Dispensacionalismo: Verdades e Mitos


Nesta segunda parte da entrevista do professor Saullo Stan, o blog fez perguntas bem comuns dos críticos desta linha escatológica. O Dispensacionalismo merece crédito? É uma linha escatológica baseada em séries de ficção? Os pentecostais podem ser dispensacionalistas? Leia a entrevista a seguir.





Antes, para quem chegou agora: se não leu, leia a primeira parte da entrevista do professor.





Saullo Stan é graduado no Centro Treinamento Bíblico Rhema e Escola de Ministros Rhema, Mestre, conferencista, especialista em Escatologia, Cristologia, Eclesiologia e outras áreas da Teologia. Professor no Centro de Treinamento Bíblico Rhema e escritor, autor dos livros, Surpreendidos Pela Eternidade e Apocalipse de Cristo às 7 igrejas.





Professor Saullo Stan




Blog OCP: Alguns escatólogos dizem que o Dispensacionalismo é uma visão escatológica nova e que, por essa razão, não merece tanto crédito. O que  tem a dizer sobre isso, professor?





Saullo Stan: O famoso argumento do "tempo de existência de um sistema".





De fato, muitos não-dispensacionalistas se utilizam desse argumento a fim de invalidar o dispensacionalismo; no entanto, deve-se considerar duas verdades:





Em primeiro lugar: Não é o tempo de amadurecimento, ou de  existência de um sistema, que faz dele certo ou errado; mas, sim, a sua coerência com as Escrituras Sagradas, veja há muitas doutrinas que foram defendidas por alguns Pais da igreja nos primeiros séculos que claramente não se sustentam hoje, mesmo sendo antigas, a exemplo a doutrina do purgatório. 





Em segundo lugar, o dispensacionalismo foi sistematizado pelo teólogo John Nelson Darby, no século XIX, mas isso não quer dizer que antes dele não existia uma reflexão dispensacionalista, até porque o dispensacionalismo tem suas raízes nas Escrituras. Deixe-me usar um outro exemplo: a doutrina da Santíssima Trindade é respaldada pelas Escrituras, porém seu amadurecimento e terminologias são vindos da Era de ouro (A patrística), se você é um cristão ortodoxo não poderá negar essa maravilhosa doutrina, mesmo sabendo que o termo "Trindade" foi cunhado por teólogos primitivo, assim como soteriologia, escatologia, hamartiologia e outros. Portanto esse argumento é falacioso e não se sustenta.





Blog OCP: Dispensacionalistas são acusados de tentar prever a volta de Cristo. A que se deve essa afirmação?





Saullo Stan: Não apenas alguns dispensacionalistas se enveredaram por esse caminho de marcação de datas para vinda do Senhor, teólogos famosos de posições escatologicas diferentes caíram nesse erro, como o comentarista bíblico Russell Norman Champlin, ao expor Apocalipse 1:7 defendeu que a vinda do Senhor ocorreria entre 1995 e 2000 (O Novo Testamento Interpretado. Vol. 6. A Voz Bíblica. Guaratinguetá, SP: p. 373).





Outro estudioso de profecias nesse caso um dispensacionalista clássico, Derek Walker, no livro Profecias do Fim dos Tempo. Vol 1, p: 39. Ao falar das dispensações ele afirma que a Era da igreja terá duração de 2 mil anos, começando a partir de 33 d.C.





Não entendo que isso seja por causa do dispensacionalismo. Como eu disse, teólogos não-dispensacionalistas já aderiram à marcação de datas para vinda do Senhor.





O que tenho a dizer sobre marcacão de datas para vinda do Senhor, segue abaixo meu comentário de Apocalipse 1:7, nele falo mais sobre o perigo dessas teorias.





Comentário em Apocalipse 1:7





“Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém.”





A passagem acima conecta dois textos do Antigo Testamento: Daniel 7:13 e Zacarias 12:10 (em ordem invertida, se comparados às palavras de Cristo em Mateus 24:30: “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.” Ver também Jo 19:37; At 1:9-11; Fp 2:10, 11).





A sequência dos eventos relacionados à vinda de Cristo é a seguinte:





Dn 7:13: em primeiro lugar, Cristo vem com as nuvens; em segundo lugar, ele apresenta-se ao ancião de dias.





Zc 12:10: em primeiro lugar, olharão para ele a quem traspassaram; em segundo lugar, prantearão sobre ele.





Mt 24:30: em primeiro lugar, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; em segundo lugar, todas as tribos da terra se lamentarão; em terceiro lugar, verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu.





Ap 1:7: em primeiro lugar, ele volta com as nuvens; em segundo lugar, todo o olho o verá; e em terceiro lugar, todas as tribos da terra se lamentarão.





Muitos estudiosos do tempo do fim têm se arriscado ao marcar datas ou tempos para o retorno de Cristo, e todos os que enveredaram por esse caminho acabaram se frustrando. Ao olharmos pelo retrovisor da história do cristianismo, vemos que isso se repetiu de tempos em tempos, sempre com base em fatos contextuais. Permaneço acreditando na doutrina da iminência, ensinada e respaldada pelas Escrituras Sagradas.





Vejamos, agora, quatro pontos a serem considerados no texto de Apocalipse 1:7:





Eis que vem com as nuvens: a vinda de Cristo é pessoal, visível e literal. Se atentarmos nas Sagradas Escrituras constataremos isso, mas é importante não confundir esse texto, o qual fala da segunda vinda gloriosa de Cristo, com o arrebatamento da Igreja (1Ts 4:16, 17). No arrebatamento, Cristo tirará a Igreja da Terra antes de iniciar-se o período de ira que há de vir sobre os que estão em trevas (1Ts 1:10 e 5:1-11). Já a segunda vinda refere-se ao momento em que o Senhor retornará à Terra com a Igreja e seus anjos, para fazer justiça em favor de Israel e implantar o aspecto terrestre e literal do seu reino (Ap 19 e 20). Não acredito em três vindas de Cristo, mas em uma segunda vinda em duas fases: a primeira será o arrebatamento, e a segunda, seu retorno com a Igreja ao final dos sete anos de tribulação. O tempo do fim pode ser resumido em quatro grandes eventos: o arrebatamento, a Tribulação, o retorno de Cristo com a Igreja ao final dos sete anos tribulacionais, e a implantação do aspecto terrestre e literal de seu reino (o Milênio).





Todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram: não significa que talvez todos o vejam, mas que todo o olho o verá! Sejam vivos, mortos, demônios ou anjos, todos serão obrigados a ver o Cristo traspassado (Fp 2:10-11). Há uma tensão teológica quanto ao trecho “até os mesmos que o traspassaram”: Será que se refere apenas ao soldado romano que lhe traspassou com uma lança, ou seria uma alusão aos judeus? Se aos judeus, a quais: os que já morreram, ou os descendentes judaicos que presenciarão, vivos, esse Dia? Caso seja o soldado ou os judeus do tempo de Jesus, teria que haver ressurreição antes? Esse pranto é de juízo ou de arrependimento? Se os mesmos que o traspassaram forem os que estão mortos, o lamento não pode ser de arrependimento. Vamos observar todos os textos correlatos:





“Pois me rodearam cães; o ajuntamento de malfeitores me cercou, traspassaram-me as mãos e os pés.” (Sl 22:16).





“Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito.” (Zc 12:10).





“E se alguém lhe disser: Que feridas são estas nas tuas mãos? Dirá ele: São feridas com que fui ferido em casa dos meus amigos.” (Zc 13:6).





“Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.” (Jo 19:34).





“E outra vez diz a Escritura: Verão aquele que traspassaram.” (Jo 19:37).





De alguma maneira, aqueles que traspassaram o Senhor o verão e lamentarão; mas também, de alguma forma, toda a humanidade estava com a sua mão naquela lança do soldado romano… Estou convencido de que a expressão todo resolve a questão.





Todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele: talvez a chave para entender se esse lamento expressa arrependimento ou resposta a um juízo condenatório esteja em aceitar as duas coisas. O texto de Zacarias 12:10-14 refere-se ao arrependimento de Israel, mas o de Mateus 24:30 não faz menção a isso, apresentando um tom de reclamação ou horror em face de um julgamento.





Sim. Amém: aqui não há apenas uma concordância, como a ideia de assim seja, mas o sentido é que será de fato assim, tem que ser assim, ou, como é comum em Apocalipse, deve acontecer.





Por Saullo Stan





Artigo do Livro Apocalipse de Cristo às 7 igrejas do professor Saullo Stan. Editora, Teneo, Pindamonhangaba, 2018.





Blog OCP: Professor, você é pentecostal. Alguns teólogos afirmam que pentecostais não deveriam ser dispensacionalistas uma vez que é uma visão criada e defendida por cessacionistas. O que o senhor pode falar sobre isso?





Saullo Stan: Sim, sou pentecostal e dispensacionalista. Vi a primeira vez esse argumento em um debate com um continuísta, que por sinal admiro muito, ele disse: "Não entendo como muitos pentecostais são dispensacionalistas, pois esse sistema veio de um calvinista e além do mais muitos cessacionistas também o defende?" Eu respondi: Em momento algum o sistema restringe a atuação dos dons espirituais, pois o dispensacionalismo não lida com essas questões, como eu disse o dispensacionalismo é um sistema teológico de interpretação, porém eu julgo que cabe tranquilamente o continuísmo, cessacionismo, calvinismo ou arminianismo no dispensacionalismo, observe algo, em Apocalipse 11:3-13 É mencionado as duas testemunhas, que basicamente os dispensacionalistas entendem que serão dois homens, profetas que terão seus ministérios fortemente marcado por sinais miraculosos (profecia, milagres na natureza e  outros), e veja usando esse argumento é aceito o entendimento continuísta. Mas, enfim, não é determinante para o sistema o ser ou não cessacionista ou continuísta…





Blog OCP: A fim de descredibilizar o Dispensacionalismo, alguns citam previsões feitas por dispensacionalistas que não se cumpriram, como a força da União Soviética. Como o professor responde a essa questão?





Saullo Stan: O erro de um proponente do dispensacionalismo, não deve ser aplicado ao sistema todo. Se formos desqualificar um estudioso por seus erros,  não escaparia ninguém, o próprio Agostinho de Hipona fez previsões da vinda do Senhor e não se cumpriu. O teólogo precisa expor ao máximo as verdades procedentes da palavra de Deus e não cair em especulações sem fundamento bíblico.





Há muitos mitos sobre o dispensacionalismo e fico muito feliz em poder esclarecer essas verdades com todos..





Por falar em "mito" sobre o dispensacionalismo, creio que cabe aqui a menção de alguns 





Mitos sobre o dispensacionalismo.





1. O dispensacionalismo ensina duas formas de salvação





Esse é um mito. É claro pelas Escrituras que só há salvação em Cristo (At 4:12). Graça e fé são as duas faces da salvação (Ef 2:8-10). Com a queda do homem, Deus fez uma promessa redentora que apontava para um tempo que o descendente da mulher chegaria a fim de destruir, pisar na cabeça da serpente. O descendente é claramente Jesus Cristo. As Escrituras Sagradas também afirmam que a salvação vem do Senhor e pertence somente a Ele. (Jn 2:9; Sl 3:8; Ap 7:10). Sendo assim, tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento a salvação repousa exclusivamente em Cristo. Eles acreditavam na promessa da vinda de um Redentor e nós cremos no Redentor que já veio.





2. Só é verdadeiramente dispensacionalista quem acredita em 7 dispensações.





Não é verdade, como eu já mencionei, a essência do sistema não repousa na quantidade de dispensações que você acredita, há dispensacionalistas que defendem 7, outros 3, 4, 8, isso não é determinante. Logo é um mito.





3. Todo dispensacionalista defende um arrebatamento secreto.





Esse é talvez o mito mais propagado por "não-dispensacionalistas".





Em primeiro lugar, essa afirmação sugere que todo dispensacionalista é um pré-tribulacionista, no entanto, isso não é verdade, pois muitos dispensacionalistas progressivos acreditam no denominado "arrebatamento pré-Ira".





Em segundo lugar, não é verdade que todo dispensacionalista defende um arrebatamento secreto, eu particularmente sou pré-tribulacionista dispensacionalista, mas não defendo "arrebatamento secreto", veja, o arrebatamento não será um acontecimento silencioso.





Paulo apresenta alguns detalhes em 1Ts 4:16, sobre como será o momento do Arrebatamento da Igreja:





1. Será em um brado de comando do Senhor (a voz de Cristo ressuscita mortos, Jo 5:28,29; 11:43, sua voz arrebata para a sala do trono, como está escrito em Ap 4:1,2);





2. Será na voz do arcanjo (curiosamente, mas em quase todos os eventos escatológicos a presença ou citação de anjos é bem comum, Mt 24:29-31, porém, aqui é provável que seja de uma maneira misteriosa a utilização da voz de um arcanjo. O “arcanjo” encontra-se mais uma vez em Jd 9 e nesse caso ele é identificado como o arcanjo Miguel);





3. Será no som da trombeta de Deus (novamente parece fazer alusão à voz de Cristo, Ap 1:10; 4:1, e há uma conexão com a última trombeta de 1Co 15:52. A trombeta era usada para reunir a assembleia e também para anunciar a chegada de um pessoa importante e, ainda, nas festas dos judeus).





Como será glorioso esse Dia! O dia da redenção do nosso corpo, o dia em que cessará a nossa ausência temporária do Senhor.





Blog OCP: Há uma polêmica também relacionada à marca da besta. O senhor entende, como alguns, que trata-se de um chip?





Saullo Stan: O SINAL DA BESTA (AP 13:16-18)





“E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome. Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis”.





As marcas sobre a mão ou a fronte mantinham simbolismo religioso para os judeus. Algumas eram simbólicas como em Êx 13:9 e outras eram literais como em Dt 6:8; 11:18. Novamente encontramos uma tentativa de imitação ao Cristo, pois os salvos em Cristo são selados com o Espírito Santo (Ef 1:13). Os devotos da besta também serão selados, porém, com o sinal da besta, sinal este que confirmará definitivamente a perdição desses homens (Ap 14:9,11; 16:2; 19:20; 20:4).





1. É importante entendermos que o sinal será colocado pelo falso profeta no período tribulacional;





2. Nenhum lugar nas Escrituras afirma “chip da besta”, mas um sinal, e é possível que seja algo visível, pois o texto diz que será colocada “sobre” a mão direita ou a testa e só os adoradores da besta irão receber este sinal;





3. A Igreja do Senhor não estará na terra no momento em que o sinal for posto;





4. O sinal será apenas um selo de uma aliança que os homens farão com a besta;





5. As Escrituras afirmam que ninguém poderá comprar ou vender senão aquele que tiver, o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome;





6. A marca afetará também o procedimento dos homens;





7. Não há registro bíblico de nenhum salvo do período tribulacional recebendo a marca da besta e perdendo a salvação;





8. Muitas pessoas se negarão a receber o sinal da besta e serão 





grandemente perseguidos e muitos serão mortos.





Blog OCP: É comum ouvirmos de alguns irmãos que certa visão escatológica é otimista e outra, pessimista. O que podemos dizer sobre o Dispensacionalismo?





A afirmação de que tal visão escatológica é pessimista ou otimista beira a falácia, observe:





Se falarmos das grandes vertentes escatológicas todas serão em parte tanto otimistas como pessimista 





O dispensacionalismo também visualiza as duas realidades. Veja o seguinte exemplo:





Sobre a tribulação, o reino e a evangelização mundial





Todas as visões concordam nessas verdades, porém ocorrendo em tempos diferentes.. 





Para o pós milenista a tribulação já ocorreu em 66-73 d.C





Para o amilenista já estamos no reino e a tribulação ocorrerá





Para o pré milenista a tribulação é futura e o reino também





E Assim se segue





Blog OCP: Há quem diga que o Dispensacionalismo é escatologia baseada em ficção por causa da série de filmes Deixados para Trás. Fale sobre isso e se, de fato, o filme contribuiu negativamente para isso.





Saullo Stan: Sobre essas questões temos que separar o dispensacionalismo do pré-tribulacionismo, ainda que muitos dispensacionalistas sejam também pré-tribulacistas como já  vimos, porém o sistema está relacionado essencialmente  a hermenêutica, não ao pré-tribulacionismo. Infelizmente muitos críticos do dispensacionalismo colocam tudo na conta do sistema.





No tocante à influência negativa das obras fictícias, de fato elas contribuíram para uma má compreensão da escatologia, penso que, em tratando-se de ficção, não há como esperar exatidão em tudo. Geralmente esses filmes erram em vários aspectos:





1. Falam de um arrebatamento parcial;





2. Sustentam a ideia de salvação pelo martírio, obras ou observação de leis.





3. Apresentam uma escatologia assustadora.





4. Asseveram um arrebatamento "secreto" e outros





Tendo observado esses pontos julgo que muitas obras fictícias não fizeram bem para a correta compreensão da escatologia bíblica.





Blog OCP: Quais são as convergências entre Dispensacionalismo e a Aliancismo?





Saullo Stan: As nossas convergências com o Aliancismo é bem resumido no contexto de escatologia e hermenêutica, mas é preciso entender que ser um aliancista ou dispensacionalista não faz de você um herege. De fato os irmãos aliancistas não ortodoxos nos fundamentos da fé Cristã,  assim como os dispensacionalistas, sendo assim concordamos em vários pontos:





1. Há concordância que Jesus é o centro e Senhor da salvação independentemente de ser na Antiga Aliança ou na Nova Aliança;





2. Também damos as mãos nos pontos essenciais da escatologia (segunda vinda, reino, juízo final, ressurreição dos mortos, Estado Eterno) a divergência é apenas em "como" e "quando" se dará esses eventos, mas no geral todos concordam na existência deles;





É um grande erro e uma desinformação atribuí título de heresia ou de hereges ao sistema ou a seus proponentes.





Precisamos de uma geração de teólogos mais amáveis e coerentes com a verdade da palavra de Deus.





Teologia sem amor é o mesmo que um metal ou sino que tine sem propósito; Teologia sem amor é o mesmo que um veículo sem combustível: não nos levará a lugar algum





Blog OCP: O professor entende que o Dispensacionalismo tem sido bem compreendido?





Saullo Stan: Entendo que não, pois há ainda muito mito sobre o sistema e além do mais, há uma necessidade de bases atualizadas para se falar dos desdobramentos do sistema.. infelizmente muitos dos crentes param de estudar ao concluir um seminário, ou algum curso bíblico específico, nós como cristãos amantes da palavra de Deus não podemos parar de estudar…





Blog OCP: Professor, você entende que houve um crescimento de dispensacionalistas no Brasil e no mundo?





Saullo Stan: Sim, mesmo ainda sem um conhecimento da essência do sistema, muitos têm aderido ao dispensacionalismo





Blog OCP: Professor, é fato que o senhor entende bem da escatologia Dispensacionalista. Quais são as obras que o professor recomenda para os que querem se aprofundar no Dispensacionalismo?





Saullo Stan: Amém, vejo que há excelentes obras que podemos consultar, segue a baixo:





1. SILVA, Saullo Stan. Surpreendidos Pela Eternidade. 3. ed. Lisboa:Teneo, 2019





2. SILVA, Saullo Stan. Apocalipse de Cristo às 7 igrejas. Pindamonhangaba: Teneo Publishing House, 2018





3. HORTON, Stanley. Comentário bíblico - Apocalipse. Rio de Janeiro: Cpad, 2001.





4. PENTECOST, J. Dwight. Manual de escatologia: uma análise detalhada dos eventos futuros. São Paulo: Vida, 2006. Tradução de: Carlos Osvaldo Cardoso Pinto.





5. PINTO, Carlos Osvaldo Cardoso. Foco e desenvolvimento no Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2008.





6. PORTO, Gabriel de Oliveira. Manual prático de escatologia: saiba 





como será o Fim dos Tempos. 3. ed. São Paulo: Gop Publicações, 2014.





7. SILVA, Severino Pedro da. Apocalipse: versículo por versículo. 2. ed. São Paulo: Cpad, 1985.





8. WALVOORD, John F. Todas as profecias da Bíblia. 2. ed. São Paulo: Editora Vida, 2002. Tradução de: Carlos Osvaldo Cardoso Pinto.





9. FEINBERG, John S. (Org.). Continuidade e Descontinuidade: perspectivas sobre o relacionamento entre o Antigo e o Novo Testamentos. Tradução de Onofre Muniz. São Paulo: Hagnos, 2013.





10. ERICKSON, Millard J.  Escatologia: a polêmica em torno do milênio. 2. ed. revisada e ampliada. São Paulo: Vida Nova, 2010.





11. HITCHOCK, Mark. 101 respostas às perguntas sobre o livro do Apocalipse. Porto Alegre: Editora Chamada, 2016.





12. Macarthur, John e Mayhue, Richard, Os Planos Proféticos de Cristo, Eusébio, CE: Ed Peregrino, 2016





Blog OCP: Amado professor, especificamente a igreja brasileira, o senhor entende que está se preparando para aquele grande dia da vinda do Salvador ou está se preparando mal?





Saullo Stan: A igreja está se preparando mal, pois a remoção das verdades do fim, e a ausência de uma exposição clara da escatologia bíblica têm resultado em crentes desconhecedores do assunto do tempo do fim.





A Igreja evangélica brasileira está repleta de um cristianismo heterodoxo focado em resultados materiais, o que não correspondem à realidade bíblica. Estamos vivendo uma fase de escassez - não fiquemos surpresos, mas há uma extrema insuficiência de caráter, de cristianismo genuíno. Temos templos magníficos e exuberantes, superlotados, muitas vezes, não de ovelhas, mas de bodes; não de fiéis, mas de infiéis; não de servos, mas de consumidores vorazes. Não falta dinheiro, mas falta integridade; não falta fama, mas falta humildade; não faltam palavras, mas falta poder. Não há nenhum problema em existirem templos grandes e abarrotados de gente, ou irmãos financeiramente bem-sucedidos dentro das igrejas: tudo isso tem o seu devido lugar. Todavia, é essencial que o padrão moral do servo do Senhor não decline, que o cristianismo seja evidenciado, que não nos portemos como um estabelecimento comercial, mas como coluna e sustentáculo da verdade. Nossos cultos não devem ser baseados em uma atitude materialista, pois Deus abomina o amor ao dinheiro, e portanto abominará qualquer coisa ou pessoa que ocupe o lugar que lhe é devido. acredito que esta mensagem não pode sair das nossas igrejas. Tenho viajado por diversas cidades ensinando a palavra do fim dos tempos e tenho percebido o quanto as pessoas necessitam deste ensinamento; vejo que essa pregação tem saído dos nossos púlpitos e o resultado é: uma geração de crentes superficiais, pois, infelizmente, estamos visualizando crescer nos nossos dias uma Igreja imoral, crentes incrédulos; pessoas que têm conhecimento da Palavra de Deus, mas não manifestam nada de amor; pessoas vazias da essência do verdadeiro Cristianismo e cheias de si. São muitas vezes orgulhosos, avarentos, pobres de caráter. São interesseiros, vivem aquém da vida de Deus. São vivos, mas vivem como mortos: não produzem nada e de nada em nada caminham para um abismo de imoralidade e do materialismo. Que haja um despertar. Que haja um avivamento. Sim. Um avivamento de caráter e de Cristianismo autêntico. O desejo do meu coração é que, assim como fui impactado com o entendimento da escatologia, ao ler este artigo, você seja despertado para a brevidade da vida, sendo que a vida não se resume ao comer, beber e vestir.


Comentários

  1. Não precisamos crer em "sistemas" escatológicos - basta crermos nos ensinos do Senhor e de seus apóstolos - LITERALMENTE - isto é, separação de justos e injustos no fim do mundo, na consumação dos séculos (Mt 12.41-41; 13.24-30, 39, 49); Vinda de Cristo após a grande tribulação (Mt 24.29-31; 2ª Ts 1.7-10); ressurreição e Juízo Final no último dia (Jo 6.40; 12.48); UM povo eleito e UM propósito de salvação em Cristo (Jo 10.16; 17.20-26; Rm 3.21-31; 4.13-18; 9.22-26).

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  2. Ronaldo de Souza Costa26 de junho de 2020 às 12:23

    PARABÉNS pela entrevista , bem explicativa e informativa.

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