Capacitando Líderes para as Demandas Ministeriais






Por Camila Peres Lima





De acordo com um estudo divulgado no blog da Editora Ultimato e feito pela “MyPastor.com”, uma organização dedicada ao encorajamento de pastores, os níveis de estresse, depressão e até suicídio têm sido alarmantes entre pastores. De acordo com a pesquisa feita, 45% dos pastores já sofreu de síndrome de Burnout ou depressão a ponto de precisar pedir licença do ministério, e 70% não têm amigos próximos. O problema não afeta apenas eles, mas também suas famílias: 45% das esposas dos pastores dizem que o maior perigo para eles e sua família é o desgaste físico, emocional, mental e espiritual. 





Sabemos que os pastores são comumente os mais cobrados numa igreja, exatamente por estarem à frente da igreja e sentirem-se na obrigação de cuidar dos problemas de todos, frequentemente esquecendo dos próprios problemas. A mentalidade de que o pastor precisa estar sempre disponível e ter todas as respostas acaba adoecendo as pessoas, e envolve toda a igreja, pois muitas vezes é transmitida também aos obreiros e outros líderes de departamentos e ministérios. Evidentemente o chamado ministerial, seja para pastor ou outro cargo, envolve renúncia e dedicação; não deve exercer este papel aquele que busca apenas recompensas financeiras ou aplausos, e sim aquele que Deus escolhe. Porém, muitas vezes, os líderes acabam desempenhando o papel de supervisores que distribuem e fiscalizam a realização de tarefas, ao invés de pessoas capacitadas para cuidar de vidas e conduzi-las a um nível de maior intimidade com Deus. Com isso, todos são prejudicados: obreiros ficam sobrecarregados e membros muitas vezes se tornam dependentes dos líderes, não atingindo nunca a maturidade espiritual. 





Neste contexto, é fundamental que os obreiros sejam capacitados em todas as áreas: espiritual, emocional e física. As demandas do ministério constantemente fixam uma rotina agitada, exigindo um condicionamento físico adequado. Alimentação equilibrada e exercício físico regular não são apenas para os atletas; contribuem para uma melhor qualidade de vida para qualquer pessoa, e especialmente para quem quer se manter saudável e assim poder cuidar de outros. Infelizmente, muitos líderes desprezam esse tipo de cuidado e acabam tendo que pausar suas atividades para cuidar de doenças que poderiam ter sido evitadas. Ocupar-se com atividade física não é perda de tempo ou vaidade; é um incremento para a vida do obreiro que quer servir a Cristo com todo seu ser. 





Assim como o corpo, a mente também precisa de cuidados. Como já apontado acima, não é incomum ver líderes acometidos por depressão, ansiedade ou estafa. Cuidar de pessoas e ouvir seus problemas não é fácil; exige maturidade e resiliência. Líderes sofrem com a rejeição, insubmissão ou dependência de seus liderados, e se não forem treinados para lidar com essas questões de modo saudável, irão absorver os problemas alheios e submergirem diante do peso da responsabilidade. Por isso, é muito importante que o obreiro tenha um pastor ou outro superior que o compreenda e não pressione; que tenha amigos íntimos com quem possa desabafar; e se necessário, profissionais com quem possa aprender a lidar com suas emoções de modo mais saudável. O obreiro precisa estar consciente de que não é um “super crente” e impor limites para o trabalho desenvolvido na igreja; caso contrário, é provável que desanime ou até mesmo desista de exercer suas atividades. Organizar eventos de lazer, marcar conversas informais ou contratar assistência psicológica são meios de providenciar ajuda para os que se sentem cansados e podem servir para estreitar laços entre os líderes, que frequentemente se sentem sozinhos. 





Por último, não podemos deixar de reforçar a necessidade de treinamento espiritual. Por mais que corpo e mente estejam sãos, o ministério não envolve apenas questões humanas; ele é, por definição, dedicado às coisas espirituais. Um obreiro precisa ser alguém que se dedica às disciplinas espirituais do jejum, da oração e da leitura bíblica. Deve ter um mínimo de ensino teológico – mesmo que nunca tenha passado por um seminário – para ser capaz de ajudar outros em suas dúvidas. O pastor da igreja pode providenciar este treinamento, ministrando cursos na igreja local ou fornecendo subsídios para que o obreiro tenha acesso a instituições de ensino. Um líder deve também ter um caráter íntegro e um coração ensinável, de preferência não sendo um novo convertido ou alguém que já demonstrou dificuldades para ouvir repreensões. Deve ser maduro o bastante para ouvir críticas sem esmorecer e receber elogios sem se ensoberbecer. Um obreiro muitas vezes é cobrado para ter sempre uma alta performance espiritual, mas se não estiver em contato constante com Deus, sustentará apenas uma fachada de espiritualidade, sem o verdadeiro poder do Espírito Santo. O apoio mútuo entre os líderes – por meio de reuniões de oração, por exemplo – é fundamental para que as pessoas sejam constantemente renovadas espiritualmente. 





Dito isto, podemos concluir que ser um obreiro é uma grande responsabilidade, mas não podemos esquecer que é também um grande prazer. Diante da tão grande salvação que Cristo nos concedeu gratuitamente, o que mais podemos fazer se não lhe render tudo que temos e somos? 





Bibliografia: 





https://www.ultimato.com.br/conteudo/suicidio-e-o-gemido-dos-pastores


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