Entrevista - Omar Junior
Biografia
Omar Junior é graduado em Comunicação Social pela Universidade do Oeste Paulista, Pós-Graduado em Mídias Digitais pela Universidade Metodista de Piracicaba, Graduando em Teologia pela Universidade Metodista de São Paulo. Membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Belém – Campo de Piracicaba, e professor da Escola Bíblica Dominical classe de adultos.
Idealizador do Projeto Pneuma Academy, host do PneumaCast e do Live do Pneuma, que tem alcançado milhares de pessoas de grande parte das tradições cristãs dentro e fora do Brasil.

Blog OCP: Quando o irmão passou a se aprofundar na teologia pentecostal?
Omar Junior: Nasci em berço evangélico de tradição pentecostal, meus avós, tanto por parte de mãe como de pai, são pioneiros das Assembleias de Deus na região do Oeste Paulista; meu pai é evangelista ordenado pela CGADB e meu pastor titular; e minha mãe, líder do círculo de oração da nossa igreja. Desde muito novo já participava dos cultos infantis, e já era estimulado a ser um leitor da bíblia e a ter uma vida de oração. Me recordo de inúmeros cultos sobrenaturais, manifestações do Espírito em línguas e profecias (e interpretações de línguas em forma de profecia) chegando a presenciar o cumprimento das mesmas. Fui batizado (da forma clássica e da forma pentecostal no mesmo dia), aos 15 anos em setembro de 2007, na cidade de Indaiatuba/SP.
Apesar de todo esse contexto, nunca me preocupei muito com teologia, dedicava-me pouco ao estudo da bíblia, isso quando fazia, e entre os que andavam comigo não era muito diferente. Mas aos 17 para 18 anos, isso começou a mudar, precisei ir para outra cidade para estudar e então tive que me readaptar a uma nova realidade. Nesse tempo o Senhor me apresentou dois amigos, de linha reformada (um batista e um presbiteriano) que começaram a conversar comigo a respeito de teologia e cosmovisão cristã, e eu percebi que em toda minha vida eu estava sendo apenas um frequentador de igreja, e não um crente em Jesus Cristo. Comecei a estudar teologia, e por influência desses irmãos, conheci boa parte da teologia Calvinista, que estava começando a despontar como neo-puritanismo no Brasil. Li muito Piper, MacArthur, Washer, DeYong, entre outros e assistia muitos vídeos do Rev. Augustus Nicodemus e do Rev. Hernandes Dias Lopes no Youtube. Comprei a Bíblia de Genebra, Teologia Sistemática do Louis Berkhof, e estudei a ponto de me tornar, temporariamente, um calvinista. Criei um interesse pelos livros que iam contra o carismatismo, como o Caos Carismático e Fogo Estranho no MacArthur e a Palavra Final do O. Palmer Robertson, renegando tudo aquilo que havia visto e experimentado como algo que feria o Sola Scriptura, colocando-os na “salinha da vergonha”
Ao findar a faculdade, voltei pra minha casa com essa cosmovisão, mas não parei de estudar teologia (apesar de me formar em comunicação) e comecei a estudar a História da Igreja, pelo livro do Dr. Justo Gonzales e a me interessar pelos pais da igreja, e comecei a questionar alguns princípios da teologia que eu estava abraçando. Ao ler o capítulo de Expiação da Teologia Sistemática do Millard Erickson (Um Teólogo Reformado), passei a entender que a doutrina da expiação limitada não era de fato, coerente com a minha leitura da bíblia; isso, junto aos meus estudos de patrística, história e leitura devocional da bíblia, me fez começar a repensar minha teologia.
Minha redescoberta das verdades pentecostais se deu através de dois Teólogos, um, não era de fato um pentecostal, mas certamente andou com Deus (e em sua biografia, o autor James L. Snyder descreve seu enchimento do Espírito após Conversão[1]) que foi A.W Tozer. Inúmeras vezes chorei com a profundidade que ele escreve e com a presença do Espírito que sentia ao ler de coração aberto o que ele escrevia. Apesar de não ser de fato um teólogo acadêmico, Tozer se tornou uma referência pra mim, principalmente por sua espiritualidade mística, vida de oração e sensibilidade ao mover do Espírito.
O outro foi o Dr. Antony de Palma, com seu livro “O Batismo no Espírito Santo e com Fogo” que fez com que muita coisa se encaixa-se em minha cabeça, me fazendo abraçar de vez a teologia que um dia deixei para trás, como sendo a mais coerente com aquilo que a bíblia ensina.
A partir de então, comecei a buscar cada vez mais o enchimento do Espírito e a estudar a teologia Carismático/Pentecostal para ajudar aqueles que passaram pelas mesma “crises” que passei
Nesse caminho, o Senhor me presenteou com grandes amigos, que estão comigo no projeto Pneuma Academy e que me ensinam todos os dias como ser um pentecostal de coração e mente.
Blog OCP: Foi desse aprofundamento que o irmão pensou numa página sobre pentecostalismo? Fale sobre a Pneuma Academy.
Omar Junior: Foi sim, pois eu encontrei pouquíssimos recursos carismático/pentecostais quando iniciei, tínhamos o blog do Gutierres e o já extinto Teologia Carismática, mas ainda era muito pouco perto do que produzia as outras tradições, principalmente a reformada. O nosso primeiro passo foi a criação do Podcast, que até onde me lembro, foi o primeiro a tratar exclusivamente de teologia pentecostal na podosfera, chama-se PneumaCast (escolhemos o nome Pneuma, pois a intenção é tratar da teologia carismático/pentecostal, e não apenas da pentecostal). Após uma pausa, por motivos profissionais, voltamos a produzir conteúdo direcionado ao nosso público, como traduções e artigos que visam equipar os pentecostais carismáticos para uma melhor compreensão da sua fé. Lançamos também uma plataforma de cursos, onde esse conteúdo é organizado e didaticamente apresentado, em videoaulas, apostilas e traduções exclusivas numa plataforma totalmente digital.
O primeiro curso lançado é o Uma introdução ao Pentecostalismo como o professor Ivan Teixeira, que é um grande expositor do pentecostalismo e prolífico escritor de dentro do movimento.
A Pneuma Academy tem muitos planos ainda para 2020, como dois cursos com professores bem conhecidos do público pentecostal e arminiano, e que são grandes referências no assunto que se propõem a discutir. O objetivo do Pneuma Academy é ser um ministério para-eclesiástico na preparação dos pentecostais, com nomes conhecidos do público mais jovem que estão inseridos no ambiente das redes sociais.
Blog OCP: O irmão vê o Movimento Pentecostal como uma cosmovisão?
Omar Junior: Aqui eu vou na contramão de dois queridos irmãos que já passaram por aqui, e que são grandes referenciais para mim (Gutierres e Tiago Rosas). Eu entendo sim que o Pentecostalismo é uma cosmovisão e que nossa crença em um Deus imanente que nos capacita para sermos sal da terra e luz do mundo de maneira prática, através do seu Espírito Empoderador é verdadeira. Pentecostais estão cada vez mais pensando em línguas (título do livro do James K. Smith), dialogando com a filosofia, ciência, medicina, e tantas outras áreas; é só dar uma olhada na série “Pentcostals Manifestos” e você verá a cosmovisão pentecostal aplicada às mais diversas áreas. Teólogos ainda desconhecidos no Brasil como Amos Yong, Nimi Wariboko, Wolfgang Vondey, Simo Frestadius, Veli-Mati Karkkainen, entre tantos outros estão propondo uma cosmovisão pentecostal que vai desde os campos puramente teológicos aos que não são. O Teólogo Harlyn Graydon Purdy[2] afirma que:
“Os pentecostais também têm uma visão de mundo particular. Eles diferem dos fundamentalistas, liberais, não-cristãos, denominações principais e catolicismo romano em sua compreensão fundamental da realidade. De acordo com Middleton e Walsh, “as visões de mundo dão respostas de fé a um conjunto de questões fundamentais”, Uma visão de mundo responde a perguntas de identidade para a comunidade e indivíduos dentro dela, além de explicar o que há de errado com o mundo exterior e como ele deve ser reparado. Uma parte importante - talvez o aspecto central - da cosmovisão pentecostal primitiva era a autopercepção deles como um “povo marginalizado da 'Chuva serôdia'
Sem mencionar que já temos dois Nobel da Paz, que são pentecostais em sua cosmovisão. Não podemos limitar pentecostalismo a pneumatologia, bons teólogos, e bons pentecostais vem provando que sim, é real, uma cosmovisão pentecostal.
Blog OCP: O pensa do Movimento Pentecostal em nosso país?
Omar Junior: O Movimento Pentecostal, assim como todo movimento não é homogêneo, toda publicação pentecostal se preocupa em tratar do pentecostalismo como “pentecostalismos” (no plural). E isso vem desde de nossas origens (Parham e Seymour não concordavam ao certo sobre evidência inicial) e isso se reflete até hoje. Mesmo dentro das Assembleias de Deus, da qual faço parte não existe homogeneidade total. O pentecostalismo Norte Americano tem suas diferenças do pentecostalismo brasileiro, que por sua vez, tem diferenças do pentecostalismo europeu e asiático. Então temos que tomar cuidado ao querer se aventurar em tecer pensamentos sobre o movimento. Mas dentro de um núcleo comum, pode se dizer que o movimento pentecostal no Brasil, está se desenvolvendo teologicamente, e se fortalecendo dogmaticamente (vide a Declaração de Fé das Assembleias de Deus). Tem crescido o interesse de jovens pentecostais pela teologia e pelo estudo sério das verdades de Deus, as editoras perceberam isso e estão cada vez mais investindo em literatura pentecostal e trazendo ao Brasil nomes que até pouco tempo eram desconhecidos, e que são grandes expoentes da Teologia Pentecostal, até mesmo editoras com viés mais reformado, já começaram a perceber esse interesse, e investir na tradução de livros pentecostais.
Mas temos que nos atentar ao grande risco de tornarmos o pentecostalismo puramente racional, o que resultaria em grande perda para o pentecostalismo como um todo. A comunidade pentecostal deve ser pautada pela Palavra de Deus, mas também por um relacionamento real e sensitivo com o Deus da Palavra, sem isso, estaremos fadados ao dogmatismo barato. Vejo com bons olhos o futuro do pentecostalismo, tenho vários amigos ainda jovens, que se identificam com o pentecostalismo, e que buscam um relacionamento real e experiencial com Deus. Muitos deles capacitados e dotados dos Dons e Frutos do Espírito Santo, e que estão ajudando outros nesse mesmo sentido.
Enquanto o Pentecostalismo e os Pentecostais não extinguirem o Espírito, Deus continuará operando maravilhas através desse povo.
Blog OCP: O irmão também trata de teologia Arminiana em sua página. Como vê a teologia Arminiana em nosso país?
Omar Junior: Sim, tratamos, mas no momento não é o nosso foco principal. Apesar de nossa equipe de consultores serem predominante arminianos (uns de 4 pontos e outros de 5 pontos), nosso foco principal é na continuidade e operação dos dons espirituais (isso é consenso).
Com relação a teologia arminiana em nosso país, minha percepção é que ela vem em constante amadurecimento desde que o debate se iniciou no Brasil, surgiram boas editoras, bons autores e bons pesquisadores dessa perspectiva teológica, hoje os arminianos estão bem servidos, pelo menos para uma boa compreensão daquilo que creem e defendem. Como todas perspectiva teológica, ainda tem espaço para mais. Porém hoje não se pode mais alegar desconhecimento do que é o arminianismo e suas principais afirmações (não se pode confundir arminianismo com semi-pelagianismo, por exemplo), e vem mais por aí, pelo que ando observando. A PneumaAcademy tem projetos a contribuir com essa perspectiva teológica, que é predominante dentro das igrejas carismáticas e pentecostais (mesmo não sendo unanimidade).
Blog OCP: Fale-se que, no Evangelicalismo brasileiro, semipelagianismo é muito forte. Você entende que ele é muito forte no meio Pentecostal? Se sim, o irmão enxerga o semipelagianismo como um grande problema?
Omar Junior: Eu enxergo incredulidade como um grande problema. Eu vejo que nas redes sociais, os pentecostais estão mais preocupados em serem bem aceitos por outras tradições, como se precisássemos da aprovação deles para sermos genuinamente cristãos. Aí precisamos usar a régua deles para que nossas crenças e práticas sejam consideradas corretas, temos que usar o método hermenêutico aprovado por eles, ter os mesmos patronos teológicos que eles (Agostinho, Calvino, Edwards, entre outros) para tentarmos dar respostas convincentes e aceitas por eles. Ao meu ver, nós temos como contribuir para cristandade, sem precisar ficar à sombra de outras tradições, e capacitados pelo Espírito, viveremos o evangelho pleno. Então, sendo mais direto, o semi-pelagianismo pode ser um problema, mas a incredulidade é um problema ainda maior.
Blog OCP: Quais são as contribuições que o Movimento Pentecostal pode oferecer ao Evangelicalismo brasileiro?
Omar Junior: São muitas, o Teólogo Reformado Franklin Ferreira, diz que o futuro do protestantismo brasileiro está entre os pentecostais clássicos[3] (minuto 8). O pentecostalismo, devido a sua ênfase missiológica, cresce muito rápido, chega em lugares que outras tradições não chegam e tem se desenvolvido teologicamente nos últimos anos. Pode se esperar boas coisas vindo dos pentecostais.
No aspecto teológico, os pentecostais, deram nova luz a teologia do Espírito Santo, que antes, era tratado como mero apêndice na doutrina da Trindade. Hoje, os pentecostais estão discutindo hermenêutica e propondo novas ferramentas que podem auxiliar na explicação tanto do texto quanto da experiência, sabendo que uma coisa, não necessariamente anula a outra. Também estão diretamente envolvidos no recente debate sobre a justificação, e com contribuições renovadas a Teologia Sistemática[4]. Se for ouvido, o pentecostalismo tem muito a oferecer ao cristianismo como um todo. O Espírito ainda sopra.
Blog OCP: Ficamos felizes por falar de seu batismo com o Espírito Santo. Qual é o conselho que o irmão dá aos que buscam essa maravilhosa bênção prometida por Cristo?
Omar Junior: Não existe segredo. A Escritura está repleta de orientações a esse respeito. O primeiro passo é crer que essa promessa é para nós (hoje) porque Pedro em Atos no capítulo 2, no verso 32 diz que a promessa do derramamento do Espírito é para tanto quantos o Senhor nosso Deus chamar. O Dr. Sam Storms afirma que
[...] uma das razões pelas quais os dons espirituais são menos frequentes em certas épocas da história da igreja do que em outras, se deve ao fato de as pessoas não procurarem, buscarem ou orarem apaixonadamente e incessantemente por esses dons. E, muitas vezes, a razão pela qual eles não oraram ou pediram é porque tinham uma convicção ou crença anterior de que não existiam ou não estavam disponíveis para eles. [5]
Após crer, se deve buscar, o livro de Lucas enfatiza esse ponto no capítulo 11, quando Jesus diz
"Por isso lhes digo: Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta. Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta. “Qual pai, entre vocês, se o filho lhe pedir um peixe, em lugar disso lhe dará uma cobra? Ou se pedir um ovo, lhe dará um escorpião?
Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai que está no céu dará o Espírito Santo a quem o pedir! " [6]
Ser perseverante, paciente e nunca desistir, os resultados podem demorar, mas Deus espera de nós obediência e não incredulidade. Se puder e tiver amigos nessa jornada, ajudará. (não o Espírito, mas aquele que busca. Sempre é bom ter pessoas ao nosso redor que nos encoraja e nos aproxima de uma comunhão mais vivida com Deus)
Eu creio, e a Bíblia afirma que todo aquele que busca, encontra! Seja obediente, nosso Deus é um bom pai, Ele atenderá o seu pedido.
Blog OCP: Além de Tozer e D. Palma, quais obras o irmão recomenda aos que querem se aprofundar teologicamente e manter o fervor espiritual?
Omar Junior: Pode parecer meio óbvio, mas uma leitura bíblica reverente e um coração aberto a voz do Espírito, pode fazer mais para a edificação e aprofundamento teológico do que uma biblioteca inteira de livros.
Mas existem sim alguns autores que nos ajudam muito nessa caminhada. Além desses que já citei, gosto muito do Leonard Ravenhill, E.M. Bounds e John Wesley, estará bem servido quem ler as obras desses homens. Para um aprofundamento um pouco mais teológico (acadêmico) recomendo os Drs. Stanley Horton, Roger Stronstad, Menzies (pai e filho), esses são os pioneiros da reflexão teológica pentecostal, pra quem ainda tem alguma dúvida, pode começar por eles.
Os livros do Dr. Sam Storms sobre dons são muito bons, o mesmo pode se dizer de Gordon Fee e do Jack Deere, pois intercalam perspicácia teológica e aplicações práticas.
Hoje temos muita literatura de qualidade, boas editoras e bons autores carismáticos/pentecostais, Graças a Deus.
Blog OCP: Irmão, fale mais sobre os pentecostalismos diferentes do brasileiro.
Omar Junior: Cada país desenvolve características diferentes de pentecostalismo, por exemplo, nos EUA existem pentecostais unicistas enquanto no Brasil quase não se vê esse tipo de ramificação (Graças a Deus!). Por lá também há menores rejeições a ideia de liderança feminina nas denominações pentecostais, enquanto aqui, há maiores. O Pentecostalismo brasileiro recebe mais influência batista do que os demais, que geralmente tem uma forte raiz de Santidade Wesleyana. O que não se pode fazer e entender o movimento pentecostal brasileiro como o único legítimo dentro do movimento. Há muito mais que os nossos olhos podem ver, e uma hora, acaba chegando até a gente essas variações. (Ps. o que não é exclusividade do movimento pentecostal)
Agradeço a oportunidade me nome de Jesus.
Omar Junior.
REFERÊNCIAS:
[1] The Life of A.W. Tozer: In Pursuit of God (English Edition)
[2] A Distinct Twenty-First Century Pentecostal Hermeneutic (English Edition)
[3] https://www.youtube.com/watch?v=b01fkBy0Ua8
[4] Renewing Christian Theology: Systematics for a Global Christianity e Pentecostal Theology: Living the Full Gospel (T&T Clark Systematic Pentecostal and Charismatic Theology) são duas dessas propostas.
[5] Practicing the Power: Welcoming the Gifts of the Holy Spirit in Your Life
[6] Lucas 11:9-13
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