da congregação. E mesmo onde há restrição, as mulheres muitas vezes, fazem trabalhos pastorais, mesmo não tendo a credencial. São verdadeiras pastoras anônimas. E mais: o que seria de muitos pastores dessas igrejas sem o pastoreio de suas esposas que anonimamente fazem o trabalho de formiguinha, cuidando da vida do pastor, da casa, dos filhos e ainda por cima, trabalhando fora?





Blog OCP: O irmão falou da liberdade que as irmãs têm no pentecostalismo diferentemente de outras tradições. O irmão pode falar um pouco mais sobre isso?





Everton Edvaldo: O Pentecostalismo é o movimento cristão mais promissor à atuação da mulher no ministério. Isto não quer dizer que as outras tradições não abram espaço para o ministério feminino. Por outro lado, há um arcabouço histórico, teológico e confessional permite que as mulheres tenham mais liberdade de atuação nas congregões Pentecostais. Essa "liberdade" começou de forma muito tímida dentro do Cristianismo por influência de John Wesley. Pouco tempo depois, as igrejas de santidade já davam espaço para mulheres evangelistas, missionárias e pregadoras. Nós herdamos essa liberdade um pouco deles. Já no Pentecostalismo, desde o início, as mulheres participavam ativamente da obra do Senhor, muitas delas, inclusive, liderando congregações.





Blog OCP: Houve quem o dissesse para não escrever este trabalho?





Everton Edvaldo: Sempre há pessoas prontas para nos desestimular. Porém, quem tem convicção do seu chamado, precisa ter o ouvido surdo para tais pessoas. O que fez com que um jovem que congrega numa igreja que é contra o Pastorado Feminino e que acreditou a vida toda que o ministério feminino ordenado era anti-bíblico, e que colocou sua face para bater nas redes sociais, publicasse um livro tão polêmico e com um tema impopular no Brasil? A fé nas Escrituras. Nada mais. Algumas pessoas dizem que eu busco "audiência". Se isto for verdade, eu sou o blogueiro mais tolo do Brasil: escolhi o "pior" tema para ganhar seguidores. As pessoas não pensam, nem refletem nessas coisas. No entanto, sigo firme o meu caminho.





Blog OCP: Parece que o irmão gostou muito de escrever sobre este assunto. Tanto que há 10 artigos em seu blog, além de sua obra. Há planos de escrever mais uma ou outras obras sobre o tema?





Everton Edvaldo: Demais. Foi uma experiência bem marcante! Os artigos na verdade, são extratos do meu livro. É claro que a obra desenvolve melhor a questão. Sobre sua última pergunta… Bem, eu pesquisei suficientemente material para escrever uns 3 ou 4 livros sobre o mesmo tema. O segundo já está pronto. Nele, irei falar do ministério feminino numa perspectiva Pentecostal. É uma obra que apresenta 3 motivos pelos quais os Pentecostais não devem ser contra o ministério feminino ordenado. Bem, eu ainda pretendia escrever mais uma terceira obra somente desfazendo as falácias, rotulações indevidas e espantalhos sobre o tema, e uma quarta, fazendo uma crítica aos que defendem a ordenação feminina, só que sem nenhum compromisso com a Bíblia. No entanto, acho que vou parar na segunda mesmo. Mas como o futuro a Deus pertence, aguardemos as cenas dos próximos capítulos. Deus abençoe!


Comentários